terça-feira, 29 de setembro de 2026
SAÚDE

Cuidados com a saúde durante viagens por Santa Catarina: veja como se prevenir

Quem viaja por Santa Catarina deve planejar cuidados de saúde de acordo com o roteiro. Vacinas em dia, uso de repelente, proteção solar, hidratação e atenção a sinais de urgência são medidas importantes para aproveitar praias, trilhas, áreas rurais e cidades da serra com mais segurança.

Viajar por Santa Catarina exige mais do que definir o roteiro, reservar hospedagem e acompanhar a previsão do tempo. As diferenças entre o litoral, as áreas rurais, as regiões de serra e os centros urbanos também influenciam os cuidados necessários para preservar a saúde durante o deslocamento.

Praias, trilhas, cachoeiras, parques, estradas e mudanças bruscas de temperatura fazem parte da experiência de quem visita o estado. Para reduzir riscos, o ideal é organizar a viagem com antecedência, conferir a carteira de vacinação, levar medicamentos de uso contínuo e adotar medidas de proteção contra o sol, os mosquitos, a desidratação e acidentes.

As recomendações gerais do Ministério da Saúde indicam que o viajante procure orientação profissional entre quatro e oito semanas antes da viagem, sobretudo quando há doenças crônicas, gestação, uso contínuo de remédios ou planos de realizar atividades de maior esforço físico.

Planejamento começa antes da viagem

O primeiro passo é avaliar o roteiro completo. Uma viagem concentrada em áreas urbanas pode exigir cuidados diferentes de um percurso que inclua acampamentos, estradas rurais, travessias, praias isoladas ou caminhadas em áreas de mata.

Também é importante considerar a duração do deslocamento, a disponibilidade de atendimento médico no destino, as condições das estradas e o tipo de hospedagem. Em regiões mais afastadas, o acesso a farmácias e unidades de saúde pode ser mais limitado, o que reforça a necessidade de levar itens básicos e medicamentos prescritos em quantidade suficiente para todo o período.

Medicamentos de uso contínuo devem ser transportados, de preferência, na embalagem original e acompanhados da receita ou de documento que identifique o tratamento. Quando a viagem envolve avião ou longos deslocamentos, é recomendável manter os remédios na bagagem de mão, respeitando as regras da empresa de transporte.

Pessoas com diabetes, hipertensão, alergias, doenças cardíacas, respiratórias ou outras condições que demandem atenção devem carregar informações básicas sobre o próprio estado de saúde. Dados como tipo sanguíneo, alergias, medicamentos utilizados e contato de emergência podem facilitar o atendimento em caso de necessidade.

Vacinação deve estar atualizada

Antes de viajar, o visitante deve conferir se as vacinas de rotina estão em dia. A atualização da imunização depende da idade, das condições de saúde, do histórico vacinal e do destino, por isso a orientação deve ser individualizada por um profissional de saúde.

A febre amarela merece atenção especial em roteiros que incluem áreas rurais, de mata, ecoturismo, pesca ou esportes de aventura. A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina informa que a doença é transmitida por mosquitos e que a prevenção inclui vacinação e proteção contra picadas.

Segundo o Ministério da Saúde, a vacina contra a febre amarela deve ser administrada pelo menos dez dias antes da viagem para que a pessoa seja considerada protegida. Uma dose é considerada suficiente para proteção por toda a vida, mas a indicação deve respeitar as recomendações oficiais e as condições clínicas de cada pessoa.

A vacina está disponível na rede pública, mas há situações que exigem avaliação profissional, como determinadas condições de saúde, uso de medicamentos específicos, gestação e idade. Não é recomendável tomar a decisão com base apenas em informações encontradas nas redes sociais.

O viajante também deve acompanhar os comunicados das autoridades sanitárias antes do embarque. Alertas epidemiológicos podem mudar conforme a circulação de doenças, a ocorrência de surtos e as características do destino escolhido.

Repelente e roupas adequadas ajudam a evitar picadas

O uso de repelente é uma medida importante durante atividades ao ar livre, principalmente em trilhas, áreas de mata, regiões rurais e locais com maior presença de mosquitos. O produto deve ser aplicado de acordo com as instruções do fabricante e reaplicado quando necessário.

Roupas de mangas compridas, calças e calçados fechados também ajudam a reduzir a exposição. Em caminhadas, o ideal é evitar sandálias e roupas que deixem grande parte da pele descoberta. A escolha deve levar em conta o clima, a duração da atividade e o tipo de terreno.

O visitante não deve tocar em animais silvestres, mesmo quando eles parecem dóceis ou estão próximos de áreas turísticas. Primatas encontrados mortos ou doentes, por exemplo, podem ser sinais importantes para a vigilância da febre amarela. A recomendação é não manipular o animal e comunicar o fato às autoridades locais.

Em caso de picada por animal peçonhento, a pessoa deve procurar atendimento médico o mais rápido possível. Não é indicado fazer cortes, sucção, torniquetes ou aplicar substâncias sobre o local. Se for seguro, uma fotografia do animal pode ajudar na identificação, mas não se deve tentar capturá-lo.

Sol, calor e desidratação exigem atenção

As praias e atividades ao ar livre estão entre as principais atrações de Santa Catarina, mas a exposição prolongada ao sol pode causar queimaduras, mal-estar e desidratação. O protetor solar deve ser aplicado conforme as orientações da embalagem e reaplicado depois de contato com a água ou de transpiração intensa.

Chapéu, boné, óculos escuros e roupas leves ampliam a proteção. Também é recomendável reduzir a exposição direta nos horários de maior incidência solar, especialmente entre o fim da manhã e o início da tarde.

A hidratação deve ocorrer ao longo do dia, e não apenas quando surge a sensação de sede. Crianças, idosos, gestantes e pessoas que fazem atividades físicas precisam de atenção adicional. Sinais como tontura, fraqueza, dor de cabeça, boca seca, confusão ou redução da urina podem indicar que o corpo está sofrendo com a falta de líquidos e exige avaliação.

Quem pretende fazer trilhas, subir morros ou praticar esportes deve adaptar o esforço ao próprio condicionamento. O percurso precisa ser compatível com a experiência do grupo, e é importante informar alguém sobre o trajeto previsto, levar água, carregar o celular e evitar caminhadas isoladas em áreas desconhecidas.

Alimentação e água também fazem parte da prevenção

Durante a viagem, é preciso observar as condições de higiene dos locais onde as refeições são preparadas e servidas. Alimentos perecíveis expostos ao calor, água de procedência desconhecida e comidas malconservadas podem provocar diarreia, vômitos e outros problemas gastrointestinais.

Lavar as mãos antes das refeições e depois de usar transporte público, visitar locais movimentados ou realizar atividades ao ar livre é uma medida simples e eficaz. Quando não houver água e sabão, o álcool em gel pode ser utilizado como alternativa, desde que as mãos não estejam visivelmente sujas.

Em passeios longos, alimentos que precisam de refrigeração devem ser transportados de forma adequada. Também é importante evitar o consumo de água de rios, cachoeiras ou fontes sem confirmação de que ela é própria para consumo.

Se surgirem diarreia intensa, vômitos persistentes, febre, sangue nas fezes ou sinais de desidratação, a pessoa deve procurar atendimento. Crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas podem se desidratar mais rapidamente.

Cuidados em praias, rios, cachoeiras e piscinas

Afogamentos podem ocorrer mesmo em locais conhecidos e com pouca profundidade. A recomendação é respeitar sinalizações, orientações de salva-vidas e condições do mar, dos rios e das cachoeiras. Crianças devem permanecer sob supervisão constante de um adulto, sem que a responsabilidade seja transferida para outra criança.

O visitante deve evitar entrar na água depois de consumir bebida alcoólica ou quando estiver cansado, com frio intenso ou debilitado. Em rios e cachoeiras, pedras escorregadias, correntezas e mudanças repentinas de profundidade aumentam o risco de quedas e acidentes.

Em caso de emergência dentro ou perto da água, não é seguro tentar um resgate sem treinamento. A prioridade é chamar ajuda, acionar o serviço de emergência e lançar um objeto flutuante, quando possível, sem colocar outra pessoa em risco.

Frio, variação de temperatura e doenças respiratórias

As regiões serranas podem apresentar temperaturas mais baixas, principalmente à noite e durante o inverno. Quem sai de uma área litorânea quente para um destino de serra deve levar roupas adequadas e evitar permanecer molhado ou exposto ao vento por longos períodos.

Ambientes fechados e muito cheios facilitam a disseminação de vírus respiratórios. Manter a vacinação de rotina em dia, higienizar as mãos e evitar contato próximo quando houver sintomas são medidas úteis durante deslocamentos e hospedagens compartilhadas.

Pessoas com febre, tosse, falta de ar ou piora de doenças respiratórias devem buscar avaliação. A falta de ar intensa, a dor no peito, a confusão mental e a coloração arroxeada nos lábios são sinais de gravidade e exigem atendimento imediato.

O que fazer em uma emergência

O Sistema Único de Saúde oferece atendimento gratuito na rede pública. Em situações de urgência ou emergência, o viajante pode acionar o SAMU pelo número 192. O serviço funciona 24 horas e atende ocorrências como acidentes graves, afogamentos, problemas cardiorrespiratórios, intoxicações e outras situações que exigem resposta imediata.

Ao ligar, é importante informar com clareza o local do atendimento, um ponto de referência, o que aconteceu e o estado da vítima. Não se deve desligar antes da orientação do profissional que receber a chamada.

Para quadros sem sinais de risco imediato, o viajante pode procurar uma unidade de saúde ou uma Unidade de Pronto Atendimento, quando houver esse serviço no município. Em caso de dúvida, a orientação é buscar atendimento em vez de tentar tratar sintomas intensos por conta própria.

Checklist antes de sair de casa

  • Conferir a carteira de vacinação e verificar se há recomendação específica para o roteiro.
  • Levar medicamentos de uso contínuo, receitas e informações sobre alergias ou doenças preexistentes.
  • Separar repelente, protetor solar, chapéu, roupas adequadas e calçados fechados.
  • Planejar o consumo de água e alimentos durante trilhas e deslocamentos longos.
  • Informar familiares ou amigos sobre o roteiro em áreas rurais, de mata ou de difícil acesso.
  • Verificar os canais de emergência e a localização dos serviços de saúde do destino.
  • Adiar atividades intensas se houver febre, mal-estar ou condição clínica descompensada.

Com planejamento e medidas preventivas, é possível reduzir os principais riscos associados às viagens por Santa Catarina. A preparação não elimina imprevistos, mas facilita a tomada de decisão e contribui para que o visitante aproveite praias, serras, trilhas e cidades do estado com mais segurança.