segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Dia a Dia

Como aproveitar as cidades catarinenses fora do roteiro tradicional

Conheça cidades catarinenses que permitem explorar história, cultura, natureza e gastronomia longe dos roteiros mais disputados do Estado.

Santa Catarina costuma ser associada a praias movimentadas, cidades de colonização europeia e paisagens serranas conhecidas nacionalmente. Mas o Estado também oferece experiências menos óbvias para quem deseja viajar com mais calma e fugir dos destinos mais concorridos. Em diferentes regiões, cidades históricas, comunidades rurais, santuários, museus e áreas naturais formam roteiros que combinam cultura, memória e paisagem.

Escolher cidades catarinenses fora do roteiro tradicional não significa abrir mão de estrutura ou de atrações. A diferença está no ritmo da viagem e na possibilidade de conhecer lugares em que o patrimônio local, os costumes e a relação com o território ocupam papel central. São destinos que podem ser visitados em fins de semana prolongados, integrados a viagens de carro ou incluídos em roteiros regionais.

São Francisco do Sul combina história, mar e cultura local

No Litoral Norte, São Francisco do Sul é uma alternativa para quem deseja ir além do turismo de praia. A cidade reúne praias, atividade portuária, tradições pesqueiras e um centro histórico formado por construções de influência colonial. O município é considerado um dos mais antigos de Santa Catarina e mantém uma relação estreita com a Baía da Babitonga e com a memória marítima da região. (saofranciscodosul.sc.gov.br)

O passeio pode começar pelas ruas do Centro Histórico, com visita a museus, igrejas, casarões e espaços culturais. A caminhada permite observar a arquitetura e compreender como a ocupação da ilha se relacionou com a navegação, o comércio e a pesca. Um roteiro autoguiado implantado na área histórica reúne informações de localização e de identificação dos principais pontos de interesse, facilitando a visita a pé. (saofranciscodosul.sc.gov.br)

Para completar a experiência, vale reservar tempo para conhecer os balneários e observar a paisagem da baía. A proposta é alternar momentos de contemplação, gastronomia e contato com moradores, em vez de concentrar a viagem apenas no litoral. Projetos municipais de turismo de experiência também destacam a cultura, a culinária e o modo de vida local como elementos importantes da visita. (saofranciscodosul.sc.gov.br)

Laguna preserva patrimônio, paisagem e uma tradição singular

Laguna, no Sul do Estado, oferece um dos conjuntos históricos mais expressivos de Santa Catarina. O centro urbano pode ser explorado a pé, em um percurso por ruas estreitas, igrejas, sobrados e espaços que ajudam a contar a formação do município. O Sesc descreve a área como o maior conjunto arquitetônico tombado de Santa Catarina e mantém atividades de visitação cultural acompanhada por guia. (sesc-sc.com.br)

A cidade também apresenta uma relação particular entre natureza e trabalho tradicional. Na Praia dos Botos, a pesca artesanal pode ocorrer com o auxílio dos animais, em uma prática associada ao conhecimento transmitido entre pescadores e à leitura das marés. A atividade foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial, o que reforça a importância de observá-la com respeito, sem interferir na rotina dos trabalhadores ou tentar se aproximar dos animais. (turismo.laguna.sc.gov.br)

O roteiro pode incluir ainda o Farol de Santa Marta, praias, comunidades pesqueiras e mirantes. Como as distâncias entre os pontos são relevantes, o planejamento deve considerar tempo de deslocamento e condições das estradas. Laguna funciona bem para uma viagem que combine caminhada histórica durante o dia com paisagens costeiras no fim da tarde.

Treze Tílias mostra a força da cultura austríaca no Oeste

No Meio-Oeste catarinense, Treze Tílias apresenta uma experiência diferente dos roteiros concentrados no litoral. A cidade preserva referências da imigração austríaca em sua arquitetura, na gastronomia, nos grupos culturais e no artesanato. O visitante encontra uma atmosfera marcada por tradições locais, mas também por atividades ligadas à produção artesanal e ao turismo rural.

Entre os espaços de interesse está o Museu Municipal Andreas Thaler, instalado em um edifício conhecido como Castelinho. O local reúne objetos relacionados à colonização, utensílios de trabalho, peças de arte e ambientes que ajudam a representar aspectos da vida dos primeiros moradores. A cidade também mantém parques e atrações voltadas à convivência, ao lazer e à observação de elementos da paisagem urbana. (trezetilias.com.br)

Uma forma de aproveitar melhor Treze Tílias é combinar história e gastronomia. A visita a cervejarias, restaurantes e produtores locais pode ser planejada junto com caminhadas pelo centro e passeios em áreas verdes. O portal municipal de turismo lista atrações ligadas a cervejaria artesanal, parques, trilhas e atividades de lazer, mostrando que a experiência não se limita à arquitetura típica. (turismo.trezetilias.sc.gov.br)

O destino é especialmente indicado para quem prefere viagens tranquilas, com programação distribuída ao longo do dia. Em vez de tentar conhecer tudo rapidamente, o visitante pode dedicar tempo aos museus, conversar com artesãos e entender como a herança cultural foi incorporada à identidade contemporânea da cidade.

Nova Trento vai além do turismo religioso

Nova Trento é conhecida principalmente pelo Santuário Santa Paulina e pelo fluxo de peregrinos. O município, porém, pode ser explorado de maneira mais ampla, com atenção à paisagem rural, à gastronomia e às marcas da imigração italiana. A cidade também abriga o Santuário Nossa Senhora do Bom Socorro, no Morro da Cruz, formando uma rota de fé que atrai visitantes de diferentes regiões. (novatrento.sc.gov.br)

O turismo religioso é o eixo mais evidente, mas não precisa ser o único motivo da viagem. O visitante pode organizar um roteiro que inclua igrejas, estradas rurais, cafés, restaurantes e propriedades que trabalham com produtos coloniais. A experiência ganha mais significado quando a visita aos santuários é acompanhada pela compreensão da história local e das comunidades que se desenvolveram no entorno.

Por se tratar de um destino com espaços de peregrinação, é importante observar regras de visitação, horários de celebrações e períodos de maior movimento. Em datas religiosas, a procura pode aumentar e alterar o ritmo dos passeios. A consulta aos canais oficiais antes da viagem ajuda a confirmar programação, acessos e eventuais mudanças.

Urubici pode ser revisitada por caminhos menos conhecidos

Urubici já ocupa lugar de destaque no turismo da Serra Catarinense, mas ainda permite montar um roteiro fora dos pontos mais disputados. Além das atrações mais famosas, como o Morro da Igreja e a Serra do Corvo Branco, o município reúne inscrições rupestres, grutas, cachoeiras, igrejas, museus e propriedades voltadas ao turismo de natureza.

O portal municipal de turismo destaca as inscrições rupestres do Morro do Avencal, atribuídas a povos que ocuparam a região há milhares de anos, além da Gruta Nossa Senhora de Lourdes, da Caverna Rio dos Bugres e de diferentes áreas de caminhada. A Serra do Corvo Branco também pode ser observada por mirantes e pontos de acesso que oferecem panoramas da paisagem serrana. (turismo.urubici.sc.gov.br)

Uma alternativa é reservar um dia para atrações culturais e naturais próximas ao centro, deixando os deslocamentos mais longos para outro momento. Museus de objetos antigos, igrejas e pequenas propriedades ajudam a revelar uma Urubici menos associada apenas ao frio e às paisagens de altitude. O planejamento deve levar em conta mudanças de clima, estradas de terra e a necessidade de condutores em determinadas trilhas.

Em áreas de parque e em atrativos situados em terrenos particulares, o acesso pode depender de autorização, cobrança de ingresso ou agendamento. Por isso, a consulta ao portal municipal e aos responsáveis pelo local deve ser feita antes da saída. Em períodos de chuva, vento forte ou baixa visibilidade, a segurança deve ser prioridade, mesmo quando o passeio estiver previsto no roteiro.

Como montar um roteiro alternativo pelo Estado

Uma viagem por cidades catarinenses fora do roteiro tradicional pode ser organizada por região, evitando deslocamentos excessivos. No Litoral Norte, São Francisco do Sul pode ser combinada com experiências culturais e paisagens da Baía da Babitonga. No Sul, Laguna permite integrar patrimônio histórico, praias e comunidades pesqueiras. Treze Tílias e Nova Trento funcionam melhor em roteiros dedicados ao interior, à imigração e à religiosidade. Urubici, por sua vez, exige mais tempo para explorar estradas, mirantes e áreas naturais.

O ideal é evitar uma programação excessivamente cheia. Cidades menores têm horários de funcionamento específicos, atrações que dependem de agendamento e serviços que podem não operar todos os dias. A viagem tende a ser mais proveitosa quando inclui margem para mudanças climáticas, paradas em restaurantes locais e visitas que não aparecem necessariamente nos guias mais conhecidos.

Também é importante respeitar o patrimônio e o modo de vida das comunidades. Em centros históricos, isso significa não retirar objetos, evitar danos às construções e seguir orientações de visitação. Em áreas rurais e naturais, envolve permanecer nas trilhas autorizadas, não deixar resíduos e não alimentar animais. Em locais religiosos, a recomendação é manter postura adequada e considerar que o espaço pode estar sendo usado para celebrações.

Viajar devagar ajuda a conhecer outra Santa Catarina

O principal ganho de um roteiro alternativo é trocar a lógica de passar rapidamente por vários cartões-postais pela oportunidade de compreender cada destino. Em São Francisco do Sul, isso significa perceber a ligação entre cidade, porto e mar. Em Laguna, observar como o patrimônio convive com a pesca. Em Treze Tílias, reconhecer a permanência de referências culturais. Em Nova Trento, entender a força das peregrinações. Em Urubici, explorar a serra para além das imagens mais divulgadas.

Antes de viajar, vale confirmar horários, acessos, condições meteorológicas, necessidade de reserva e funcionamento de atrativos nos canais oficiais de cada município. Com planejamento básico e disposição para sair das rotas mais conhecidas, Santa Catarina revela cidades capazes de oferecer história, natureza, gastronomia e cultura em experiências mais tranquilas e próximas da realidade local.