A saúde e a qualidade de vida na terceira idade estão diretamente ligadas à preservação da autonomia, à prevenção de doenças e à manutenção dos vínculos sociais. Em Santa Catarina, o envelhecimento da população amplia a necessidade de políticas públicas e de cuidados contínuos voltados às pessoas com 60 anos ou mais.
O Censo Demográfico 2022 mostrou que o índice de envelhecimento de Santa Catarina chegou a 55,8. Isso significa que havia 55,8 pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 crianças de 0 a 14 anos no estado. Em 2010, o indicador era de 31,8, sinalizando uma mudança importante na estrutura etária da população catarinense. (ibge.gov.br)
Esse cenário exige uma visão mais ampla sobre a velhice. O envelhecimento não deve ser compreendido apenas pela presença de doenças ou pela idade cronológica. A capacidade de realizar atividades do cotidiano, tomar decisões, manter relações sociais e participar da comunidade também faz parte da avaliação da saúde.
Envelhecer com autonomia é uma prioridade
Para o Ministério da Saúde, a atenção à pessoa idosa deve considerar aspectos físicos, funcionais, emocionais, sociais e ambientais. Uma doença crônica, como hipertensão ou diabetes, não significa necessariamente perda de independência. Com acompanhamento adequado, muitas pessoas conseguem controlar essas condições e manter uma rotina ativa.
O objetivo das políticas de saúde é promover o envelhecimento saudável, reduzir incapacidades evitáveis e garantir cuidado contínuo. No Sistema Único de Saúde (SUS), a atenção primária exerce papel central nesse processo, por meio das unidades básicas de saúde e das equipes responsáveis pelo acompanhamento da população.
Em Santa Catarina, a Secretaria de Estado da Saúde mantém orientações para a implantação de uma linha de cuidado integral à pessoa idosa. A proposta inclui avaliação do risco funcional, uso da Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa e integração entre os diferentes níveis de atendimento. (saude.sc.gov.br)
Atividade física ajuda a preservar a independência
A prática regular de atividade física contribui para a força muscular, o equilíbrio, a mobilidade e a saúde cardiovascular. Também pode melhorar o sono, o humor, a memória e a convivência social. Para pessoas idosas, esses benefícios são importantes porque ajudam a manter a capacidade de realizar tarefas como caminhar, subir escadas, fazer compras e cuidar da própria casa.
O Ministério da Saúde recomenda começar de forma gradual, com atividades leves e compatíveis com a condição de cada pessoa. Caminhadas, dança, exercícios de fortalecimento, alongamentos e atividades aquáticas podem fazer parte da rotina, desde que sejam realizados com segurança e, quando necessário, com orientação profissional.
A orientação geral é buscar progressivamente até 150 minutos semanais de atividade física, respeitando limitações, dores e sinais de mal-estar. Pessoas que estão paradas há muito tempo ou têm doenças crônicas devem conversar com a equipe de saúde antes de iniciar uma nova rotina de exercícios. (gov.br)
Além do exercício planejado, reduzir o tempo sentado e incluir mais movimento no dia a dia também pode fazer diferença. Levantar-se em intervalos regulares, caminhar pequenas distâncias e participar de atividades comunitárias são medidas simples que favorecem a funcionalidade.
Prevenção de quedas deve começar dentro de casa
As quedas não são uma consequência inevitável do envelhecimento. Elas podem estar relacionadas a alterações na visão, perda de força, problemas de equilíbrio, efeitos de medicamentos, doenças agudas ou condições inseguras no ambiente doméstico.
Uma queda pode provocar fraturas, traumatismos e perda de confiança. Depois do acidente, algumas pessoas passam a evitar sair de casa ou caminhar, o que pode acelerar a perda de mobilidade e aumentar o isolamento social.
Entre as medidas de prevenção estão melhorar a iluminação dos cômodos, retirar tapetes soltos, manter corredores livres, instalar barras de apoio no banheiro e utilizar corrimãos em escadas. Calçados firmes e adequados também ajudam a reduzir riscos.
A pessoa idosa deve informar à equipe de saúde se sofreu uma queda ou teve episódios de desequilíbrio nos últimos 12 meses. Exames de visão, avaliação dos pés e revisão periódica dos medicamentos podem identificar fatores que aumentam a possibilidade de novos acidentes. (gov.br)
Alimentação, hidratação e controle de doenças
Uma alimentação equilibrada contribui para a manutenção da massa muscular, da imunidade e da disposição. O padrão alimentar deve ser adaptado às necessidades individuais, considerando doenças existentes, uso de medicamentos, capacidade de mastigação e condições financeiras.
O consumo de alimentos variados, com frutas, verduras, legumes, feijões e fontes de proteínas, pode ajudar a manter uma dieta mais nutritiva. Também é importante observar o excesso de sal, açúcar e produtos ultraprocessados, especialmente em pessoas com hipertensão, diabetes ou doenças cardiovasculares.
A hidratação merece atenção porque a sensação de sede pode diminuir com a idade. A quantidade de líquidos deve seguir a orientação dos profissionais de saúde, principalmente quando há doenças renais, cardíacas ou outras condições que exigem restrições.
O acompanhamento de pressão arterial, glicemia, colesterol, saúde bucal, visão e audição deve fazer parte da rotina de cuidados. Consultas regulares ajudam a identificar alterações antes que elas provoquem perda de autonomia.
Vacinação e acompanhamento no SUS
A vacinação é uma das estratégias de prevenção mais importantes na terceira idade. As vacinas indicadas podem variar conforme a idade, o histórico vacinal, as condições de saúde e as orientações vigentes dos serviços públicos. Por isso, é necessário manter a caderneta atualizada e consultar a unidade de saúde de referência.
A Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa é um instrumento gratuito que reúne informações sobre condições clínicas, acompanhamento, direitos, autocuidado e prevenção de agravos. Ela pode ser obtida em formato digital ou impresso e utilizada pela pessoa idosa, familiares, cuidadores e profissionais de saúde. (gov.br)
Também é importante levar à consulta uma lista atualizada de medicamentos, incluindo produtos sem receita, suplementos e plantas medicinais. O uso simultâneo de vários remédios pode aumentar o risco de efeitos adversos, tonturas e quedas. Qualquer alteração no tratamento deve ser feita com orientação profissional.
Saúde mental e convivência social
Qualidade de vida não se resume à ausência de doenças. A solidão, o luto, a perda de renda, a redução da mobilidade e o afastamento da família podem afetar a saúde mental. Mudanças persistentes de humor, perda de interesse, alterações importantes no sono ou no apetite e isolamento devem ser comunicadas à equipe de saúde.
A participação em grupos comunitários, atividades culturais, programas de exercícios, associações, igrejas e projetos de convivência pode fortalecer vínculos e ampliar a rede de apoio. O contato social também favorece a autoestima e ajuda a manter rotinas significativas.
Famílias e cuidadores devem evitar tratar a pessoa idosa como incapaz apenas por causa da idade. Sempre que possível, ela deve participar das decisões sobre sua rotina, seus tratamentos, sua alimentação e sua forma de viver. Respeitar preferências e limites é parte do cuidado.
Direitos da pessoa idosa
No Brasil, considera-se pessoa idosa quem tem 60 anos ou mais. O Estatuto da Pessoa Idosa estabelece direitos relacionados à vida, à saúde, à alimentação, à dignidade, ao respeito, à convivência familiar e comunitária, à cultura, ao lazer e ao transporte.
Na área da saúde, a legislação assegura prioridade no atendimento, direito a acompanhante durante internação ou observação hospitalar, acesso a medicamentos e recursos necessários ao tratamento e participação nas decisões quando a pessoa estiver consciente e em condições de escolher.
O poder público, a família, a comunidade e a sociedade compartilham a responsabilidade de proteger esses direitos. Situações de negligência, violência, abandono ou apropriação indevida de recursos devem ser comunicadas aos canais oficiais de proteção e às autoridades competentes. (bvsms.saude.gov.br)
Como organizar uma rotina de cuidados
Uma rotina de saúde na terceira idade pode começar com medidas práticas: manter consultas periódicas, organizar os medicamentos, acompanhar a vacinação, revisar a segurança da casa e reservar tempo para atividades físicas e convivência social.
Também é recomendável observar mudanças na marcha, na memória, na visão, na audição, no apetite e na capacidade de realizar tarefas diárias. Esses sinais não devem ser atribuídos automaticamente à idade. Eles podem indicar problemas que precisam de avaliação.
Quando houver dificuldade para se deslocar, a família pode procurar a unidade básica de saúde e perguntar sobre as possibilidades de acompanhamento na atenção primária. Em casos específicos, a equipe pode orientar encaminhamentos para outros serviços da rede.
Em Santa Catarina, o envelhecimento da população torna ainda mais importante a combinação entre prevenção, acesso ao SUS, participação social e respeito às escolhas individuais. Cuidar da saúde na terceira idade significa agir antes que surjam limitações, apoiar a autonomia e garantir condições para que cada pessoa continue participando da vida familiar e comunitária.