terça-feira, 29 de setembro de 2026
SAÚDE

Como prevenir quedas entre idosos durante o inverno em Santa Catarina

Veja como prevenir quedas entre idosos durante o inverno em Santa Catarina, com cuidados para adaptar a casa, escolher calçados, revisar medicamentos e agir após um acidente.

Prevenir quedas entre idosos no inverno exige atenção redobrada a fatores que podem dificultar a locomoção e o equilíbrio. Em Santa Catarina, onde os meses mais frios podem combinar baixas temperaturas, umidade, chuva, neblina e geada, medidas simples dentro de casa e nos deslocamentos ajudam a reduzir acidentes e preservar a autonomia.

A queda não deve ser tratada como consequência inevitável do envelhecimento. Ela pode estar relacionada à perda de força muscular, alterações na visão, problemas de equilíbrio, doenças, uso de determinados medicamentos ou condições inseguras no ambiente. O Ministério da Saúde recomenda uma abordagem ampla, que combine avaliação da saúde, atividade física e adaptações na residência. (bvsms.saude.gov.br)

Por que o inverno exige mais cuidado

O frio não é, isoladamente, uma causa de queda. No entanto, as condições típicas do inverno podem criar situações de maior risco. Pisos úmidos, calçados molhados, roupas volumosas, pouca iluminação em dias nublados e a necessidade de caminhar em áreas externas escorregadias são exemplos de fatores que podem comprometer a segurança.

Dentro de casa, a água trazida da rua pode deixar entradas, corredores e cozinhas escorregadios. Em imóveis com pouca iluminação natural, a menor claridade durante manhãs, tardes chuvosas e noites mais longas também dificulta a identificação de obstáculos. A combinação desses fatores com fraqueza muscular ou alteração do equilíbrio pode aumentar a possibilidade de tropeços.

Em ambientes externos, calçadas irregulares, folhas molhadas, lama, poças e superfícies com formação de gelo ou geada exigem cautela. A recomendação é evitar sair em condições adversas quando não for necessário e, quando o deslocamento for indispensável, preferir trajetos conhecidos, bem iluminados e com menor risco de escorregamento.

Adapte a casa para reduzir obstáculos

A maior parte das medidas preventivas começa no ambiente doméstico. O chão deve permanecer livre de fios, caixas, objetos pequenos e móveis que reduzam o espaço de circulação. Mesas, cadeiras e estantes precisam estar firmes e não devem ser usados como apoio improvisado se forem instáveis.

Tapetes soltos merecem atenção especial. O ideal é retirá-los, principalmente em corredores, ao lado da cama e na entrada do banheiro. Quando a remoção não for possível, eles devem ser fixados com material antiderrapante adequado. O Ministério da Saúde também orienta evitar pisos molhados ou muito encerados e manter a iluminação suficiente em todos os cômodos. (bvsms.saude.gov.br)

As escadas devem contar com corrimãos firmes, preferencialmente dos dois lados, além de boa iluminação e sinalização dos degraus. Objetos não devem ser deixados sobre os primeiros ou últimos degraus. Sempre que possível, interruptores devem estar disponíveis no início e no fim da escada.

No quarto, uma lâmpada ou luz de presença deve ficar ao alcance da pessoa idosa. O caminho até o banheiro precisa estar livre e iluminado durante a noite. Também é recomendável manter telefone, celular ou outro meio de pedir ajuda em local acessível, especialmente para quem vive sozinho.

Banheiro é um dos pontos mais importantes

O banheiro reúne água, piso liso, mudanças de posição e pouca área para recuperar o equilíbrio. Por isso, é um dos ambientes que mais precisam de adaptação. Barras de apoio devem ser instaladas dentro do boxe e próximas ao vaso sanitário, sempre com fixação segura e em posição adequada para o usuário.

O banho pode ser tomado sentado em um banco firme, apropriado para esse uso e, de preferência, fixado ou estável. O piso deve ter superfície antiderrapante, e o ambiente precisa estar bem iluminado. Não é recomendável apoiar-se em toalheiros, portas de boxe, pias ou objetos que possam se soltar.

A pessoa idosa também deve evitar entrar ou sair do boxe com pressa. Se houver necessidade de ajuda, o cuidador ou familiar deve permanecer próximo, sem puxar o braço do idoso de maneira brusca. A adaptação precisa favorecer a independência, mas sem criar uma falsa sensação de segurança.

Escolha calçados firmes e adequados

No inverno, é comum utilizar meias grossas, botas e calçados fechados. O item escolhido, porém, deve ficar firme no pé, ter sola com boa aderência e não dificultar a marcha. Calçados folgados, com sola lisa, salto ou cadarços desamarrados podem aumentar o risco de tropeços e escorregões.

Chinelos sem tira traseira e meias usadas diretamente sobre o piso devem ser evitados. Dentro de casa, o mais seguro é utilizar calçado fechado ou outro modelo confortável, com sola antiderrapante e tamanho adequado. A pessoa deve vestir-se sentada, sobretudo ao colocar calças, meias ou peças que exijam levantar uma perna.

Ao retornar da rua, é importante secar os calçados e retirar a umidade antes de caminhar pela casa. O piso da entrada também deve ser mantido seco e livre de objetos.

Fortaleça pernas e equilíbrio

A prevenção não depende apenas da retirada de obstáculos. Exercícios orientados podem melhorar força, equilíbrio, coordenação e mobilidade, fatores importantes para reduzir o risco de quedas. Caminhadas, exercícios de fortalecimento e atividades específicas para equilíbrio devem ser escolhidos de acordo com as condições de saúde de cada pessoa.

Antes de iniciar uma rotina, especialmente após uma queda, período de internação ou longo tempo de inatividade, é recomendável buscar orientação de profissional de saúde. Fisioterapeutas, profissionais de educação física e equipes da atenção primária podem indicar atividades compatíveis com a capacidade funcional do idoso.

O sedentarismo deve ser evitado, mas a atividade não pode ser feita de forma improvisada ou com risco desnecessário. Exercícios em pé devem ocorrer em local livre de obstáculos e, quando indicado, com supervisão. A Organização Mundial da Saúde e órgãos de saúde reconhecem a importância de estratégias que combinem atividade física, segurança ambiental e avaliação clínica na prevenção de quedas. (saude.sc.gov.br)

Revise visão, pressão e medicamentos

Alterações visuais podem dificultar a identificação de degraus, poças, objetos no chão e mudanças de nível. A caderneta da pessoa idosa do Ministério da Saúde orienta manter os exames de visão em dia e verificar também as condições dos pés, especialmente em pessoas com diabetes ou alterações de sensibilidade. (bvsms.saude.gov.br)

Tontura, sonolência, fraqueza e queda de pressão também podem contribuir para acidentes. Alguns medicamentos, principalmente quando combinados, podem causar esses efeitos em determinadas pessoas. A revisão deve ser feita por médico ou farmacêutico, sem interromper, reduzir ou trocar remédios por conta própria.

Ao levantar da cama ou de uma cadeira, o idoso deve fazer o movimento devagar. Primeiro, é recomendável sentar-se, apoiar os pés no chão e aguardar alguns instantes antes de ficar em pé. Quem apresenta tontura frequente, desmaios, palpitações ou perda de equilíbrio precisa informar o problema à equipe de saúde.

Cuidados para sair de casa no inverno

Antes de sair, verifique as condições do trajeto e evite áreas molhadas, inclinadas ou com sinais de gelo. Em dias de chuva intensa, neblina ou geada, o deslocamento pode ser adiado quando não houver urgência. Se for necessário sair, prefira horários com melhor luminosidade e procure companhia.

Roupas de inverno devem manter o corpo aquecido sem limitar os movimentos. Casacos muito pesados, barras compridas, cachecóis soltos ou peças que arrastem no chão podem prender-se em móveis e dificultar a marcha. O uso de bengala, andador ou outro dispositivo de apoio deve seguir orientação profissional, com ponteiras em boas condições.

Em calçadas, o idoso deve evitar caminhar olhando apenas para o destino. É importante observar o piso, reduzir a velocidade e utilizar corrimãos quando houver. Não se deve correr, atravessar áreas escorregadias ou carregar sacolas que impeçam o uso das mãos para apoio.

O que fazer depois de uma queda

Após uma queda, a primeira providência é manter a calma e verificar se a pessoa está consciente, respirando e com dor intensa. Se houver suspeita de fratura, lesão na cabeça, pescoço, coluna ou quadril, não é recomendável tentar levantá-la à força. O serviço de emergência deve ser acionado.

Mesmo quando consegue se levantar sozinho, o idoso deve ser avaliado se houver dor, inchaço, dificuldade para caminhar, sangramento, tontura, sonolência, náusea, vômito, desmaio ou alteração de comportamento. O Ministério da Saúde orienta que quedas podem provocar lesões que não são percebidas imediatamente e que a avaliação profissional é importante. (bvsms.saude.gov.br)

Depois do atendimento, é necessário investigar a causa do acidente. A família ou o cuidador deve registrar onde e quando ocorreu a queda, o que a pessoa fazia, quais sintomas apareceram e quais medicamentos foram usados. Essas informações ajudam a equipe de saúde a identificar riscos clínicos e ambientais.

Prevenção deve envolver família e serviços de saúde

O medo de cair novamente pode fazer com que a pessoa idosa reduza a atividade física e passe a evitar tarefas cotidianas. O isolamento, porém, pode favorecer perda de força e dependência. O objetivo da prevenção é tornar o ambiente mais seguro sem retirar do idoso a possibilidade de participar da rotina.

Em Santa Catarina, a Secretaria de Estado da Saúde destaca que a prevenção de quedas depende de ações integradas, com avaliação das condições de saúde, educação, exercícios e adaptações nos ambientes de convivência. A orientação pode ser buscada na Unidade Básica de Saúde de referência, principalmente quando já ocorreu uma queda ou há episódios recorrentes. (saude.sc.gov.br)

Uma vistoria simples na casa, feita com a participação do próprio idoso, pode apontar riscos que passam despercebidos. O cuidado deve incluir quarto, banheiro, cozinha, corredores, escadas, quintal e entrada da residência. Com planejamento, iluminação adequada, calçados seguros, exercícios orientados e acompanhamento regular, é possível reduzir acidentes durante o inverno e manter a autonomia com mais segurança.