A desidratação ocorre quando o organismo perde mais água e sais minerais do que consegue repor. O problema pode aparecer após episódios de diarreia e vômitos, durante períodos de calor intenso, em atividades físicas prolongadas ou quando a pessoa não consegue ingerir líquidos suficientes.
Reconhecer os primeiros sinais de desidratação é importante para evitar o agravamento do quadro. Sede intensa, boca seca, redução da urina, cansaço e tontura estão entre os sintomas mais frequentes. Em situações graves, podem surgir confusão mental, sonolência, pressão baixa, respiração alterada e perda de consciência.
As orientações são especialmente importantes em Santa Catarina e em outras regiões onde as temperaturas podem subir durante o verão. A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina inclui a desidratação entre os problemas associados à exposição excessiva ao calor e também alerta para a prevenção de doenças diarreicas relacionadas ao consumo de água ou alimentos contaminados. Mais informações podem ser consultadas no portal da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina.
O que é desidratação
A água participa do controle da temperatura corporal, do funcionamento do coração, da circulação, da digestão e da atividade dos rins. Quando há perda excessiva de líquidos, o organismo passa a economizar água e pode ter dificuldade para manter essas funções.
A perda pode acontecer por suor excessivo, febre, diarreia, vômitos, sangramentos ou aumento da eliminação de urina. Também pode ser causada pela baixa ingestão de líquidos, principalmente entre bebês, idosos, pessoas acamadas e pacientes que dependem de ajuda para beber água.
Em quadros associados à diarreia e aos vômitos, não se perde apenas água. O organismo também elimina sais importantes, como sódio e potássio. Por isso, em determinadas situações, a simples ingestão de água pode não ser suficiente para corrigir o desequilíbrio.
Principais sinais de desidratação
Os sintomas variam conforme a quantidade de líquido perdida, a idade e as condições de saúde da pessoa. Entre os sinais mais comuns estão:
- sede intensa;
- boca, língua e mucosas secas;
- redução da quantidade de urina;
- urina mais escura e concentrada;
- cansaço, fraqueza ou indisposição;
- tontura, especialmente ao se levantar;
- dor de cabeça;
- pele seca;
- olhos fundos;
- redução ou ausência de lágrimas ao chorar;
- cãibras musculares;
- batimentos cardíacos acelerados.
A sede é um sinal de alerta, mas sua ausência não significa que a pessoa esteja adequadamente hidratada. Bebês, idosos e pessoas com algumas doenças podem não perceber ou não conseguir comunicar a sensação de sede.
Informações do Ministério da Saúde destacam, entre os sinais observáveis, olhos fundos, boca seca, ausência de lágrimas, muita sede, pouca urina e, em bebês, o afundamento da moleira.
Como identificar a desidratação em crianças
Em crianças pequenas, o quadro pode evoluir rapidamente, sobretudo quando há diarreia, vômitos ou febre. Os responsáveis devem observar o comportamento e a ingestão de líquidos, além da frequência das trocas de fralda.
São sinais de atenção a boca seca, choro sem lágrimas, olhos fundos, pouca urina, fraldas menos molhadas, irritabilidade, sonolência fora do habitual e recusa para mamar ou beber. Em bebês, o afundamento da fontanela, conhecida popularmente como moleira, pode indicar perda importante de líquidos.
Também é importante acompanhar a frequência dos episódios de diarreia e vômito. Vômitos repetidos, sangue nas fezes, piora do estado geral e redução da diurese são motivos para procurar atendimento de saúde, conforme as orientações do Ministério da Saúde para doenças diarreicas agudas.
Crianças em aleitamento materno devem continuar mamando. A oferta de líquidos ou de solução de sais de reidratação oral deve seguir a orientação do serviço de saúde, especialmente no caso de bebês pequenos.
Sinais de desidratação em idosos
Idosos estão entre os grupos mais vulneráveis porque podem sentir menos sede, ter dificuldade para se locomover até uma fonte de água ou depender de outra pessoa para beber líquidos. O uso de alguns medicamentos e a presença de doenças crônicas também podem aumentar o risco.
Além dos sintomas comuns, a desidratação em idosos pode aparecer como confusão mental, fraqueza repentina, sonolência, queda, dificuldade para realizar tarefas habituais e alteração do comportamento. A redução da urina também deve ser observada.
Se houver vômitos, diarreia, febre, dificuldade para engolir, recusa de líquidos ou mudança súbita no estado mental, é recomendável buscar avaliação profissional. Pessoas com insuficiência renal, insuficiência cardíaca, diabetes ou outras condições devem seguir a orientação individual do médico sobre a quantidade e o tipo de líquido a ser ingerido.
Quando a desidratação é grave
Alguns sintomas indicam que a pessoa precisa de atendimento médico com urgência. Entre eles estão:
- confusão mental, desmaio ou dificuldade para despertar;
- fraqueza intensa ou incapacidade de permanecer em pé;
- respiração profunda ou acelerada;
- pulso fraco ou batimentos muito acelerados;
- pressão arterial baixa;
- pele fria, pálida ou manchada;
- ausência de urina por período prolongado;
- incapacidade de beber ou manter líquidos no estômago;
- vômitos persistentes;
- sangue nas fezes ou no vômito;
- convulsões ou perda de consciência.
A combinação de desidratação com exposição intensa ao calor pode indicar insolação, uma emergência médica. O Ministério da Saúde orienta que o atendimento seja imediato quando surgem sinais graves relacionados ao calor.
Em situações de urgência ou emergência, como desmaio, convulsão, alteração importante da consciência ou dificuldade para respirar, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pode ser acionado pelo telefone 192. O SAMU orienta que o serviço seja utilizado quando há risco de morte, sequela ou sofrimento intenso.
O que fazer diante dos primeiros sintomas
Quando a pessoa está consciente, consegue engolir e apresenta sinais leves, a orientação geral é oferecer líquidos em pequenas quantidades e com frequência. Beber devagar pode ajudar a reduzir o risco de vômitos.
Em casos de diarreia ou vômitos, a solução de sais de reidratação oral, disponível em unidades de saúde e farmácias, pode ser indicada para repor água e eletrólitos. O produto deve ser preparado exatamente conforme as instruções da embalagem. Não se deve alterar a quantidade de água nem acrescentar açúcar, sal ou outros ingredientes.
O manual do Ministério da Saúde recomenda a oferta de líquidos ou solução de reidratação oral em pequenas quantidades e com maior frequência. Se a pessoa continuar desidratada ou apresentar piora, deve ser reavaliada por uma equipe de saúde.
Não é recomendado oferecer bebidas alcoólicas, refrigerantes ou bebidas muito açucaradas como substitutos da solução de reidratação oral. Também não se deve administrar medicamentos por conta própria para interromper a diarreia ou os vômitos, principalmente em crianças.
Como prevenir a desidratação
A prevenção começa com a ingestão regular de água ao longo do dia, sem esperar o surgimento de sede intensa. Em dias quentes, durante exercícios ou em ambientes abafados, a necessidade de líquidos pode aumentar.
Também é importante manter a hidratação durante episódios de febre, vômitos ou diarreia e observar com mais atenção crianças, idosos e pessoas que precisam de ajuda para beber. Quem pratica atividade física deve fazer pausas, evitar os horários de maior calor e procurar locais ventilados ou com sombra.
A segurança da água e dos alimentos também reduz o risco de doenças que podem causar desidratação. A água deve ser tratada, filtrada ou fervida quando não houver garantia de potabilidade. Alimentos crus ou malpassados, especialmente carnes e pescados, exigem cuidados de higiene, conservação e preparo.
Em períodos de calor intenso, o Ministério da Saúde recomenda beber água regularmente, mesmo quando não houver sede, e evitar o consumo de bebidas alcoólicas. Pessoas com doenças crônicas devem seguir as orientações da equipe de saúde sobre hidratação e medicamentos.
Quando procurar uma unidade de saúde
A avaliação profissional é indicada quando os sintomas não melhoram, quando a pessoa não consegue beber líquidos ou quando há perda contínua por vômitos, diarreia, febre ou suor excessivo.
Também é importante procurar atendimento diante de pouca urina, muita sede, sangue nas fezes, recusa de alimentos ou líquidos, piora da diarreia e vômitos repetidos. Em crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas, a busca por orientação deve ser mais precoce.
A desidratação pode parecer inicialmente um mal-estar passageiro, mas o agravamento pode comprometer a circulação, os rins e o funcionamento do cérebro. Observar os sinais, iniciar a reposição adequada de líquidos e procurar ajuda no momento certo são medidas essenciais para reduzir o risco de complicações.
Importante: este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui avaliação médica. A causa da desidratação e a forma de tratamento dependem da idade, dos sintomas, do estado clínico e das doenças ou medicamentos em uso.
Fontes consultadas: Ministério da Saúde — Doenças diarreicas agudas; Caderno de Atenção Domiciliar; Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina.