Atividades na água fazem parte da rotina de moradores e visitantes de Santa Catarina, especialmente em praias, rios, lagoas, represas e piscinas. Apesar de associadas ao lazer, essas práticas envolvem riscos que podem aumentar quando há correnteza, mar agitado, consumo de álcool, exposição prolongada ao sol ou falta de supervisão.
Os cuidados com a saúde durante atividades na água começam antes da entrada no mar ou na piscina. É necessário observar as condições do ambiente, respeitar a sinalização, escolher locais monitorados e avaliar os próprios limites. Medidas simples ajudam a prevenir afogamentos, queimaduras, desidratação, acidentes com águas-vivas e problemas relacionados à qualidade da água.
Escolha locais seguros para o banho
Em praias, a recomendação do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina é permanecer próximo aos postos de guarda-vidas e seguir as bandeiras instaladas na areia e nos postos de atendimento. A bandeira verde indica menor risco relativo, enquanto a amarela sinaliza atenção e a vermelha representa alto risco de afogamento. Mesmo em áreas sinalizadas com bandeira verde, o risco não desaparece.
A sinalização na faixa de areia também deve ser observada. A bandeira vermelha pode indicar um local perigoso, com presença de buracos, correntezas ou outros obstáculos. Nesses pontos, a orientação é não entrar na água. Em caso de dúvida, o banhista deve procurar um guarda-vidas e pedir informações sobre as condições daquele trecho.
Em rios, cachoeiras, lagoas e represas, o cuidado precisa ser redobrado. A profundidade pode ser desconhecida, a correnteza pode mudar rapidamente e nem sempre há profissionais de salvamento. O Corpo de Bombeiros orienta a priorizar locais conhecidos, rasos, sem correnteza intensa e, quando possível, monitorados por guarda-vidas. (cbm.sc.gov.br)
Previna afogamentos em praias, rios e piscinas
O afogamento pode ocorrer de forma rápida e silenciosa. Por isso, crianças nunca devem ficar sozinhas próximas à água, mesmo quando usam boias ou estão em áreas supervisionadas. A atenção precisa ser constante e estar voltada exclusivamente à criança, sem depender apenas de celulares, conversas ou outros adultos.
Em piscinas residenciais, recomenda-se instalar cercas de proteção, manter o acesso controlado e evitar brinquedos ou objetos que possam atrair crianças para a área. Ralos devem ter dispositivos de proteção contra sucção. Quando a piscina não estiver em uso, o isolamento do espaço é uma medida adicional de segurança.
Para crianças e pessoas que não sabem nadar, o colete salva-vidas adequado é mais seguro do que boias de braço e outros infláveis, que podem causar uma falsa sensação de proteção. Adultos também podem usar coletes em atividades como passeio de barco, caiaque, stand up paddle e pesca.
Não é recomendável nadar sozinho, desafiar a própria capacidade física ou entrar na água após consumir bebida alcoólica. O álcool reduz a percepção de risco e pode prejudicar a coordenação motora e a capacidade de reação. Também é importante evitar brincadeiras como empurrões, corridas na borda e saltos em locais de profundidade desconhecida.
Como agir diante de uma corrente de retorno
As correntes de retorno são canais de água que se deslocam da praia em direção ao mar e podem arrastar o banhista para longe da faixa de areia. Ao perceber que está sendo levado pela corrente, a pessoa deve manter a calma e evitar nadar diretamente contra o fluxo, pois isso favorece o cansaço.
A orientação é tentar flutuar, sinalizar para pedir ajuda e nadar paralelamente à praia até sair da corrente. Depois, o banhista pode retornar em direção à areia. Quem presencia uma situação desse tipo não deve entrar na água sem treinamento, porque pode se tornar outra vítima. O mais seguro é chamar os guarda-vidas e lançar um objeto flutuante à pessoa em dificuldade.
Em rios, se a correnteza arrastar o banhista, a orientação é manter as pernas voltadas no sentido do fluxo para proteger a cabeça contra pedras e outros obstáculos. Os braços podem ser usados como apoio para tentar se aproximar da margem, sem lutar diretamente contra a correnteza. (cbm.sc.gov.br)
Proteja a pele e evite a desidratação
A exposição ao sol durante atividades na água pode causar queimaduras e favorecer desidratação, especialmente em dias quentes. O uso de protetor solar, roupas adequadas, chapéu ou boné e períodos de descanso à sombra ajuda a reduzir os efeitos da radiação ultravioleta.
A água do mar e da piscina não impede a exposição solar. Pelo contrário, o contato com a água pode dar a impressão de alívio enquanto a pele continua recebendo radiação. Por isso, a proteção deve ser reaplicada conforme as orientações do produto, principalmente após nadar, suar ou secar-se com a toalha.
A hidratação também deve ser mantida ao longo do dia. A sede não é o único sinal de que o organismo precisa de líquidos. Cansaço, tontura, dor de cabeça, fraqueza e boca seca podem indicar desidratação ou superaquecimento. Nesses casos, é importante interromper a atividade, procurar um local fresco e buscar atendimento se os sintomas forem intensos ou persistirem.
Em períodos de calor elevado, deve-se evitar a exposição prolongada nos horários de maior intensidade solar e acompanhar as condições meteorológicas. Tempestades, raios, ventos fortes e mar agitado são motivos para sair da água e procurar abrigo seguro. (dive.sc.gov.br)
Verifique a qualidade da água
Antes de entrar no mar, o banhista deve verificar se a praia está própria para banho. A balneabilidade pode mudar após chuvas intensas, lançamento irregular de esgoto ou outros eventos que alterem a qualidade da água. Em Santa Catarina, informações oficiais e ferramentas de monitoramento podem ajudar na escolha do local.
O contato com água imprópria pode aumentar o risco de doenças gastrointestinais e outras infecções. Também é recomendável evitar engolir água do mar, de rios ou de piscinas e lavar as mãos antes de comer. Crianças pequenas precisam de atenção especial, porque tendem a levar as mãos à boca durante as brincadeiras.
Quem apresentar vômitos, diarreia, dor abdominal, febre ou mal-estar após o contato com água deve observar a evolução dos sintomas e procurar um serviço de saúde quando necessário. A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina relaciona o banho em águas de praias impróprias à possibilidade de doenças diarreicas. (saude.sc.gov.br)
Saiba como evitar acidentes com águas-vivas
A presença de águas-vivas ou caravelas deve ser levada a sério. O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina utiliza bandeira lilás para indicar a ocorrência desses animais em determinados pontos. A presença de exemplares na areia também pode servir de alerta para evitar o contato.
Em caso de queimadura, a pessoa deve procurar um posto de guarda-vidas para receber orientação. O Ministério da Saúde recomenda lavar a área com água do mar e aplicar compressas frias, como água do mar gelada ou cold packs. Não é indicado esfregar a região, usar água doce imediatamente ou aplicar substâncias caseiras sem orientação profissional.
Dor intensa, dificuldade para respirar, alterações na pressão, arritmia, desmaio ou outros sintomas pelo corpo exigem atendimento urgente. Pessoas que apresentarem sinais sistêmicos devem ser encaminhadas a um serviço de saúde. (cbm.sc.gov.br)
Cuidados para praticantes de esportes aquáticos
Atividades como caiaque, stand up paddle, surfe, natação em mar aberto e passeios de barco exigem planejamento. O praticante deve informar alguém sobre o trajeto e o horário previsto de retorno, conferir a previsão do tempo e usar equipamentos compatíveis com a atividade.
O colete salva-vidas deve ser utilizado em embarcações e esportes nos quais exista risco de queda ou afastamento da margem. Também é recomendável evitar sair sozinho, levar meios de comunicação protegidos contra a água e não iniciar a atividade em condições meteorológicas desfavoráveis.
Em costões e áreas rochosas, o risco de escorregões e quedas aumenta com a umidade, a maré e a presença de ondas. Caminhar nesses locais exige atenção, mas a opção mais segura é evitar a aproximação da borda e respeitar qualquer sinalização de perigo.
O que fazer em caso de afogamento
Ao presenciar um afogamento, a primeira medida é acionar ajuda especializada. Em Santa Catarina, o número do Corpo de Bombeiros é 193 e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência atende pelo 192. Se houver guarda-vidas próximo, ele deve ser chamado imediatamente.
Quem não tem treinamento não deve entrar na água para tentar retirar a vítima. É possível lançar um objeto flutuante, como uma boia apropriada, e orientar a pessoa a segurá-lo. A prioridade é evitar que o socorrista também se afogue.
Depois da retirada da água, a vítima deve ser avaliada e encaminhada para atendimento, mesmo que pareça estar bem. Um episódio de submersão pode causar comprometimento respiratório e consequências posteriores. O Ministério da Saúde destaca que o afogamento pode variar em gravidade e que a prevenção é a principal forma de reduzir mortes e sequelas. (saude.sc.gov.br)
Prevenção deve fazer parte do passeio
O lazer em ambientes aquáticos pode ser mais seguro quando a preparação começa antes da chegada à praia, ao rio ou à piscina. Conferir a sinalização, escolher áreas monitoradas, respeitar os próprios limites, evitar álcool, supervisionar crianças e usar equipamentos adequados são atitudes que reduzem riscos.
Em Santa Catarina, a recomendação é consultar as informações disponíveis sobre postos de guarda-vidas, condições da praia, balneabilidade e presença de águas-vivas antes de sair de casa. Durante a atividade, qualquer mudança no tempo, na correnteza ou no estado de saúde deve ser tratada como motivo para interromper o banho.
Com atenção ao ambiente e resposta rápida diante de uma emergência, é possível aproveitar praias, rios, lagoas e piscinas sem transformar um momento de lazer em uma situação de risco.