sábado, 31 de outubro de 2026
Esportes

Pesca esportiva em Santa Catarina ganha espaço entre as atividades ao ar livre

A pesca esportiva em Santa Catarina vem ganhando espaço como atividade de lazer, turismo e contato com a natureza. O estado reúne ambientes costeiros e continentais, mas a prática exige licença, respeito aos períodos de defeso e atenção às regras específicas de cada local.

A pesca esportiva em Santa Catarina vem ganhando espaço entre as atividades ao ar livre e começa a ser tratada também como parte da cadeia de turismo, lazer e conservação ambiental. A modalidade reúne pescadores interessados na experiência de captura, no contato com a natureza e na prática do pesque e solte, sem finalidade comercial.

O movimento ocorre em um estado que combina extensa faixa litorânea, rios, lagoas, represas e áreas rurais. Essa diversidade cria oportunidades para diferentes perfis de praticantes, desde quem pesca de forma desembarcada até grupos que utilizam embarcações autorizadas e contratam serviços especializados.

Em março de 2026, o governo de Santa Catarina reconheceu a pesca esportiva como atividade de relevante interesse econômico. A medida destacou o potencial do segmento para estimular empregos, fortalecer o turismo e valorizar os recursos pesqueiros dentro da chamada economia azul catarinense. (saq.sc.gov.br)

Uma atividade ligada ao lazer e ao turismo

A pesca esportiva se diferencia da pesca profissional porque não tem objetivo comercial. O praticante pode buscar lazer, turismo ou esporte, mas não pode vender o pescado capturado. Conforme as regras federais, a produção obtida pode ser destinada ao consumo próprio, à ornamentação, à obtenção de iscas vivas ou ao pesque e solte, sempre dentro dos limites previstos na legislação. (gov.br)

Na prática esportiva, o pesque e solte ocupa posição central. O peixe é retirado da água apenas pelo tempo necessário para a medição, o registro fotográfico ou a avaliação da captura e, depois, devolvido ao ambiente. A conduta exige cuidado no manuseio, uso de equipamentos adequados e atenção para reduzir ferimentos e o tempo de exposição do animal fora da água.

O interesse pela modalidade também está relacionado à busca por experiências ao ar livre. Em vez de uma atividade concentrada apenas no resultado da captura, a pesca esportiva costuma envolver deslocamento, observação da paisagem, convivência entre participantes e permanência em áreas naturais.

Esse formato pode beneficiar pousadas, operadores de turismo, condutores, lojas de equipamentos, oficinas náuticas e outros serviços ligados à atividade. A legislação estadual de Santa Catarina prevê, entre seus objetivos, o fortalecimento das cadeias produtivas, o estímulo à geração de emprego e renda e a promoção de práticas sustentáveis. (leis.alesc.sc.gov.br)

Estado reúne diferentes ambientes de pesca

A variedade geográfica é um dos fatores que ajudam a explicar o potencial catarinense. No litoral, a atividade pode ocorrer em áreas marinhas, estuários, lagoas costeiras e regiões próximas a desembocaduras de rios, desde que respeitadas as normas ambientais e as restrições aplicáveis a cada ponto.

Nas áreas continentais, rios, lagos, represas e propriedades rurais também podem receber pescadores. Esses ambientes apresentam condições diferentes de acesso, espécies, equipamentos e períodos permitidos. Por isso, a escolha do local não deve ser feita apenas com base em relatos de outros praticantes ou em imagens publicadas nas redes sociais.

A Lei Estadual nº 18.189, de 23 de agosto de 2021, instituiu a Política Estadual de Pesca Artesanal, Industrial, Amadora ou Esportiva em Santa Catarina. O texto determina que a atividade deve ser organizada de maneira sustentável, conciliando desenvolvimento socioeconômico, conservação e recuperação dos recursos pesqueiros. (leis.alesc.sc.gov.br)

A mesma legislação prevê o ordenamento da pesca por bacias hidrográficas e por região costeira. Também estabelece como preocupação a proteção de manguezais, lagoas costeiras e nascentes, além da observância de períodos de defeso, áreas interditadas e reservas. (leis.alesc.sc.gov.br)

Licença é exigida na maioria das situações

Antes de sair para pescar, o interessado precisa verificar se a atividade exige licença federal, autorização específica ou documentação complementar. O Ministério da Pesca e Aquicultura informa que a licença para pescador amador ou esportivo tem validade de um ano e permite a prática em todo o território nacional, salvo em locais protegidos por normas federais, estaduais ou municipais.

O governo federal também informa que alguns estados podem exigir licença complementar. Em Santa Catarina, a Polícia Militar Ambiental orienta que a licença obtida pela internet não elimina a obrigação de observar regras estaduais mais restritivas. (gov.br)

O serviço federal oferece categorias para pesca desembarcada e embarcada. Atualmente, a página oficial informa custo de R$ 20 para a categoria desembarcada e de R$ 60 para a embarcada. O documento deve ser solicitado pelo sistema oficial, e o pagamento, por si só, não conclui o pedido: é necessário preencher e enviar a solicitação corretamente. (gov.br)

A legislação catarinense prevê uma exceção para a pesca simples realizada com linhas de mão, anzóis, puçá, caniço, molinete ou carretilha, utilizando iscas naturais ou artificiais. Mesmo nesses casos, a dispensa de documentação não significa que o pescador esteja livre de outras obrigações, como respeitar áreas proibidas, tamanhos mínimos, espécies protegidas e períodos de reprodução. (leis.alesc.sc.gov.br)

Regras mudam conforme o local e a espécie

Um dos principais cuidados para quem pratica pesca esportiva em Santa Catarina é consultar as regras específicas da área escolhida. Períodos de proibição podem variar de acordo com o ciclo reprodutivo das espécies. Também existem locais interditados por razões ambientais, de segurança, proteção de mananciais ou funcionamento de estruturas como barragens e usinas.

A Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina alerta que os períodos proibidos variam conforme a espécie e que os locais de pesca podem ter regras próprias, definidas por órgãos federais, estaduais ou municipais. A orientação é confirmar previamente se a atividade é permitida no ponto pretendido. (pm.sc.gov.br)

Em águas marinhas, a fiscalização também observa limites de transporte, tamanhos mínimos de captura e listas de espécies proibidas. A Polícia Militar Ambiental cita, como regra geral para pescadores amadores ou esportivos, o transporte de até 15 quilos e mais um exemplar em determinadas modalidades de pesca marinha, sempre condicionado às demais normas vigentes. (pm.sc.gov.br)

Represas de usinas hidrelétricas podem ter regras mais restritivas. Nesses ambientes, o pescador deve verificar tanto a legislação pesqueira quanto eventuais normas de segurança e acesso definidas para a operação da estrutura.

Pesque e solte exige responsabilidade

O pesque e solte é frequentemente associado à conservação, mas não é uma garantia automática de baixo impacto. A sobrevivência do peixe depende de fatores como a espécie, a temperatura da água, o tempo de luta, o tipo de anzol, o uso de alicate adequado e a forma como o animal é retirado e devolvido.

Entre os cuidados recomendados estão manter as mãos molhadas antes de tocar no peixe, evitar apertar o corpo ou as brânquias, reduzir o tempo fora da água e não arrastar o animal sobre pedras, areia ou vegetação. Fotografias devem ser feitas rapidamente, de preferência com o peixe apoiado próximo à superfície da água.

O equipamento também influencia o resultado. Linhas e varas incompatíveis com a espécie podem prolongar a captura e aumentar o desgaste do animal. Anzóis sem farpa ou com farpa amassada podem facilitar a soltura, embora a escolha deva considerar a técnica e as regras do local.

A conservação depende ainda da proteção do ambiente. Lixo, linhas descartadas, embalagens, iscas exóticas e introdução de espécies em rios e lagos podem causar impactos que ultrapassam uma única pescaria. A prática responsável inclui levar de volta todo o material utilizado e evitar qualquer alteração na área de pesca.

Atividade pode movimentar comunidades locais

Quando organizada com planejamento, a pesca esportiva pode distribuir renda para além do comércio de equipamentos. A cadeia envolve transporte, hospedagem, alimentação, contratação de guias, aluguel de embarcações e serviços de manutenção.

Em comunidades próximas a rios, lagoas, represas e áreas costeiras, a atividade pode se somar a outras opções de turismo de natureza. O visitante interessado em pesca também pode consumir produtos locais, conhecer atrativos regionais e permanecer mais tempo no destino.

Esse potencial, no entanto, depende de infraestrutura, fiscalização, acesso ordenado e informações confiáveis. O reconhecimento institucional da modalidade não substitui políticas de monitoramento, pesquisa sobre os estoques pesqueiros, controle da atividade e participação das comunidades que vivem nos territórios.

A própria política estadual prevê instrumentos como sistema de informação e estatística pesqueira, zoneamento, pesquisa, monitoramento e acordos locais. Esses mecanismos são importantes para que o crescimento da pesca esportiva não ocorra de forma desorganizada ou pressione ambientes já vulneráveis. (leis.alesc.sc.gov.br)

Como começar com segurança

Quem deseja iniciar na pesca esportiva deve escolher um local regularizado, confirmar se há necessidade de licença e consultar as regras aplicáveis à espécie e ao ambiente. Também é recomendável buscar operadores ou guias que trabalhem dentro da legislação e informem previamente quais documentos, equipamentos e autorizações são necessários.

Na pesca embarcada, o cuidado inclui verificar a regularidade da embarcação, os equipamentos de segurança e as condições meteorológicas. Em áreas remotas, é importante informar a terceiros o roteiro, levar água, proteção contra o sol, kit básico de primeiros socorros e meios de comunicação compatíveis com a região.

Para iniciantes, a orientação mais segura é começar com equipamentos simples e acompanhamento de alguém experiente. A prioridade deve ser aprender a identificar as espécies, manusear o peixe, interpretar as regras e reconhecer situações em que a captura não deve ocorrer.

A pesca esportiva em Santa Catarina reúne lazer, turismo e contato com a natureza, mas seu avanço depende da responsabilidade dos praticantes e da capacidade de fiscalização. O crescimento da atividade pode gerar oportunidades econômicas, desde que seja acompanhado de respeito às comunidades, às normas ambientais e à conservação dos ambientes aquáticos.