O Museu Oceanográfico da Univali, em Balneário Piçarras, no litoral norte de Santa Catarina, apresenta ao público parte da biodiversidade marinha brasileira e a trajetória da relação entre as sociedades e os oceanos. Mantido pela Universidade do Vale do Itajaí, o espaço combina exposição de longa duração, pesquisa científica, preservação de coleções e atividades educativas.
Localizado na Avenida Sambaqui, no bairro Santo Antônio, o museu funciona em uma área coberta e climatizada. A estrutura reúne 16 alas de visitação, peças de história natural, aquários com animais vivos e um laboratório voltado a experiências sensoriais. O atendimento regular ocorre de terça-feira a domingo, das 14h às 17h30, conforme as informações divulgadas pela Univali.
Um dos principais acervos oceanográficos do país
De acordo com a universidade, o Museu Oceanográfico da Univali está entre os quatro principais acervos de história natural do Brasil. Na área oceanográfica, a instituição se apresenta como o maior museu das Américas e o terceiro maior do mundo. A classificação está relacionada à dimensão e à diversidade de seu acervo, formado ao longo de décadas de coletas, pesquisas e atividades de campo.
A exposição atualmente reúne mais de 3 mil peças no circuito expositivo. O conjunto inclui exemplares de diferentes grupos de animais marinhos, fósseis, materiais relacionados à exploração dos oceanos e objetos que ajudam a explicar a evolução da oceanografia. A Univali também informa que o acervo total do museu ultrapassa 250 mil peças, embora apenas uma parte esteja disponível para visitação pública.
O material preservado tem importância científica e educativa. Em vez de funcionar apenas como uma coleção de objetos, o museu organiza os exemplares dentro de uma narrativa sobre a formação da vida, os ambientes marinhos, a exploração dos recursos naturais e os impactos causados pelas atividades humanas.
Da coleção particular à sede em Balneário Piçarras
A origem do museu remonta à coleção particular de Jules Marcelo Rosa Soto, iniciada em 1976 na Praia do Cassino, no Rio Grande do Sul. Nos primeiros anos, a coleção reunia insetos, aracnídeos e outros animais. A partir de 1982, o trabalho passou a ser direcionado principalmente à biologia marinha.
Em 29 de janeiro de 1987, foi criado o Centro de Estudos Bio-Ecológicos Costeiros, Limnológicos e Marinhos, conhecido pela sigla CEBECLIM. A organização não governamental deu origem ao projeto que mais tarde se transformaria no Museu Oceanográfico da Univali.
Com o crescimento das coleções e das atividades de pesquisa, a manutenção do acervo tornou-se mais complexa. Em 1993, o conjunto foi incorporado à Universidade do Vale do Itajaí, que passou a apoiar institucionalmente o projeto. Durante os anos seguintes, o museu ocupou sedes temporárias em Itajaí e Balneário Camboriú.
A sede definitiva foi instalada em 2008, no campus da Univali em Balneário Piçarras. O período posterior foi dedicado à organização das coleções, à adequação dos espaços e à criação da exposição de longa duração, inaugurada em 14 de dezembro de 2015.
Exposição apresenta diferentes ambientes e grupos marinhos
A exposição foi planejada para oferecer uma visão ampla sobre a vida nos oceanos e a construção do conhecimento oceanográfico. Entre os temas abordados estão o surgimento da vida, a formação dos oceanos, a evolução dos animais marinhos, a atividade pesqueira e as tecnologias usadas na exploração do ambiente submarino.
Uma das alas é dedicada ao surgimento da vida e à história da oceanografia. O espaço apresenta fósseis de diferentes eras geológicas, referências à relação de antigas civilizações com o mar, as grandes navegações e o desenvolvimento das pesquisas oceanográficas.
O circuito também aborda os invertebrados marinhos, os peixes cartilaginosos, os peixes ósseos, os répteis, as aves e os mamíferos marinhos. A divisão permite observar diferenças entre os grupos e compreender como cada espécie se relaciona com o ambiente em que vive.
Outra parte da exposição trata da caça às baleias. O conteúdo percorre diferentes períodos históricos, desde práticas ancestrais até a caça industrial na Antártica. O Brasil também aparece nesse contexto, com informações sobre a atividade baleeira e seus efeitos sobre as populações de grandes cetáceos.
Os pinguins estão entre os animais apresentados no museu. A exposição reúne informações sobre as espécies e sua distribuição no Hemisfério Sul. O circuito inclui ainda animais vivos mantidos em aquários, que complementam a observação dos exemplares preservados.
Pesquisa, preservação e divulgação científica
O trabalho do Museu Oceanográfico da Univali não se limita à visitação. A instituição mantém atividades de pesquisa, conservação e documentação de coleções. A formação do acervo está ligada a expedições, monitoramentos em praias, embarques com a frota pesqueira e estudos sobre a fauna marinha.
O departamento de museologia atua na identificação, na preservação e na musealização do patrimônio natural e cultural. Já a equipe de museografia trabalha na montagem e na manutenção dos módulos expositivos, tanques e aquários. A área de aquariofilia é responsável pelo cuidado com os animais vivos mantidos no circuito de visitação.
Esse conjunto de atividades permite que o museu cumpra funções diferentes: preservar materiais que podem ser usados em pesquisas, produzir conhecimento, apoiar ações de ensino e aproximar o público de temas relacionados à conservação dos oceanos.
Programa educativo atende escolas e grupos
O museu também desenvolve um programa educativo para escolas, estudantes, professores e outros grupos. As atividades buscam apresentar a história da oceanografia, a preservação da vida marinha, o conhecimento sobre o território e a relação entre as comunidades e o mar.
Grupos com pelo menos dez pessoas podem solicitar visitas mediadas. Nessa modalidade, um profissional acompanha o percurso e explica os conteúdos das alas. A programação pode incluir o Laboratório de Toque, espaço em que os visitantes têm contato sensorial com materiais e animais marinhos selecionados para a atividade.
As visitas de grupos e escolas realizadas pela manhã dependem de agendamento prévio. A Univali orienta que os interessados consultem os canais oficiais do museu para confirmar disponibilidade, condições de atendimento e valores atualizados.
Ao completar dez anos de funcionamento da exposição de longa duração, em dezembro de 2025, o museu informou ter recebido quase 300 mil visitantes. Desse total, aproximadamente 70 mil eram estudantes atendidos pelo programa educativo. Os números indicam o papel da instituição na aproximação entre a produção científica e o público.
Como visitar o Museu Oceanográfico da Univali
O Museu Oceanográfico da Univali está instalado na Avenida Sambaqui, 318, no bairro Santo Antônio, em Balneário Piçarras. O endereço fica às margens da BR-101 e conta com estacionamento gratuito, segundo a instituição.
O horário regular informado pela Univali é de terça-feira a domingo, das 14h às 17h30. A exposição é coberta e climatizada, o que permite a visita em diferentes condições climáticas. O espaço também possui recursos de acessibilidade, incluindo estrutura para pessoas com mobilidade reduzida.
Antes de sair, é recomendável consultar o site oficial do museu para verificar ingressos, condições de meia-entrada, eventuais alterações no horário e regras para visitas em grupo. Informações também podem ser obtidas pelo e-mail museuoceanografico@univali.br e pelos telefones divulgados pela universidade.
Um passeio ligado ao litoral catarinense
Inserido em uma cidade conhecida pelas praias e pela atividade turística, o museu amplia as opções de visitação em Balneário Piçarras. A instituição oferece uma experiência diferente da observação da paisagem costeira: em vez de apenas contemplar o mar, o visitante pode conhecer espécies, fósseis, equipamentos e registros que ajudam a explicar a complexidade dos ambientes oceânicos.
Para moradores, estudantes e turistas, o espaço funciona como ponto de contato com a ciência e com a história natural. Ao reunir pesquisa, conservação e educação, o Museu Oceanográfico da Univali transforma parte do conhecimento produzido sobre os oceanos em uma experiência acessível ao público.