sábado, 31 de outubro de 2026
Esportes

Categorias de base em Santa Catarina ampliam espaço para novos talentos no futebol estadual

As categorias de base em Santa Catarina ganharam calendário mais amplo e estruturado em 2026. Competições estaduais e regionais ajudam clubes a identificar talentos, preparar atletas e criar oportunidades de transição para o futebol profissional.

As categorias de base em Santa Catarina vêm ocupando um espaço cada vez mais relevante no calendário do futebol estadual. Em 2026, competições como os Campeonatos Catarinenses Sub-15, Sub-17, Sub-20 e Sub-21 reuniram clubes de diferentes regiões, ampliaram a quantidade de partidas e ofereceram aos jovens atletas uma rotina mais próxima das exigências do futebol profissional.

Mais do que definir campeões, os torneios servem como ambiente de avaliação e desenvolvimento. É durante essas competições que clubes observam jogadores, testam funções, acompanham a evolução física e técnica dos atletas e identificam nomes que podem avançar para equipes profissionais ou disputar torneios de maior alcance.

Calendário amplia oportunidades para os jogadores

A Federação Catarinense de Futebol organizou, em 2026, uma programação que inclui diferentes faixas etárias. Os estaduais Sub-15 e Sub-17 começaram em março, enquanto o Sub-20 teve início em abril. O Sub-21 abriu o calendário de base da temporada, com partidas a partir de 1º de março.

Nos campeonatos Sub-15, Sub-17 e Sub-20 da Série A, dez clubes participaram de cada competição: Avaí, Barra FC, Brusque, Carlos Renaux, Chapecoense, Concórdia, Criciúma, Figueirense, Joinville e Nação. Na primeira fase, as equipes se enfrentaram em turno e returno. Os quatro melhores avançaram às semifinais, disputadas em jogos de ida e volta, assim como as finais.

O modelo garante uma sequência extensa de partidas e reduz a dependência de confrontos isolados. Para os atletas, a quantidade de jogos cria mais oportunidades de aprendizado. Para os clubes, o calendário permite acompanhar o rendimento em diferentes momentos da temporada, diante de adversários com estilos e estruturas variados.

Formação passa por diferentes etapas

O desenvolvimento de um jogador não ocorre de forma imediata. Nas categorias mais jovens, o foco costuma estar na formação técnica, na compreensão do jogo e na adaptação às diferentes posições. Com o avanço da idade, aumentam as exigências relacionadas à tomada de decisão, ao preparo físico, à disciplina tática e à capacidade de competir sob pressão.

O Sub-15 representa uma fase importante de consolidação dos fundamentos. É nesse período que os atletas passam a lidar com modelos de jogo mais definidos e com uma rotina de treinamentos mais regular. No Sub-17, a disputa tende a ganhar intensidade, enquanto os jogadores começam a ser avaliados também pela maturidade e pela capacidade de responder às necessidades coletivas.

Já o Sub-20 funciona como uma etapa de transição. Os atletas estão mais próximos do futebol profissional e precisam demonstrar condições para atuar em um ambiente com maior cobrança, contato físico e responsabilidade competitiva. O Sub-21 também pode cumprir esse papel, especialmente para jogadores que ainda não estão integrados de maneira definitiva ao elenco principal.

Clubes formadores ganham papel central

Os clubes são responsáveis por transformar o potencial identificado nas peneiras e nas competições em desenvolvimento esportivo. Esse trabalho envolve treinadores, preparadores físicos, profissionais de saúde, analistas de desempenho, psicólogos e equipes administrativas.

Em Santa Catarina, a lista de clubes formadores certificados pela Confederação Brasileira de Futebol inclui Chapecoense, Avaí, Barra FC, Criciúma, Figueirense, Guarani de Palhoça e Nação. A certificação considera requisitos relacionados às práticas de formação adotadas pelas organizações.

A existência de estruturas certificadas não elimina as diferenças entre os clubes, mas estabelece referências para o atendimento aos atletas. A formação inclui aspectos técnicos e esportivos, mas também exige atenção à saúde, à rotina escolar, ao acompanhamento familiar e às condições de alojamento quando o jogador vive longe de sua cidade.

Esse conjunto de cuidados é fundamental porque muitos atletas iniciam a formação ainda na adolescência. O rendimento em campo não deve ser analisado de maneira isolada. A evolução de um jovem depende também de adaptação, estabilidade emocional, orientação profissional e continuidade dos estudos.

Programa busca qualificar o futebol catarinense

Desde 2024, a Federação Catarinense de Futebol desenvolve o programa Futebol Catarinense do Futuro. A proposta envolve a qualificação da estrutura física, da metodologia de treinamento, dos profissionais, dos recursos tecnológicos e do atendimento psicossocial oferecido pelos clubes.

O programa também criou exigências para a participação em competições de base, com licenças específicas e vistoria de itens relacionados ao funcionamento das equipes. Entre os pontos considerados estão documentos e autorizações de órgãos públicos, condições de trabalho e requisitos ligados aos alojamentos.

A iniciativa mostra que a revelação de talentos depende de planejamento. Um jogador pode apresentar capacidade técnica, mas precisa estar inserido em um ambiente capaz de oferecer treinamento, competição e acompanhamento adequados. Sem essa estrutura, a transição para níveis mais altos tende a ser irregular.

Desempenho em campo ajuda a destacar jogadores

As competições estaduais também criaram mecanismos para reconhecer os atletas que tiveram maior impacto ao longo da temporada. Em 2026, a Federação Catarinense de Futebol divulgou os destaques dos torneios Sub-15, Sub-17 e Sub-20.

No Sub-15, o atacante Erick Ribeiro da Luz, do Avaí, foi escolhido como destaque. Ele participou de 18 jogos, marcou 12 gols e deu três assistências. O jogador também balançou as redes na primeira partida da decisão, vencida pelo Avaí contra o Barra FC.

No Sub-17, o reconhecimento ficou com Gabriel Ribeiro Werneck Matta, do Criciúma. O meio-campista atuou em 19 partidas, marcou oito gols e distribuiu oito assistências. Capitão da equipe, ele foi apontado como um dos jogadores importantes na campanha que levou o clube à semifinal.

No Sub-20, Felipe Gabriel Epifânio, do Barra FC, foi o destaque da competição. O atacante marcou oito gols e deu uma assistência em 17 jogos, participando da campanha que levou o time à final do campeonato.

A premiação é definida a partir de avaliações feitas pelos clubes adversários ao fim de cada partida. Cada equipe indica um jogador de destaque do oponente, com pontuação de um a cinco. A soma das notas determina os reconhecimentos mensais e o destaque geral da competição.

Competições regionais aumentam a exposição

Além dos estaduais, os clubes catarinenses participam de torneios que reúnem equipes de outros estados. Em 2026, a Copa Sul contou com representantes de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná nas categorias Sub-15, Sub-17 e Sub-20.

A participação em competições regionais amplia o nível de exigência. Os jogadores enfrentam adversários com diferentes características, entram em contato com modelos de formação variados e passam a ser observados em um ambiente mais amplo. Para os clubes, esses torneios servem como parâmetro de desempenho fora do cenário estadual.

A presença de equipes como Avaí, Barra FC, Chapecoense, Criciúma e Figueirense em disputas regionais também contribui para a visibilidade dos atletas. Um bom desempenho pode despertar o interesse de clubes de outras partes do país, embora a consolidação profissional dependa de vários fatores e não apenas de uma competição.

Da base ao profissional, caminho ainda exige continuidade

A conquista de títulos ou o destaque individual não garante, por si só, a chegada ao futebol profissional. O processo envolve adaptação a categorias superiores, concorrência por espaço, controle de carga física e capacidade de lidar com mudanças de clube, cidade e rotina.

Por isso, a transição precisa ser planejada. Alguns jogadores podem avançar diretamente para o elenco principal; outros precisam de mais tempo no Sub-20, no Sub-21 ou em equipes profissionais de divisões inferiores. O objetivo é oferecer minutos de jogo e condições para que o atleta continue evoluindo.

O calendário catarinense também permite que clubes testem jovens jogadores antes das competições profissionais. O Campeonato Catarinense Sub-21, por exemplo, reúne equipes que utilizam a competição como preparação e observação de atletas antes dos torneios das Séries B e C.

Santa Catarina consolida ambiente de formação

A combinação entre competições estaduais, torneios regionais, certificação de clubes e programas de qualificação fortalece o ambiente de formação em Santa Catarina. O Estado possui clubes tradicionais, projetos em expansão e equipes de diferentes regiões interessadas em desenvolver jogadores.

Esse cenário aumenta a possibilidade de surgimento de novos talentos, mas também eleva a responsabilidade das instituições envolvidas. A formação precisa ser tratada como um processo de médio e longo prazo, com critérios técnicos, cuidado com os adolescentes e acompanhamento contínuo.

Ao revelar jogadores como Erick, Werneck e Epifânio, os campeonatos de base de 2026 mostram a importância de manter uma estrutura competitiva para as categorias menores. A próxima etapa será transformar essas oportunidades em continuidade profissional, com espaço para que os atletas avancem de maneira segura e consistente.