Períodos de frio intenso exigem cuidados específicos para evitar problemas de saúde, principalmente em Santa Catarina, onde as temperaturas podem cair de forma acentuada durante a atuação de massas de ar frio. A exposição prolongada ao frio pode causar desconforto térmico, hipotermia e agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares.
Segundo o site da Defesa Civil de Santa Catarina, crianças, idosos, pessoas em situação de rua e animais de estimação estão entre os grupos que precisam de atenção especial. O Ministério da Saúde também alerta que as baixas temperaturas podem afetar a circulação, o sistema imunológico e a saúde mental, com maior impacto sobre pessoas vulneráveis.
A prevenção começa antes da queda mais intensa dos termômetros. Acompanhar os avisos meteorológicos, organizar a rotina e verificar as condições de moradia ajudam a reduzir a exposição ao frio e permitem identificar mais rapidamente sinais de agravamento.
Por que o frio intenso pode afetar a saúde
O organismo precisa manter a temperatura interna dentro de uma faixa adequada para funcionar corretamente. Em ambientes muito frios, o corpo aumenta o gasto de energia para conservar calor. Quando a exposição é prolongada ou ocorre em locais úmidos e com vento, esse mecanismo pode não ser suficiente.
As baixas temperaturas também podem favorecer a piora de doenças respiratórias e cardiovasculares. Pessoas com asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, insuficiência cardíaca, hipertensão ou outras condições crônicas devem seguir o tratamento prescrito e observar mudanças nos sintomas.
Durante o inverno, a permanência em locais fechados e pouco ventilados também pode facilitar a circulação de vírus respiratórios. Por isso, além de se proteger do frio, é importante manter a higiene das mãos, evitar contato próximo quando houver sintomas e procurar orientação de saúde diante de sinais persistentes ou intensos.
Quem precisa de mais atenção
Idosos podem apresentar menor capacidade de regular a temperatura corporal e, em alguns casos, não perceber imediatamente que estão com frio. Crianças pequenas também perdem calor com mais facilidade, devido à maior proporção da superfície corporal em relação ao peso.
Gestantes, pessoas com doenças crônicas, indivíduos com mobilidade reduzida e trabalhadores que permanecem ao ar livre também podem ter risco aumentado. Pessoas em situação de rua enfrentam dificuldades adicionais por causa da exposição contínua, da umidade e da falta de abrigo adequado.
A recomendação é verificar regularmente como estão familiares, vizinhos e conhecidos que vivem sozinhos ou pertencem a esses grupos. Uma visita, uma ligação ou o encaminhamento para um serviço de assistência pode ajudar a prevenir complicações.
Use roupas adequadas e evite exposição prolongada
Durante os períodos mais frios, prefira vestir várias camadas de roupa, em vez de apenas uma peça muito pesada. O sistema de camadas facilita a adaptação às mudanças de temperatura ao longo do dia. Proteja especialmente cabeça, pescoço, mãos e pés, regiões que podem perder calor com rapidez.
Roupas, calçados e meias devem estar secos. Tecidos úmidos aumentam a perda de calor e podem contribuir para o desconforto térmico. Se houver exposição à chuva, neve ou geada, troque as peças molhadas assim que possível e busque um local protegido.
Também é importante evitar permanecer por longos períodos ao ar livre nas horas de menor temperatura, especialmente durante a madrugada e o início da manhã. Quando o deslocamento for necessário, planeje o trajeto, leve agasalhos extras e reduza o tempo de espera em áreas abertas.
Cuidados dentro de casa
Manter o ambiente aquecido pode trazer conforto, mas o uso de aquecedores, lareiras e fogões a lenha exige atenção. A Defesa Civil catarinense recomenda manter os ambientes ventilados quando esses equipamentos estiverem em funcionamento.
Fechar completamente portas e janelas para conservar o calor pode aumentar o risco de acidentes e de intoxicação por gases. Equipamentos devem ser utilizados conforme as instruções do fabricante, instalados em condições seguras e mantidos longe de cortinas, roupas, móveis e outros materiais inflamáveis.
Não improvise sistemas de aquecimento com carvão, brasas ou equipamentos destinados a outros usos. Também não cubra aquecedores nem deixe aparelhos ligados sem supervisão, principalmente durante o sono ou em casas com crianças e animais.
Antes do período de frio, verifique se cobertores e roupas guardados estão limpos e secos. A ventilação periódica dos cômodos ajuda a reduzir a umidade, o mofo e o acúmulo de poluentes, fatores que podem piorar sintomas respiratórios em pessoas sensíveis.
Como reduzir o risco de doenças respiratórias
O frio, por si só, não causa todas as infecções respiratórias, mas a combinação de baixas temperaturas, ambientes fechados e maior circulação de vírus pode favorecer a transmissão. Medidas simples ajudam a diminuir o risco:
- lave as mãos com frequência ou use álcool em gel quando não houver água e sabão;
- mantenha os ambientes ventilados sempre que possível;
- evite compartilhar objetos de uso pessoal;
- cubra a boca e o nariz ao tossir ou espirrar;
- afaste-se de outras pessoas quando estiver com sintomas respiratórios;
- mantenha a vacinação em dia conforme as orientações dos serviços de saúde.
Pessoas com asma, bronquite, doença pulmonar ou outras condições crônicas não devem interromper medicamentos por conta própria. Em caso de dúvidas sobre o tratamento, a orientação deve ser procurada na unidade de saúde que acompanha o paciente.
Hidratação e alimentação continuam importantes
A sensação de sede pode diminuir no frio, mas a ingestão de líquidos continua necessária. Beber água ao longo do dia ajuda a manter o funcionamento do organismo e evita que a pessoa dependa apenas de bebidas muito quentes ou açucaradas.
Uma alimentação variada e regular também contribui para a manutenção da energia corporal. Sopas, caldos e bebidas quentes podem fazer parte da rotina, desde que não substituam completamente a água e não sejam consumidos em temperatura capaz de causar queimaduras.
O consumo de bebidas alcoólicas não deve ser usado como estratégia para aquecer o corpo. Embora possam produzir uma sensação momentânea de calor, elas não protegem contra a hipotermia e podem prejudicar a percepção dos sinais de perigo.
Reconheça os sinais de hipotermia
A hipotermia ocorre quando a temperatura corporal cai abaixo do nível adequado. Os primeiros sinais podem incluir tremores intensos, pele fria e pálida, cansaço, fraqueza, sonolência e dificuldade de concentração.
Com a progressão do quadro, podem surgir confusão mental, fala enrolada, falta de coordenação, respiração lenta, perda de consciência e redução ou desaparecimento dos tremores. Esses sinais exigem atendimento médico imediato.
Enquanto aguarda ajuda, leve a pessoa para um local protegido, retire roupas molhadas e cubra o corpo com mantas ou roupas secas. Evite aquecer de forma brusca, massagear braços e pernas ou aplicar fontes de calor diretamente sobre a pele. A conduta mais segura é buscar atendimento profissional o quanto antes.
Quando procurar atendimento
O atendimento deve ser procurado diante de falta de ar, dor no peito, desmaio, confusão, coloração arroxeada da pele, febre persistente, piora rápida de doenças crônicas ou dificuldade para respirar. Em crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças preexistentes, a avaliação deve ser ainda mais cuidadosa.
Sintomas respiratórios leves podem ser acompanhados com repouso, hidratação e observação, mas a piora do estado geral, a sonolência excessiva ou a dificuldade de manter a alimentação e a hidratação exigem avaliação em um serviço de saúde.
Em uma emergência, a orientação é procurar uma unidade de pronto atendimento ou acionar o serviço de emergência disponível na região. Não espere que sinais graves desapareçam sozinhos, especialmente quando a pessoa esteve exposta por muito tempo ao frio.
Atenção com pessoas em situação de rua e animais
Em períodos de baixas temperaturas, a população pode colaborar informando os serviços municipais de assistência social sobre pessoas que precisam de abrigo ou atendimento. A abordagem deve ser respeitosa, sem colocar em risco a segurança de quem oferece ajuda ou de quem está sendo atendido.
Animais de estimação também devem ter acesso a abrigo protegido do vento, da chuva e do frio. O local precisa permanecer seco, com água disponível e sem exposição direta a equipamentos de aquecimento. Animais idosos, filhotes e aqueles com doenças crônicas podem exigir cuidados adicionais.
Acompanhe os alertas oficiais
A Defesa Civil de Santa Catarina recomenda que a população acompanhe os avisos e alertas oficiais durante os episódios de frio intenso. As informações ajudam a identificar os períodos de maior risco e a planejar deslocamentos, atividades ao ar livre e cuidados com pessoas vulneráveis.
Proteger a saúde durante o frio intenso em Santa Catarina depende de medidas simples, mas que precisam ser adotadas de maneira contínua: agasalhar-se, manter-se seco, ventilar os ambientes, usar aquecedores com segurança, observar os sintomas e dar atenção especial a quem tem maior dificuldade para regular a temperatura corporal.
Fontes oficiais
As orientações foram elaboradas com base em informações do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina.