terça-feira, 29 de setembro de 2026
SAÚDE

Saúde preventiva para homens: por que o cuidado regular é essencial em Santa Catarina

A saúde preventiva para homens envolve mais do que exames relacionados à próstata. O acompanhamento regular na atenção primária inclui vacinação, controle da pressão e da glicemia, prevenção de infecções, saúde mental, hábitos saudáveis e investigação de sintomas.

A saúde preventiva para homens é uma estratégia importante para reduzir o risco de doenças, identificar alterações em fases iniciais e melhorar a qualidade de vida. Em Santa Catarina, assim como no restante do país, o cuidado não deve começar apenas quando surgem sintomas ou quando a doença já interfere na rotina.

A prevenção inclui acompanhamento regular na atenção primária, vacinação, controle da pressão arterial e da glicemia, avaliação de hábitos de vida, cuidados com a saúde sexual e reprodutiva, atenção à saúde mental e investigação de sinais persistentes. A proposta é acompanhar o homem de forma integral, considerando idade, histórico familiar, condições de trabalho, hábitos e fatores de risco.

O Ministério da Saúde mantém a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, conhecida como PNAISH. A política busca ampliar o acesso dos homens aos serviços de saúde e enfrentar fatores de risco relacionados a doenças crônicas, cânceres, violências, acidentes e outros agravos. (gov.br)

Por que a prevenção é necessária

Dados reunidos pelo Ministério da Saúde indicam que os homens vivem, em média, menos do que as mulheres e apresentam maior mortalidade em grande parte das causas de óbito. A pasta também aponta maior risco masculino para doenças crônicas não transmissíveis, como enfermidades cardiovasculares e respiratórias, especialmente quando estão presentes fatores como tabagismo, consumo prejudicial de álcool, alimentação inadequada, sedentarismo, pressão alta e excesso de peso. (gov.br)

Essas diferenças não são explicadas apenas por aspectos biológicos. Barreiras culturais, horários de funcionamento dos serviços, dificuldades de acesso e a ideia de que procurar atendimento seria sinal de fragilidade podem atrasar a busca por ajuda. Com isso, parte dos homens chega ao sistema de saúde somente quando a doença está avançada ou quando já há limitações importantes.

A atenção primária é o principal ponto de entrada para o cuidado contínuo. Ela reúne ações de promoção da saúde, prevenção, diagnóstico, tratamento, acompanhamento de condições crônicas e encaminhamento para outros níveis de atenção quando necessário. (gov.br)

O que faz parte da saúde preventiva masculina

Controle da pressão, da glicemia e do colesterol

A hipertensão, o diabetes e as alterações do colesterol podem evoluir durante anos sem sintomas claros. Por isso, a avaliação periódica permite identificar fatores de risco e orientar mudanças de hábitos ou tratamento quando indicado por um profissional de saúde.

O acompanhamento não deve se limitar a um número isolado. A equipe de saúde considera o histórico familiar, o peso, a alimentação, o nível de atividade física, o uso de medicamentos, o consumo de álcool e tabaco e a presença de outras doenças. A periodicidade dos exames depende da idade, dos resultados anteriores e das condições individuais.

Vacinação em todas as fases da vida

Manter a vacinação atualizada também é uma medida de prevenção para homens adultos e idosos. O Calendário Nacional de Vacinação prevê imunizações conforme a idade, o histórico vacinal, as condições de saúde, a ocupação e situações específicas, como viagens ou exposição a determinados riscos.

Entre as vacinas previstas para adultos estão as que protegem contra hepatite B, difteria e tétano, febre amarela e sarampo, caxumba e rubéola, conforme o histórico de cada pessoa. O Ministério da Saúde orienta que o cartão de vacinação seja levado à unidade de saúde para conferência. A ausência do documento não impede a avaliação do esquema vacinal. (gov.br)

Alimentação, atividade física e sono

A prevenção também depende de comportamentos mantidos ao longo do tempo. Uma alimentação variada, com menor consumo de produtos ultraprocessados, a prática regular de atividade física, o controle do peso, o sono adequado e a redução do consumo de bebidas alcoólicas contribuem para a proteção da saúde cardiovascular e metabólica.

Parar de fumar é uma das medidas mais importantes para reduzir riscos à saúde. O tabagismo está relacionado a doenças cardiovasculares, respiratórias e diversos tipos de câncer. A decisão de interromper o uso deve contar, quando necessário, com apoio profissional e tratamento oferecido pela rede de saúde.

Saúde sexual e reprodutiva

A consulta preventiva também pode abordar sexualidade, disfunção erétil, planejamento reprodutivo, fertilidade, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e uso de preservativos. Essas questões fazem parte do cuidado integral e podem ser discutidas de forma sigilosa e sem julgamento.

Infecções sexualmente transmissíveis nem sempre provocam sintomas. Feridas, corrimento, dor, verrugas, ardência ao urinar ou alterações persistentes devem ser avaliados por um profissional. A testagem e o tratamento adequados ajudam a interromper a transmissão e a evitar complicações.

Saúde mental e prevenção de violências

A saúde preventiva para homens também envolve reconhecer sinais de ansiedade, depressão, uso problemático de álcool ou outras drogas, irritabilidade persistente, isolamento e alterações importantes no sono ou no comportamento.

A PNAISH inclui a prevenção de violências e acidentes entre seus eixos. O cuidado pode envolver situações relacionadas ao trabalho, ao trânsito, ao uso de substâncias, à violência doméstica e a conflitos interpessoais. Procurar ajuda diante de sofrimento emocional ou exposição a risco é uma medida de proteção, não de fraqueza. (gov.br)

Câncer de próstata exige informação, não exames automáticos

O câncer de próstata costuma ocupar espaço central nas campanhas de saúde do homem, mas a prevenção não deve ser reduzida a uma busca automática por exames. O Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer não recomendam o rastreamento populacional de homens assintomáticos, porque as evidências disponíveis não demonstram benefício geral que supere os riscos associados a resultados falso-positivos, biópsias, sobrediagnóstico e tratamentos desnecessários. (gov.br)

Isso não significa ignorar a próstata ou deixar de investigar sintomas. Dificuldade para urinar, redução da força do jato, necessidade de urinar várias vezes durante o dia ou à noite e sangue na urina devem ser comunicados a um profissional de saúde. Esses sinais podem ter outras causas, mas precisam de avaliação.

Quando um homem sem sintomas solicita exames como PSA ou toque retal, a decisão deve ser individualizada e compartilhada com o profissional. A conversa deve considerar idade, histórico familiar, condições de saúde, possíveis benefícios e riscos. O PSA e o toque retal também podem ser utilizados na investigação de alterações ou no acompanhamento de pessoas já diagnosticadas, conforme indicação clínica. (gov.br)

Outros sinais que não devem ser adiados

A prevenção não substitui a procura imediata por atendimento quando há sintomas. Dor no peito, falta de ar intensa, fraqueza súbita em um lado do corpo, confusão, desmaio, sangramento sem explicação ou dor persistente exigem avaliação conforme a gravidade.

Também merece atenção qualquer alteração que permaneça ou piore, como perda de peso sem causa aparente, mudança prolongada no hábito intestinal, tosse persistente, feridas que não cicatrizam, manchas ou pintas que mudam de aspecto, nódulos, dor testicular ou alterações urinárias.

No caso do câncer de testículo, não há recomendação de rastreamento de rotina em homens sem sintomas. Porém, nódulo, aumento de volume, sensação de peso ou dor na bolsa escrotal devem ser examinados. O diagnóstico precoce depende do reconhecimento de alterações e do acesso ao atendimento. (gov.br)

Como organizar uma rotina de prevenção

O primeiro passo é procurar a unidade básica de saúde ou outro serviço de atenção primária de referência. Na consulta, o homem pode informar doenças anteriores, cirurgias, medicamentos, histórico familiar, hábitos, rotina de trabalho, vacinação e sintomas recentes.

Não existe uma lista única de exames válida para todos. A necessidade de testes laboratoriais, avaliações cardiovasculares, consultas especializadas ou exames de imagem depende da idade, dos fatores de risco e dos achados clínicos. Solicitar exames sem indicação pode gerar resultados inconclusivos, ansiedade e procedimentos desnecessários.

Uma forma prática de manter o acompanhamento é registrar as vacinas, os medicamentos em uso, os resultados anteriores e as orientações recebidas. Também é importante informar mudanças na saúde, mesmo quando o sintoma parece pequeno ou passageiro.

Prevenção precisa considerar a realidade de cada homem

Homens não formam um grupo homogêneo. Idade, raça ou cor, orientação sexual, identidade de gênero, deficiência, renda, trabalho, local de moradia e condições de acesso influenciam as necessidades de saúde. A própria PNAISH orienta que as ações considerem diferentes expressões de masculinidade e vulnerabilidades sociais e culturais. (bvsms.saude.gov.br)

Em Santa Catarina, a prevenção deve ser incorporada à rotina de homens que vivem em áreas urbanas e rurais, trabalham em atividades de risco, têm jornadas extensas ou encontram dificuldades para acessar os serviços. A atenção primária pode organizar o cuidado de acordo com o território e encaminhar o usuário quando houver necessidade de avaliação especializada.

O principal objetivo não é fazer o maior número possível de exames, mas receber o cuidado adequado no momento certo. A saúde preventiva para homens combina informação, hábitos saudáveis, vacinação, acompanhamento clínico e atenção aos sinais do corpo. Quando esse cuidado começa antes do agravamento, aumentam as possibilidades de preservar autonomia, reduzir complicações e viver mais e melhor.