terça-feira, 29 de setembro de 2026
SAÚDE

Cuidados com a exposição prolongada ao sol em Santa Catarina: como proteger a pele e evitar riscos à saúde

A exposição prolongada ao sol exige cuidados durante todo o ano em Santa Catarina. Veja como reduzir os efeitos da radiação ultravioleta, aplicar o protetor solar corretamente, proteger crianças e trabalhadores ao ar livre e identificar sinais que precisam de avaliação médica.

A exposição prolongada ao sol exige atenção durante todo o ano, inclusive em Santa Catarina. Praias, piscinas, trilhas, atividades esportivas e trabalhos realizados ao ar livre aumentam o tempo de contato com a radiação ultravioleta (UV), que pode provocar queimaduras, envelhecimento precoce, lesões nos olhos, desidratação e câncer de pele.

O risco não se limita aos dias de céu aberto. A radiação UV também pode chegar à pele de forma dispersa e refletida por superfícies como água, areia e outras áreas claras. Por isso, permanecer na sombra, usar roupas adequadas e reaplicar o protetor solar são medidas importantes mesmo quando a temperatura não parece tão alta ou o céu está nublado. (gov.br)

Por que a exposição excessiva preocupa

A radiação ultravioleta é o principal fator de risco ambiental para o câncer de pele. O efeito é cumulativo: exposições repetidas, queimaduras e longos períodos ao sol podem provocar alterações que aparecem muitos anos depois. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), crianças e adolescentes merecem atenção especial porque a exposição excessiva nas primeiras décadas de vida está associada ao aumento do risco de problemas futuros.

Pessoas de pele, cabelos e olhos claros apresentam maior vulnerabilidade, especialmente quando se queimam com facilidade. No entanto, a proteção é necessária para todos os tons de pele. Pessoas negras também podem sofrer queimaduras, alterações causadas pelo sol e câncer de pele, ainda que a melanina ofereça alguma proteção natural. (gov.br)

O câncer de pele é o tumor mais frequente no Brasil. O melanoma é menos comum do que os tipos não melanoma, mas pode ser mais grave por sua capacidade de se espalhar para outros órgãos. A prevenção e a identificação precoce de manchas ou feridas suspeitas ajudam a reduzir os riscos e favorecem o tratamento.

Evite os horários de maior intensidade

A principal orientação das autoridades de saúde é reduzir a exposição direta entre 10h e 16h, período em que a radiação solar costuma ser mais intensa. Sempre que possível, atividades na praia, no campo, em parques ou em áreas esportivas devem ser programadas para o início da manhã ou para o fim da tarde.

Quando não for possível evitar o período de maior intensidade, a recomendação é combinar diferentes formas de proteção: buscar locais cobertos ou sombreados, utilizar roupas que cubram a pele, proteger a cabeça e os olhos e aplicar filtro solar nas áreas expostas. Nenhuma dessas medidas deve ser tratada como autorização para permanecer por tempo indeterminado sob o sol.

A sombra reduz a exposição direta, mas não elimina completamente a radiação UV. Por isso, mesmo debaixo de guarda-sol, toldo ou árvore, é necessário manter roupas, chapéu, óculos e protetor solar, principalmente em ambientes próximos à água ou à areia. (gov.br)

Como usar o protetor solar

O filtro solar deve ser usado como parte de uma estratégia de proteção, e não como substituto da sombra, das roupas ou da redução do tempo de exposição. Para o uso diário, é importante escolher um produto de amplo espectro, capaz de proteger contra as radiações UVA e UVB, e seguir as instruções do rótulo.

Em geral, recomenda-se aplicar o produto antes da exposição e cobrir todas as áreas descobertas, incluindo rosto, orelhas, pescoço, nuca, mãos, braços, pernas e dorso dos pés. Lábios também precisam de proteção específica. A quantidade aplicada interfere no nível de proteção efetivamente obtido, e passar uma camada muito fina pode reduzir o efeito indicado na embalagem.

A reaplicação deve ocorrer durante a exposição, especialmente após entrar na água, nadar, praticar atividade física, transpirar muito ou se secar com toalha. Mesmo os produtos classificados como resistentes à água não são permanentes. A proteção também deve ser renovada ao longo do dia, conforme as orientações do fabricante e as condições de uso. (gov.br)

O fator de proteção solar, conhecido como FPS, está relacionado principalmente à proteção contra a radiação UVB e às queimaduras. A escolha deve considerar o tipo de pele, a duração da exposição, o ambiente e a orientação de profissionais de saúde. Para muitas situações, produtos com FPS 30 ou superior são recomendados, mas o número do fator não elimina a necessidade de reaplicar o produto nem de usar barreiras físicas.

Roupas, chapéu e óculos também protegem

Roupas de tecido fechado, camisas de manga longa, calças, chapéus e bonés ajudam a diminuir o contato direto da radiação com a pele. Em exposições intensas ou prolongadas, podem ser consideradas peças com proteção UV, desde que utilizadas de acordo com as instruções do fabricante.

Chapéus de abas largas protegem melhor o rosto, as orelhas e a nuca do que bonés convencionais. Os olhos também precisam de cuidado: óculos escuros com proteção contra radiação UV ajudam a reduzir a exposição ocular. A aparência escura das lentes, sozinha, não comprova que o acessório ofereça proteção adequada.

Trabalhadores rurais, pescadores, profissionais da construção civil, vendedores ambulantes, agentes de limpeza urbana, atletas e outras pessoas que permanecem muitas horas ao ar livre devem ter acesso a pausas em locais protegidos, hidratação e equipamentos adequados. A organização da jornada pode reduzir o tempo de exposição nos horários mais críticos. (gov.br)

Crianças precisam de proteção reforçada

A pele infantil é especialmente vulnerável ao excesso de radiação solar. Bebês não devem ser submetidos a exposição prolongada, sobretudo em praias e piscinas. Para crianças maiores, a proteção deve incluir sombra, roupas, chapéu, óculos e filtro solar apropriado para a idade.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda evitar a exposição deliberada de crianças ao sol sem proteção. O filtro deve ser aplicado em quantidade suficiente e reaplicado após água ou transpiração intensa. Em bebês e crianças pequenas, o produto e a forma de uso devem seguir a faixa etária indicada na embalagem e a orientação do pediatra.

Também é importante não deixar crianças sozinhas em veículos estacionados, mesmo por pouco tempo. O interior do carro pode aquecer rapidamente, elevando o risco de desidratação, exaustão térmica e insolação. (sbp.com.br)

Sol forte também aumenta o risco de desidratação

A exposição prolongada ao calor e ao sol pode causar perda de água e sais minerais. Dor de cabeça, tontura, fraqueza, náusea, cansaço intenso, pele muito quente e mal-estar são sinais que exigem interrupção da atividade e ida para um local fresco, ventilado e protegido.

A orientação geral é beber água regularmente, sem esperar a sede aparecer, sobretudo durante exercícios, deslocamentos longos e trabalhos ao ar livre. Bebidas alcoólicas podem favorecer a desidratação e não devem ser usadas para substituir a água. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas precisam de atenção redobrada durante períodos de calor intenso.

Em caso de confusão mental, desmaio, dificuldade para respirar, convulsão, temperatura corporal muito elevada ou piora rápida, é necessário procurar atendimento de emergência. A insolação pode ser grave e não deve ser tratada apenas com repouso em casa. (gov.br)

Como reconhecer sinais suspeitos na pele

A proteção solar não elimina a necessidade de observar a própria pele. Mudanças em pintas, manchas ou feridas devem ser acompanhadas, principalmente quando há histórico pessoal ou familiar de câncer de pele, grande quantidade de sinais ou muitos anos de exposição ao sol.

É recomendável buscar avaliação médica diante de uma lesão que muda de cor, formato ou tamanho, apresenta bordas irregulares, sangra, forma crostas repetidamente ou não cicatriza. Também merecem atenção manchas novas, áreas que coçam ou feridas que permanecem por semanas.

O melanoma pode surgir em diferentes partes do corpo, inclusive em regiões pouco expostas. Por isso, a observação deve incluir couro cabeludo, costas, entre os dedos, plantas dos pés e áreas cobertas. Tatuagens podem dificultar a visualização de alterações e não devem impedir o acompanhamento da pele.

Somente um profissional de saúde pode avaliar uma lesão, confirmar um diagnóstico e indicar tratamento. O uso de cremes, receitas caseiras ou medicamentos por conta própria pode atrasar a identificação do problema. (gov.br)

Proteção deve fazer parte da rotina em Santa Catarina

Em Santa Catarina, os cuidados são importantes tanto para quem vive no litoral quanto para moradores de áreas rurais, urbanas e serranas. A exposição pode ocorrer durante deslocamentos, atividades profissionais, práticas esportivas e momentos de lazer. O risco não desaparece no inverno, em dias nublados ou fora da praia.

A melhor estratégia é combinar medidas: reduzir o tempo sob o sol, evitar os horários de maior intensidade, procurar sombra, usar roupas e acessórios adequados, aplicar protetor solar e manter a hidratação. Acompanhar os avisos meteorológicos e as orientações da Defesa Civil também ajuda a reconhecer períodos de calor intenso e a planejar atividades ao ar livre com mais segurança.

Com hábitos simples e contínuos, é possível aproveitar o sol com menor risco à saúde. A proteção deve começar antes da queimadura: quando a pele fica vermelha, arde ou descasca, já houve dano causado pela radiação.

Importante: este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui consulta médica. Pessoas com lesões suspeitas, queimaduras extensas, sintomas de insolação ou condições de saúde que aumentem a sensibilidade ao sol devem procurar um serviço de saúde.