segunda-feira, 28 de setembro de 2026
SAÚDE

Como os hábitos cotidianos influenciam a saúde em Santa Catarina

Hábitos repetidos todos os dias influenciam a saúde física e mental. Alimentação equilibrada, movimento, sono adequado e prevenção ajudam a reduzir riscos e melhorar o bem-estar em diferentes fases da vida.

Os hábitos cotidianos têm influência direta sobre a saúde. A alimentação escolhida, o tempo dedicado ao movimento, a qualidade do sono, o uso de telas e o consumo de cigarro ou bebidas alcoólicas formam, ao longo do tempo, um conjunto de comportamentos capaz de proteger o organismo ou aumentar o risco de doenças.

Essa relação também está presente na rotina dos moradores de Santa Catarina. Independentemente da cidade, da idade ou do tipo de trabalho, pequenas decisões repetidas todos os dias podem interferir no peso corporal, na pressão arterial, na saúde do coração, no controle da glicose, na disposição e no bem-estar emocional.

Isso não significa que a saúde dependa apenas da força de vontade individual. Renda, acesso a alimentos, condições de moradia, segurança, transporte, ambiente de trabalho e oferta de espaços públicos também influenciam as escolhas. Ainda assim, algumas mudanças possíveis na rotina contribuem para reduzir riscos e fortalecer a prevenção.

Alimentação influencia o risco de doenças

A alimentação é um dos principais hábitos relacionados à saúde. Uma rotina baseada em alimentos variados, com presença de frutas, verduras, legumes, feijões, cereais e outras opções in natura ou minimamente processadas, fornece nutrientes importantes e ajuda a manter o funcionamento adequado do organismo.

O Ministério da Saúde recomenda priorizar alimentos frescos ou minimamente processados e reduzir o consumo de produtos com excesso de açúcar, sódio, gorduras e aditivos. A Organização Mundial da Saúde também relaciona uma alimentação equilibrada à prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. (who.int)

Na prática, isso envolve observar não apenas o que é consumido, mas também a frequência e a forma de preparo. Comer em horários mais regulares, reduzir frituras, moderar o sal e o açúcar e preferir água em vez de bebidas açucaradas são medidas que podem ser incorporadas gradualmente.

O consumo frequente de alimentos ultraprocessados merece atenção. Esses produtos costumam apresentar formulações industriais e podem conter grandes quantidades de sódio, açúcares livres e gorduras. Quando substituem refeições preparadas com alimentos básicos, podem contribuir para uma dieta menos variada e mais pobre em fibras.

Também é importante evitar dietas restritivas sem acompanhamento profissional. Estratégias divulgadas nas redes sociais podem não atender às necessidades de cada pessoa e, em alguns casos, provocar deficiências nutricionais ou dificultar o controle de doenças já existentes.

Movimento reduz o sedentarismo

A atividade física não se limita à prática esportiva. Caminhar, andar de bicicleta, dançar, cuidar do jardim, realizar tarefas domésticas e subir escadas também são formas de movimentar o corpo. A regularidade é mais importante do que começar com exercícios intensos.

Segundo o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, a prática deve respeitar a condição de saúde, a idade e as possibilidades de cada pessoa. Em caso de dor no peito, tontura, falta de ar fora do habitual ou outro desconforto importante, a orientação é interromper a atividade e procurar atendimento. (gov.br)

O Ministério da Saúde informa que, quando possível, adultos podem buscar pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, distribuídos ao longo da semana. Quem está parado pode começar com períodos curtos e aumentar a duração gradualmente, de acordo com a tolerância e a orientação de profissionais.

A prática regular ajuda no controle do peso, da pressão arterial e da glicose. Também pode favorecer o sono, melhorar o equilíbrio, preservar a autonomia no envelhecimento e contribuir para a saúde mental. Para pessoas idosas, manter o corpo ativo ajuda ainda a reduzir o risco de quedas e a preservar a independência.

Outro ponto é o comportamento sedentário, caracterizado por longos períodos sentados ou deitados durante o dia, geralmente em frente a telas. Interromper esse tempo com pequenas caminhadas, alongamentos ou tarefas em pé é uma forma de reduzir a permanência prolongada na mesma posição.

Sono afeta a disposição e o funcionamento do organismo

Dormir bem é parte importante de uma rotina saudável. O sono participa da recuperação física, da consolidação da memória, da regulação do humor e do funcionamento do sistema imunológico. No dia seguinte, noites mal dormidas podem afetar a concentração, a produtividade e a capacidade de tomar decisões.

Manter horários relativamente regulares para dormir e acordar, reduzir o uso de telas antes de deitar e evitar estimulantes próximo ao horário do sono são medidas que podem ajudar. O ambiente também deve ser silencioso, escuro e confortável sempre que possível.

Uma noite ruim ocasionalmente não significa, por si só, a existência de um problema de saúde. Porém, dificuldades persistentes para dormir, roncos intensos, pausas na respiração, sonolência excessiva durante o dia ou despertares frequentes devem ser avaliados por um profissional.

O sono também se relaciona com outros hábitos. O excesso de cafeína, o consumo de álcool, o sedentarismo e o uso de dispositivos eletrônicos até tarde podem prejudicar a rotina de descanso. Por isso, melhorar o sono costuma exigir mudanças em mais de um comportamento.

Uso de telas exige equilíbrio

Celulares, computadores e televisores fazem parte do trabalho, do estudo e da comunicação. O problema aparece quando o tempo de tela substitui o sono, o movimento, as refeições tranquilas, a convivência ou outras atividades necessárias ao bem-estar.

Entre crianças e adolescentes, o uso prolongado de dispositivos pode favorecer o sedentarismo e dificultar a organização do sono. Para adultos, o excesso também pode contribuir para dores musculares, cansaço visual e menor tempo dedicado à atividade física.

Algumas medidas simples ajudam a estabelecer limites: fazer pausas durante o trabalho, evitar refeições diante das telas, manter o celular longe da cama e definir horários para desconectar-se. O objetivo não é eliminar a tecnologia, mas impedir que ela ocupe todo o espaço da rotina.

Álcool e tabaco ampliam riscos

O consumo de bebidas alcoólicas pode afetar a saúde física, mental e social. O risco varia conforme a quantidade, a frequência, a idade, as condições de saúde e o uso de medicamentos. Além de prejudicar o fígado e o sistema cardiovascular, o álcool pode aumentar a probabilidade de acidentes, conflitos e decisões impulsivas.

Não dirigir após beber é uma medida essencial de segurança. Também é necessário atenção a situações em que o álcool é usado para lidar com ansiedade, tristeza, insônia ou problemas cotidianos. Nesses casos, procurar apoio profissional pode ajudar a identificar alternativas mais seguras.

O tabagismo é um fator de risco para doenças respiratórias, cardiovasculares e diferentes tipos de câncer. A Organização Mundial da Saúde considera o tabaco uma das principais ameaças à saúde pública, associado a milhões de mortes anuais no mundo. (who.int)

Parar de fumar pode ser difícil porque a nicotina causa dependência. A tentativa não precisa ser feita sem apoio: unidades de saúde podem orientar o tratamento, avaliar a necessidade de acompanhamento e indicar estratégias para lidar com a abstinência. Cigarros eletrônicos também não devem ser tratados como produtos inofensivos.

Saúde mental também depende da rotina

Os hábitos cotidianos influenciam o humor, a disposição e a capacidade de enfrentar situações de estresse. Atividade física, sono regular, alimentação adequada, convivência social e momentos de descanso podem contribuir para o equilíbrio emocional, embora não substituam o atendimento quando há sofrimento intenso.

Sintomas como tristeza persistente, irritabilidade intensa, falta de interesse por atividades, crises de ansiedade, alterações importantes no sono ou pensamentos de autolesão exigem atenção. A pessoa pode procurar uma unidade de saúde ou um serviço de emergência em situações de risco imediato.

Manter vínculos sociais é outro fator de proteção. Conversar com familiares, amigos, vizinhos ou grupos comunitários pode reduzir o isolamento. Em cidades grandes ou pequenas de Santa Catarina, iniciativas locais, atividades coletivas e serviços públicos podem funcionar como pontos de apoio, desde que estejam disponíveis no município.

Prevenção inclui acompanhamento de saúde

Adotar hábitos saudáveis não elimina completamente o risco de doenças. Fatores genéticos, idade, condições de trabalho e outras circunstâncias também interferem na saúde. Por isso, a prevenção deve incluir acompanhamento regular, vacinação, exames indicados para cada faixa etária e controle de condições como hipertensão, diabetes e colesterol elevado.

O atendimento na Unidade Básica de Saúde pode orientar mudanças na alimentação, atividade física, cessação do tabagismo e acompanhamento de doenças crônicas. A busca por atendimento deve ocorrer também quando há sintomas persistentes ou mudanças importantes no estado de saúde.

O Vigitel, sistema do Ministério da Saúde, monitora fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais brasileiras, incluindo indicadores relacionados à alimentação, atividade física, tabagismo, álcool e excesso de peso. Esses dados ajudam a orientar políticas públicas, mas não substituem uma avaliação individual. (gov.br)

Mudanças graduais tendem a ser mais sustentáveis

Transformar todos os hábitos de uma vez pode gerar frustração. Uma alternativa é escolher uma mudança inicial, como incluir uma fruta no dia, caminhar por alguns minutos, reduzir o refrigerante ou estabelecer um horário para desligar as telas à noite.

Depois que a prática se torna mais fácil, outras metas podem ser acrescentadas. Registrar horários, identificar situações que dificultam a mudança e buscar apoio de familiares ou profissionais também aumenta a chance de continuidade.

O mais importante é compreender que saúde não é resultado de uma única escolha, mas de um conjunto de comportamentos construídos ao longo do tempo. Em Santa Catarina ou em qualquer outra região, uma rotina com alimentação adequada, movimento, sono, convivência e prevenção pode contribuir para mais qualidade de vida e para a redução de riscos à saúde.