Os exames preventivos para a saúde da mulher têm papel central na identificação precoce de doenças e na redução de complicações. Em muitos casos, alterações podem ser encontradas antes do surgimento de sintomas, o que amplia as possibilidades de tratamento e acompanhamento.
Entre os cuidados mais conhecidos estão o exame citopatológico do colo do útero, chamado de Papanicolau, a mamografia, a vacinação contra o HPV e as consultas periódicas na Atenção Primária à Saúde. A necessidade de cada procedimento varia conforme a idade, o histórico familiar, a presença de sintomas, as condições clínicas e as orientações da equipe de saúde.
Em Santa Catarina, as ações de saúde da mulher seguem as diretrizes do Ministério da Saúde e são organizadas com participação da Secretaria de Estado da Saúde e das redes municipais. A porta de entrada preferencial para orientações, consultas e encaminhamentos é a Unidade Básica de Saúde. (saude.sc.gov.br)
Prevenção não se limita à realização de exames
O acompanhamento preventivo não deve ser entendido apenas como uma lista de exames. Ele envolve escuta, avaliação clínica, vacinação, orientação sobre saúde sexual e reprodutiva, identificação de fatores de risco e acompanhamento de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e obesidade.
Também fazem parte desse cuidado a prevenção e o diagnóstico de infecções sexualmente transmissíveis, o planejamento reprodutivo, a atenção à saúde mental e o acolhimento em situações de violência. A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher prevê uma abordagem ampla, voltada à promoção da autonomia, do bem-estar e da redução de agravos. (gov.br)
Por isso, a consulta com um profissional de saúde é importante mesmo quando a mulher não apresenta queixas. O atendimento permite avaliar quais exames são indicados e em que intervalo devem ser realizados, evitando tanto a falta de acompanhamento quanto a repetição desnecessária de procedimentos.
Papanicolau ajuda a prevenir o câncer do colo do útero
O exame citopatológico do colo do útero, conhecido como Papanicolau, identifica alterações nas células da região que podem estar relacionadas a lesões precursoras do câncer. O procedimento é realizado com a coleta de células do colo uterino para análise laboratorial.
De acordo com as orientações tradicionais do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer, o rastreamento é indicado para mulheres de 25 a 64 anos que já iniciaram a vida sexual. A recomendação é realizar os dois primeiros exames com intervalo anual. Se os resultados forem normais, os exames seguintes podem ser feitos a cada três anos, conforme avaliação da equipe de saúde. (gov.br)
O objetivo do rastreamento é encontrar alterações em fase inicial, quando ainda podem ser acompanhadas ou tratadas antes de evoluírem para um câncer invasivo. O HPV, vírus transmitido principalmente por contato sexual, está relacionado à maioria dos casos de câncer do colo do útero.
O exame não substitui a consulta quando existem sintomas. Corrimento persistente, sangramento fora do período menstrual, sangramento após a relação sexual, dor pélvica, feridas ou verrugas na região genital devem ser avaliados por um profissional, independentemente da data do último preventivo.
Como se preparar para o exame
Para reduzir a possibilidade de interferências no resultado, recomenda-se evitar relações sexuais, duchas vaginais, medicamentos vaginais e anticoncepcionais de uso local nas 48 horas anteriores à coleta, conforme orientação do serviço de saúde. Também é preferível que o exame não seja realizado durante a menstruação.
O Papanicolau costuma ser rápido e pode causar algum desconforto. A mulher deve informar ao profissional se sentir dor, se estiver grávida ou se tiver alguma condição que exija cuidado específico. Mulheres que mantêm relações homoafetivas também devem seguir as recomendações de rastreamento quando estiverem na população indicada.
O SUS incorporou o teste molecular para detecção do DNA-HPV oncogênico como uma nova estratégia de rastreamento. A implantação ocorre de forma organizada e progressiva, com mudanças na utilização do Papanicolau conforme a estrutura disponível e os protocolos adotados pelos serviços. Por isso, a orientação local da unidade de saúde é fundamental para saber qual teste será oferecido e qual será o intervalo recomendado. (gov.br)
Mamografia contribui para o diagnóstico precoce do câncer de mama
A mamografia é o principal exame utilizado no rastreamento do câncer de mama. Ela pode identificar nódulos, microcalcificações e outras alterações que ainda não são percebidas pelo toque ou não provocam sintomas.
O Instituto Nacional de Câncer recomenda a mamografia de rastreamento para mulheres de 50 a 69 anos, a cada dois anos. Em 2025, o Ministério da Saúde divulgou orientação para o rastreamento populacional no SUS entre 50 e 74 anos, também com periodicidade bienal. A diferença entre as faixas etárias reforça a importância de confirmar a conduta indicada pela rede de atendimento e pelo profissional responsável. (inca.gov.br)
A mamografia também pode ser solicitada fora da faixa de rastreamento quando há sintomas, alterações no exame clínico, histórico familiar relevante ou indicação médica. Nesses casos, o procedimento deixa de ser apenas um exame de rotina e passa a integrar uma investigação diagnóstica.
É importante diferenciar rastreamento de investigação. O rastreamento é realizado em mulheres sem sinais ou sintomas, de acordo com a faixa etária e a periodicidade recomendadas. Já a investigação ocorre quando existe uma alteração ou suspeita que precisa ser esclarecida.
Alterações nas mamas exigem avaliação
A mulher deve procurar atendimento ao notar um nódulo persistente, mudança no formato ou no tamanho da mama, retração da pele ou do mamilo, saída espontânea de secreção sanguinolenta, vermelhidão persistente ou aspecto semelhante à casca de laranja.
Esses sinais não significam necessariamente câncer, mas precisam ser avaliados. O exame clínico pode indicar a necessidade de mamografia, ultrassonografia ou outros procedimentos. A confirmação de um câncer depende da análise do tecido, geralmente por meio de biópsia, e não apenas do resultado de um exame de imagem. (bvsms.saude.gov.br)
Vacinação contra o HPV é parte da prevenção
A vacina contra o HPV é uma das principais medidas para prevenir infecções pelos tipos do vírus associados a diferentes cânceres, incluindo o câncer do colo do útero. Ela está disponível gratuitamente no SUS dentro dos critérios definidos pelo Programa Nacional de Imunizações.
A vacinação oferece maior proteção quando realizada antes do início da vida sexual, mas a indicação pode abranger outros grupos conforme as regras vigentes, condições clínicas e avaliação dos serviços de saúde. Pessoas vivendo com HIV, em tratamento ou com situações específicas podem ter critérios próprios de vacinação.
A vacina não elimina a necessidade do exame preventivo. Isso ocorre porque ela não protege contra todos os tipos de HPV capazes de causar doença. O uso de preservativos reduz o risco de transmissão, mas não impede completamente o contágio, que também pode ocorrer pelo contato com áreas da pele não cobertas.
Manter a caderneta de vacinação atualizada, conversar com a equipe da unidade de saúde e realizar o rastreamento no período indicado são medidas complementares de proteção. (gov.br)
Consultas regulares ajudam a identificar outros problemas
Além da prevenção dos cânceres de mama e do colo do útero, a avaliação periódica permite acompanhar diversos aspectos da saúde feminina. Pressão arterial, peso, alimentação, atividade física, sono, saúde emocional e uso de medicamentos podem ser discutidos durante o atendimento.
A consulta também pode incluir orientações sobre contracepção, planejamento da gravidez, sintomas da menopausa, saúde óssea e prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. Em adolescentes e mulheres jovens, o atendimento deve respeitar a privacidade, a autonomia e a necessidade de informações adequadas para cada fase da vida.
Durante a gestação, o pré-natal é indispensável para acompanhar a saúde da mulher e do bebê. Depois do parto, o retorno ao serviço de saúde permite avaliar recuperação, amamentação, saúde mental, planejamento reprodutivo e possíveis complicações.
Quando procurar atendimento com prioridade
A busca por atendimento não deve esperar a data do próximo exame preventivo quando surgem sintomas persistentes ou diferentes do habitual. Sangramento vaginal anormal, dor pélvica intensa, corrimento com odor forte, feridas, verrugas, nódulos nas mamas ou alterações no mamilo precisam ser comunicados a um profissional.
Também é importante procurar a unidade de saúde diante de sintomas relacionados à saúde mental, como tristeza intensa, ansiedade incapacitante, insônia persistente ou pensamentos de autolesão. Em situações de violência, a mulher deve buscar uma rede de proteção e atendimento, podendo procurar serviços de saúde, assistência social e canais oficiais de emergência.
A urgência depende da intensidade dos sintomas e do estado geral da paciente. Dor intensa, sangramento importante, falta de ar, desmaio ou sinais de infecção exigem atendimento imediato.
Como organizar os cuidados preventivos
Uma forma simples de manter o acompanhamento em dia é guardar os resultados dos exames, registrar a data da última consulta e verificar a situação da vacinação. A mulher também pode perguntar na Unidade Básica de Saúde quais serviços estão disponíveis, quais documentos são necessários e como funciona o encaminhamento para exames especializados.
Não é preciso esperar uma campanha específica para buscar orientação. As unidades da Atenção Primária são responsáveis por orientar o cuidado, realizar procedimentos disponíveis na rede e encaminhar a paciente quando houver necessidade de investigação ou tratamento especializado.
Em Santa Catarina, a disponibilidade de horários, profissionais e exames pode variar entre os municípios. Por isso, a recomendação é procurar diretamente a unidade de referência ou a Secretaria Municipal de Saúde para confirmar o fluxo local, sem deixar de buscar atendimento quando houver sintomas.
Prevenção depende de acompanhamento contínuo
Os exames preventivos são ferramentas importantes, mas não substituem o acompanhamento integral. O resultado normal de uma mamografia ou de um Papanicolau representa uma informação válida para aquele momento e dentro das condições em que o exame foi realizado. A continuidade do cuidado continua sendo necessária.
Realizar o exame no intervalo recomendado, manter a vacinação atualizada, observar mudanças no corpo e procurar atendimento diante de sinais persistentes são atitudes que contribuem para o diagnóstico precoce. A prevenção também envolve acesso à informação de qualidade e uma relação de confiança com os profissionais de saúde.
Para as mulheres catarinenses, a rede pública oferece a possibilidade de iniciar esse cuidado pela Atenção Primária. A orientação individualizada permite definir quais exames são necessários, em que momento devem ser realizados e quais medidas podem reduzir riscos ao longo da vida.