O kitesurf vem ganhando espaço entre os esportes praticados no litoral de Santa Catarina. A combinação de ventos, lagoas, enseadas protegidas e trechos de mar aberto oferece condições para diferentes níveis de experiência, do aluno que está começando ao atleta interessado em ondas e manobras.
Embora não exista uma estatística estadual consolidada sobre o número de praticantes, a presença de escolas, instrutores e pontos conhecidos de velejo indica o fortalecimento da atividade. Florianópolis concentra parte importante dessa estrutura, enquanto a região de Imbituba, no Sul do Estado, se destaca pela Lagoa de Ibiraquera e pelo acesso a praias usadas em modalidades de mar aberto.
Por que o esporte atrai novos praticantes
O kitesurf utiliza uma pipa, chamada de kite, para aproveitar a força do vento e impulsionar o praticante sobre a água. A atividade pode ser praticada com diferentes tipos de prancha e inclui modalidades voltadas tanto para a navegação em águas mais tranquilas quanto para o uso de ondas e saltos.
Em Santa Catarina, a diversidade de ambientes é um dos principais fatores de atração. Lagoas e áreas de menor ondulação costumam ser procuradas por quem está nas primeiras etapas de aprendizado. Já praias expostas ao oceano são mais adequadas a praticantes que já dominam o controle do equipamento e a leitura das condições do vento e do mar.
Outro fator é a possibilidade de praticar em diferentes épocas do ano. Escolas que atuam em Florianópolis indicam maior procura entre setembro e abril, período associado a condições mais favoráveis em determinados pontos da ilha. Ainda assim, a escolha do local depende da direção e da intensidade do vento em cada dia.
Florianópolis concentra escolas e pontos de prática
Na capital catarinense, a Lagoa da Conceição é um dos principais pontos relacionados ao kitesurf. As águas relativamente protegidas e a presença de áreas de apoio favorecem aulas e treinos, especialmente para iniciantes. O local também reúne praticantes de outros esportes náuticos, o que reforça a tradição da lagoa como espaço de atividades ao ar livre.
A Praia da Daniela é outra área utilizada para aulas e velejos em condições específicas. Por estar em uma enseada mais protegida, o local é indicado por escolas para determinados dias de vento. A região, no entanto, exige atenção à circulação de banhistas, embarcações e outros usuários da praia.
No Campeche, o chamado Riozinho é associado à prática em mar aberto. O ambiente apresenta características diferentes das lagoas, com ondas e maior exposição às variações do oceano. Por isso, tende a ser procurado por praticantes com mais experiência.
Escolas que oferecem aulas em Florianópolis trabalham com equipamentos como kite, barra de controle, trapézio, prancha, colete, capacete e rádio comunicador. A utilização desses itens durante o treinamento ajuda a reduzir riscos e permite que o aluno conheça o esporte antes de investir em equipamento próprio.
Ibiraquera combina lagoa e mar aberto
No Sul de Santa Catarina, a Lagoa de Ibiraquera é reconhecida como um dos principais pontos para a prática do kitesurf na região. A água mais protegida e os trechos rasos favorecem a evolução de alunos e velejadores que precisam aperfeiçoar o controle do kite e os deslocamentos sobre a prancha.
A área também oferece acesso a praias de mar aberto, como Ibiraquera, Praia do Luz e Praia do Rosa. Essa combinação permite que o praticante encontre condições diferentes em uma mesma região, conforme a direção do vento, a intensidade das ondas e o nível técnico.
O cenário contribui para a formação de uma comunidade esportiva que reúne moradores, turistas e atletas de outras cidades. Além das aulas, a presença de praticantes movimenta serviços como hospedagem, alimentação, transporte e locação de equipamentos, principalmente nos períodos de maior procura.
Aprendizado exige orientação profissional
Apesar da aparência recreativa, o kitesurf envolve riscos associados ao vento, às linhas do equipamento, às ondas e à proximidade de outras pessoas. A recomendação para quem pretende começar é fazer aulas com instrutor capacitado e utilizar equipamentos adequados ao peso, ao nível técnico e às condições do local.
O aluno também precisa aprender procedimentos básicos de segurança, como montagem do kite, controle da barra, acionamento do sistema de liberação rápida e avaliação das condições meteorológicas. Saber nadar é uma habilidade importante, mas não substitui o treinamento específico para a atividade.
O tempo necessário para alcançar autonomia varia de acordo com a frequência das aulas, a coordenação motora, a familiaridade com esportes de vento e as condições encontradas durante o curso. Escolas de Florianópolis relatam que muitos alunos começam a velejar sozinhos depois de uma sequência de aulas, mas a progressão não ocorre da mesma forma para todos.
Vento e mar definem a escolha da praia
Não existe uma praia que seja adequada para qualquer situação. A direção do vento pode tornar um ponto seguro e outro inadequado no mesmo dia. Por isso, os praticantes costumam acompanhar previsões meteorológicas e buscar informações com escolas e velejadores locais antes de entrar na água.
Áreas de lagoa ou de enseada são geralmente escolhidas para o início do aprendizado por oferecerem menor exposição às ondas. Já os trechos de mar aberto exigem mais atenção à correnteza, à arrebentação, à profundidade e às rotas de saída.
As condições também mudam conforme a estação. Em Santa Catarina, o período entre setembro e abril é apontado por escolas e guias especializados como uma das principais janelas para a prática em vários pontos. Isso não significa que o esporte fique restrito a esses meses, mas indica uma época de maior regularidade para determinados ventos.
Convivência nas praias é desafio permanente
O aumento do número de praticantes torna necessária uma convivência organizada com banhistas, surfistas, pescadores, embarcações e outros usuários da faixa costeira. O kitesurfista deve evitar áreas lotadas, respeitar zonas de acesso à água e manter distância de pessoas, quiosques, pedras e estruturas.
Também é importante observar regras municipais, sinalizações e orientações dos responsáveis pela segurança da praia. Em locais de uso compartilhado, a decolagem e o pouso do kite precisam ser realizados em áreas livres, com espaço suficiente para evitar acidentes.
A responsabilidade inclui o cuidado com o ambiente. Linhas, embalagens, peças danificadas e outros materiais não devem ser deixados na areia ou na água. A preservação de dunas, restingas, lagoas e áreas de vegetação costeira é essencial para a manutenção dos próprios pontos de prática.
Turismo esportivo fora da alta temporada
O kitesurf também pode contribuir para distribuir o movimento turístico ao longo do ano. Diferentemente do turismo concentrado apenas no calor e no banho de mar, a atividade depende principalmente das condições de vento. Isso faz com que praticantes procurem determinados destinos em períodos que nem sempre coincidem com o pico das férias escolares.
Em Florianópolis e Imbituba, a presença de escolas e de locais conhecidos por velejadores ajuda a consolidar uma oferta voltada ao turismo esportivo. Visitantes podem contratar aulas, alugar equipamentos, buscar hospedagem próxima aos pontos de prática e permanecer mais tempo na região quando encontram condições favoráveis.
Esse movimento beneficia negócios locais, mas também exige planejamento. O aumento da procura pode pressionar áreas de estacionamento, acessos, serviços de emergência e espaços de convivência. A expansão do esporte precisa ser acompanhada por orientação aos visitantes e por medidas que preservem a segurança e o ambiente.
Prática cresce, mas ainda faltam dados consolidados
A percepção de crescimento do kitesurf em Santa Catarina aparece na ampliação da oferta de aulas, na variedade de pontos divulgados por escolas e guias especializados e na presença constante de praticantes em lagoas e praias. No entanto, não há, até o momento, um levantamento público estadual que informe quantos kitesurfistas praticam regularmente o esporte ou qual foi a taxa de crescimento nos últimos anos.
Essa ausência de dados impede afirmar com precisão o tamanho do avanço. O que pode ser observado é a consolidação de uma rede de locais, serviços e profissionais voltados à modalidade, especialmente em Florianópolis e na região de Ibiraquera.
Com orientação adequada, respeito às regras de convivência e atenção às condições meteorológicas, o kitesurf tende a manter espaço entre as atividades esportivas e turísticas do litoral catarinense. A variedade de ambientes é um dos principais diferenciais do Estado, que permite ao praticante evoluir da lagoa para o mar aberto sem deixar a região.
Informações sobre pontos de prática e condições locais podem ser consultadas em guias especializados, como o levantamento de spots de kitesurf em Santa Catarina, e diretamente com escolas que atuam no litoral. Para quem está começando, a orientação profissional deve ser o primeiro passo.



