A vacinação em Santa Catarina é uma das principais medidas de prevenção contra doenças infecciosas que podem causar complicações, hospitalizações, sequelas e mortes. A proteção não se limita à infância: o Calendário Nacional de Vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) estabelece recomendações para diferentes fases da vida, incluindo gestantes, adolescentes, adultos e idosos.
As orientações são definidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e podem ser atualizadas conforme novas evidências, mudanças epidemiológicas e a incorporação de vacinas. Em 2026, o Ministério da Saúde mantém calendários específicos por faixa etária e para grupos com condições ou necessidades particulares. Em Santa Catarina, a vacinação de rotina é realizada pela rede pública de saúde, conforme a organização dos municípios e as orientações técnicas estaduais e federais.
O objetivo é proteger quem recebe a dose e reduzir a circulação de vírus e bactérias na comunidade. Isso também beneficia pessoas que não podem ser vacinadas em determinadas situações, como alguns pacientes imunossuprimidos, que dependem da proteção coletiva para diminuir o risco de exposição.
Por que a vacinação continua importante
As vacinas treinam o sistema imunológico para reconhecer determinados agentes infecciosos e responder com mais rapidez em caso de contato. A proteção pode impedir a doença, reduzir a gravidade dos sintomas ou diminuir o risco de complicações, dependendo da vacina e das características de cada pessoa.
Doenças que já provocaram surtos, internações e mortes podem voltar a circular quando a cobertura vacinal diminui. Por isso, manter as doses em dia é uma responsabilidade individual e coletiva. A vacinação também reduz a pressão sobre os serviços de saúde e ajuda a preservar a proteção alcançada ao longo de décadas pelo SUS.
O Ministério da Saúde orienta que a população procure regularmente uma unidade de saúde para conferir a situação vacinal. Mesmo quando uma dose não foi aplicada na idade recomendada, é possível, em muitos casos, atualizar o esquema. As doses já registradas devem ser consideradas pela equipe de vacinação, e a ausência da caderneta não impede a busca por orientação e atendimento.
Crianças precisam de proteção desde os primeiros dias de vida
Os primeiros anos concentram uma parte importante do calendário de vacinação porque o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e a exposição a determinadas doenças pode provocar consequências mais graves. Entre as vacinas previstas para essa fase estão BCG e hepatite B, indicadas ao nascer, além de doses aplicadas nos primeiros meses contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, infecções por Haemophilus influenzae tipo b, poliomielite, rotavírus e doenças pneumocócicas.
Ao longo do segundo ano de vida, a criança recebe doses de reforço e vacinas contra doenças como sarampo, caxumba, rubéola, varicela, hepatite A e meningites causadas por determinados sorogrupos. A aplicação no período indicado é importante porque respeita a resposta esperada do organismo e reduz o tempo em que a criança fica vulnerável.
O calendário também prevê a vacina contra o papilomavírus humano (HPV) a partir dos 9 anos. A recomendação é fazer a imunização o mais cedo possível dentro da faixa indicada, antes de uma eventual exposição ao vírus. A vacina contribui para prevenir infecções relacionadas a diferentes tipos de câncer e outras doenças associadas ao HPV.
Adolescentes e jovens também devem conferir a caderneta
A adolescência é uma etapa em que muitas famílias deixam de acompanhar as vacinas com a mesma frequência observada na infância. O resultado pode ser a perda de doses de reforço ou a permanência de esquemas incompletos.
Entre as recomendações do calendário estão a vacina HPV, a meningocócica ACWY e os reforços contra difteria e tétano. A meningocócica protege contra doenças provocadas pelos sorogrupos A, C, W e Y, que podem causar quadros graves, como meningite e infecções generalizadas.
Adolescentes que não receberam alguma dose na idade indicada devem procurar uma unidade de saúde para avaliação do histórico. O Ministério da Saúde prevê estratégias de atualização para quem está em atraso, respeitando as idades máximas e as condições estabelecidas no calendário vigente.
Adultos não estão fora do calendário
A vacinação de adultos é essencial para manter a proteção construída na infância e prevenir doenças que continuam representando risco ao longo da vida. Entre as vacinas que podem ser indicadas conforme a idade, o histórico e as condições individuais estão hepatite B, difteria e tétano, febre amarela e tríplice viral contra sarampo, caxumba e rubéola.
O esquema da tríplice viral varia conforme a faixa etária e a situação vacinal. Pessoas até 29 anos devem ter duas doses, enquanto aquelas entre 30 e 59 anos devem ter uma dose, segundo o calendário nacional. Trabalhadores da saúde têm recomendação específica de duas doses, independentemente da idade, quando não há comprovação adequada de vacinação.
A vacina contra hepatite B é indicada conforme o histórico vacinal, e a proteção contra difteria e tétano depende da conclusão do esquema e dos reforços previstos. Para a febre amarela, a orientação considera o histórico, as áreas com circulação viral e a avaliação do serviço de saúde, especialmente em situações de viagem ou exposição.
Além da proteção individual, adultos vacinados ajudam a reduzir o risco de transmissão para bebês, idosos e pessoas com doenças que aumentam a vulnerabilidade a infecções. Mulheres que planejam engravidar também devem verificar a situação vacinal antes da gestação, pois algumas vacinas precisam ser avaliadas com antecedência.
Gestantes protegem a própria saúde e a do bebê
Durante a gravidez, algumas vacinas são recomendadas para reduzir o risco de doenças na gestante e transferir anticorpos ao bebê. O calendário nacional prevê uma dose da dTpa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, a partir da 20ª semana de gestação, em cada gravidez.
Também está prevista uma dose contra o vírus sincicial respiratório a partir da 28ª semana gestacional, conforme as orientações vigentes. A medida tem como objetivo ajudar a proteger o bebê nos primeiros meses de vida contra formas graves de infecções respiratórias relacionadas ao vírus.
A indicação de outras vacinas depende do histórico, da situação epidemiológica e da avaliação dos profissionais de saúde. A gestante não deve tomar decisões com base apenas em informações encontradas na internet. A caderneta e o acompanhamento do pré-natal são fundamentais para definir quais doses são recomendadas ou devem ser adiadas.
Idosos precisam manter a imunização atualizada
A partir dos 60 anos, o sistema imunológico pode responder de forma menos eficiente a algumas infecções. Doenças respiratórias e outras enfermidades preveníveis podem apresentar maior risco de complicações nessa faixa etária, principalmente entre pessoas com doenças crônicas ou fragilidade clínica.
O calendário do idoso orienta a atualização de vacinas como hepatite B, difteria e tétano, além de recomendações específicas para outras doenças conforme o histórico e as condições de saúde. A vacina contra a gripe e a vacinação contra a covid-19 seguem estratégias próprias do Ministério da Saúde e podem ser direcionadas a grupos prioritários de acordo com as campanhas e normas vigentes.
A vacina contra a febre amarela exige avaliação individual para pessoas com 60 anos ou mais. A decisão deve considerar o risco de exposição ao vírus, o local de residência ou viagem e as condições clínicas do paciente. Por isso, o idoso deve buscar orientação em uma unidade de saúde antes da aplicação quando houver dúvida ou situação especial.
Cuidados para quem perdeu doses
O atraso de uma vacina não significa que todo o esquema precise ser reiniciado. Em geral, a equipe de vacinação verifica os registros disponíveis e orienta a continuidade ou a atualização das doses, conforme o calendário e o histórico individual.
Quem perdeu a caderneta pode solicitar uma nova via ou buscar os registros existentes nos sistemas de saúde. É importante informar doenças, uso de medicamentos, alergias, gestação, imunossupressão e outras condições que possam influenciar a indicação de determinadas vacinas.
Pessoas com condições clínicas especiais podem ser encaminhadas aos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), que oferecem vacinas e esquemas específicos para grupos definidos pelas normas do Ministério da Saúde. A necessidade de encaminhamento e o fluxo de atendimento devem ser confirmados com a rede municipal.
Onde buscar orientação em Santa Catarina
Moradores de Santa Catarina devem procurar a unidade básica de saúde ou o serviço de vacinação do município para conferir as doses indicadas. A disponibilidade de determinadas vacinas, os horários e os documentos exigidos podem variar conforme a organização local. A recomendação é levar a caderneta ou qualquer comprovante de vacinação disponível.
Informações oficiais podem ser consultadas no Calendário de Vacinação do Ministério da Saúde e no portal da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina. Em caso de dúvida sobre contraindicações, atraso de doses ou condições especiais, a orientação deve ser obtida com um profissional de saúde.
A vacinação em Santa Catarina, assim como no restante do país, depende da participação de todas as faixas etárias. Conferir a caderneta, cumprir os intervalos recomendados e buscar a unidade de saúde quando houver atraso são medidas simples que ajudam a proteger indivíduos, famílias e toda a comunidade.