terça-feira, 29 de setembro de 2026
SAÚDE

Cuidados com a alimentação durante viagens e férias em Santa Catarina

Durante viagens e férias em Santa Catarina, cuidados simples com a alimentação ajudam a prevenir diarreias, vômitos e outros problemas associados ao consumo de água e alimentos contaminados. Veja como escolher refeições, transportar lanches e armazenar sobras com mais segurança.

Durante viagens e férias em Santa Catarina, a alimentação faz parte da experiência, mas também exige atenção. Mudanças na rotina, longos deslocamentos, refeições fora de casa, exposição ao calor e consumo de alimentos sem refrigeração adequada podem aumentar o risco de mal-estar, diarreia, vômitos e desidratação.

Os cuidados não significam abrir mão da gastronomia local ou das refeições em restaurantes, lanchonetes, quiosques e feiras. A recomendação é observar as condições de higiene, escolher alimentos bem conservados, manter a hidratação e evitar produtos cuja procedência ou armazenamento não estejam claros.

As orientações do Ministério da Saúde e da Anvisa indicam medidas preventivas para reduzir o risco de doenças transmitidas por água e alimentos durante deslocamentos.

Planejamento começa antes da viagem

O cuidado com a alimentação deve começar antes de sair de casa. Em viagens de carro ou ônibus, é importante organizar os lanches de acordo com o tempo de deslocamento e com a possibilidade de mantê-los em temperatura adequada. Alimentos perecíveis, como carnes, frios, laticínios, preparações com ovos e alguns doces recheados, exigem refrigeração e não devem ser transportados de qualquer maneira.

Quando for levar comida, dê preferência a itens que possam ser consumidos com segurança durante o trajeto, como frutas inteiras higienizadas, castanhas embaladas, biscoitos simples e produtos industrializados dentro do prazo de validade. Alimentos preparados em casa devem ser acondicionados em recipientes limpos, bem fechados e, quando necessário, transportados em caixa térmica com elementos refrigerantes.

A Anvisa recomenda evitar a exposição de alimentos ao sol e a locais quentes, como áreas próximas ao motor do veículo. Produtos perecíveis devem ser guardados sob refrigeração o mais rapidamente possível. Também é necessário conferir a integridade das embalagens e as instruções de conservação indicadas no rótulo.

Como escolher alimentos fora de casa

Em restaurantes, lanchonetes, cafés, quiosques e estabelecimentos próximos a praias ou áreas turísticas, observe as condições gerais do local. Limpeza, organização, proteção dos alimentos e higiene dos funcionários são sinais importantes, embora não substituam o cuidado do consumidor.

Evite alimentos expostos sem proteção, em recipientes sujos ou mantidos por longos períodos em temperatura ambiente. Preparações frias, como saladas, maioneses, sobremesas com creme e recheios, precisam estar refrigeradas. Alimentos quentes devem ser mantidos aquecidos até o momento do consumo.

Também é prudente avaliar o movimento do estabelecimento. Um local com grande fluxo pode ter reposição mais frequente, mas a quantidade de clientes, sozinha, não garante segurança. O consumidor deve verificar a aparência, o cheiro e a temperatura dos alimentos sempre que possível. Em caso de dúvida sobre a conservação, a melhor decisão é não consumir.

Produtos embalados devem apresentar identificação do fabricante, prazo de validade e embalagem íntegra. Latas estufadas, enferrujadas ou amassadas de forma significativa, além de embalagens rasgadas, furadas ou com vazamento, não devem ser compradas nem utilizadas.

Água e bebidas exigem atenção

Manter a hidratação é especialmente importante em dias de praia, trilhas, caminhadas e passeios ao ar livre. O Ministério da Saúde recomenda a ingestão constante de líquidos durante as viagens, além da higienização frequente das mãos.

Consuma água potável, filtrada, tratada ou industrializada em embalagem íntegra. Em caso de dúvida sobre a origem da água, prefira produtos lacrados. O mesmo cuidado vale para gelo, sucos, água de coco e outras bebidas preparadas fora de casa, especialmente quando não for possível saber como a água foi armazenada ou manipulada.

O consumo de bebidas alcoólicas também merece moderação. O álcool pode favorecer a desidratação, prejudicar a percepção de sintomas e aumentar o risco de acidentes, principalmente em atividades na praia, em trilhas ou na condução de veículos.

Frutos do mar e alimentos crus

Santa Catarina é conhecida pela oferta de peixes, ostras, mariscos e outros frutos do mar. Esses alimentos podem fazer parte da alimentação durante a viagem, mas exigem atenção redobrada quanto à origem, ao armazenamento e ao preparo.

O Ministério da Saúde orienta evitar alimentos crus ou mal cozidos, principalmente frutos do mar, quando as condições de higiene, preparo e acondicionamento forem desconhecidas. Preparações com peixe cru, ostras, mariscos e outros produtos devem ser consumidas somente em locais que demonstrem boas condições sanitárias e mantenham os alimentos sob refrigeração adequada.

O cozimento reduz riscos, mas não corrige problemas causados por armazenamento inadequado, contaminação cruzada ou manipulação sem higiene. Por isso, aparência e sabor não são suficientes para confirmar que um alimento está seguro.

Higiene das mãos ajuda a prevenir doenças

Lavar as mãos com água e sabonete antes das refeições e depois de usar o banheiro é uma das medidas mais importantes durante a viagem. O cuidado também deve ser adotado antes de preparar ou oferecer alimentos às crianças.

Quando não houver acesso imediato a água e sabonete, o álcool em gel a 70% pode ser uma alternativa para a higienização das mãos, desde que elas não estejam visivelmente sujas. A recomendação do Ministério da Saúde inclui levar pequenos recipientes de álcool a 70% para situações em que a lavagem não seja possível.

Objetos compartilhados, como talheres, copos, mamadeiras e garrafas, também devem ser mantidos limpos. Em viagens com crianças, é importante evitar que alimentos fiquem expostos por muito tempo dentro de bolsas, mochilas ou veículos.

Cuidados com alimentos levados para praias e passeios

Em passeios para praias, parques, cachoeiras, trilhas e áreas rurais, o calor pode acelerar a deterioração de alimentos. Sanduíches com frios, queijos, carnes, ovos, molhos e maionese precisam permanecer refrigerados. Se não houver caixa térmica adequada, prefira lanches não perecíveis e frutas inteiras.

Não deixe a caixa térmica aberta por longos períodos e mantenha os alimentos protegidos da luz direta do sol. Separe bebidas de alimentos prontos sempre que possível e utilize recipientes limpos, com tampas bem ajustadas.

Sobras que permaneceram por tempo prolongado fora de refrigeração não devem ser guardadas para consumo posterior. O alimento pode parecer normal e ainda assim conter microrganismos ou toxinas capazes de causar doença.

Como armazenar sobras no local de hospedagem

Em hotéis, pousadas, casas alugadas ou residências de familiares, confira se a geladeira funciona corretamente e mantenha os alimentos conforme as instruções do fabricante. Preparações cozidas e perecíveis devem ser refrigeradas rapidamente, em recipientes fechados e, de preferência, em porções menores.

A Anvisa orienta que alimentos quentes sejam mantidos acima de 60°C até o momento de servir e que alimentos frios permaneçam abaixo de 5°C. O intervalo entre o preparo e o consumo deve ser reduzido, porque microrganismos podem se multiplicar rapidamente em temperatura ambiente.

Alimentos preparados e guardados sob refrigeração devem ser consumidos dentro do prazo recomendado para aquele produto e conforme as orientações sanitárias. A Anvisa informa que, em determinadas condições, o prazo máximo para alimentos preparados mantidos sob refrigeração é de cinco dias. Esse período não substitui a avaliação das condições de preparo, armazenamento e conservação.

O descongelamento não deve ser feito sobre a pia ou em temperatura ambiente. O procedimento deve ocorrer sob refrigeração ou no micro-ondas, quando o alimento for levado imediatamente ao cozimento.

Atenção a crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas podem ser mais vulneráveis à desidratação e às complicações de infecções alimentares. Para esses grupos, o planejamento deve incluir água potável, alimentação adequada, medicamentos de uso contínuo e informações sobre alergias ou restrições alimentares.

Pessoas com alergias devem perguntar sobre ingredientes, formas de preparo e possibilidade de contato com outros alimentos. Em caso de dúvida sobre a composição de uma refeição, é mais seguro escolher outra opção. Restaurantes e estabelecimentos devem ser informados sobre alergias relevantes antes do pedido.

O que fazer em caso de diarreia ou vômitos

A diarreia aguda pode ser acompanhada de cólicas, dor abdominal, febre, náusea, vômitos, sangue ou muco nas fezes. O Ministério da Saúde considera como sinal de alerta a piora do quadro, vômitos repetidos, muita sede, recusa de alimentos, sangue nas fezes e diminuição da urina.

Em quadros leves, a orientação geral é aumentar a ingestão de líquidos e manter a alimentação habitual, quando a pessoa conseguir comer. A solução de sais de reidratação oral deve ser utilizada conforme as orientações da embalagem ou de um profissional de saúde. Não é recomendado iniciar antibióticos por conta própria.

Procure atendimento se os sintomas não melhorarem, se houver sinais de desidratação, sangue nas fezes, febre persistente, vômitos repetidos, redução importante da urina ou piora do estado geral. Crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas devem ser avaliados com atenção.

Prevenção combina cuidado e bom senso

Viajar por Santa Catarina permite conhecer diferentes paisagens, atividades e tradições gastronômicas. Para aproveitar o período de descanso, os principais cuidados são simples: beber água segura, lavar as mãos, escolher locais limpos, evitar alimentos crus ou mal conservados, manter perecíveis refrigerados e observar sinais de alerta.

A alimentação durante as férias não precisa ser restritiva. O mais importante é combinar variedade e moderação com atenção à origem, ao preparo e à conservação dos produtos. Em caso de sintomas persistentes ou intensos, a recomendação é buscar um serviço de saúde no destino e informar quais alimentos e bebidas foram consumidos.