terça-feira, 29 de setembro de 2026
SEGURANÇA

Sem autorização, operação e anúncio de bets podem virar crimes em projeto enviado à Câmara

Projeto de lei apresentado pelo governo à Câmara dos Deputados propõe a criação de crimes específicos para a exploração e a publicidade de apostas de quota fixa sem autorização. A medida ainda depende da análise do Congresso e não está em vigor.
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Um projeto de lei apresentado pelo governo à Câmara dos Deputados propõe transformar em crimes duas condutas relacionadas ao mercado de apostas de quota fixa: a exploração de bets sem autorização e a publicidade de plataformas que não tenham aval para funcionar. O texto prevê que essas práticas passem a ser tratadas de forma específica no Código Penal.

A proposta ainda está em fase de análise no Congresso Nacional. Portanto, as regras sugeridas não estão em vigor e só poderão produzir efeitos se forem aprovadas pela Câmara e pelo Senado e posteriormente sancionadas.

Texto separa operação e publicidade

O projeto organiza a responsabilização penal em dois eixos. O primeiro está relacionado à exploração de apostas de quota fixa sem autorização. A medida mira a atividade de empresas ou estruturas que oferecem esse tipo de aposta sem a permissão exigida pela legislação.

O segundo eixo trata da publicidade. A proposta prevê um enquadramento específico para a divulgação de apostas não autorizadas, separando a atividade de anunciar da operação direta da plataforma.

Com essa divisão, o texto diferencia quem mantém ou explora o serviço de apostas de quem atua na promoção comercial de uma empresa ou produto que não poderia funcionar regularmente. A distinção deverá ser analisada pelos parlamentares durante a tramitação.

Alteração prevista para o Código Penal

Para criar os novos enquadramentos, o projeto apresentado pelo governo altera o Código Penal. A intenção é incluir na legislação criminal condutas que, de acordo com a proposta, estão ligadas ao funcionamento e à divulgação de apostas de quota fixa sem autorização.

O texto não trata as duas situações como uma única infração. A exploração e a publicidade aparecem em dispositivos próprios, com descrição separada das condutas. O objetivo é estabelecer uma resposta penal específica para cada etapa da atividade considerada irregular.

A proposta também insere o debate sobre as bets no campo do direito penal. Atualmente, o funcionamento do mercado de apostas de quota fixa é submetido a regras próprias de autorização, fiscalização e publicidade. Com o projeto, determinadas violações poderiam passar a ser enquadradas diretamente como crimes, caso a medida seja aprovada.

Publicidade entra no alcance da proposta

Um dos pontos centrais do projeto é a inclusão da publicidade entre as condutas sujeitas a responsabilização penal. A previsão alcança a divulgação de apostas que não estejam autorizadas, segundo os critérios estabelecidos pela legislação.

A medida diferencia a promoção de uma aposta irregular da operação da plataforma. Na prática, o texto apresentado pelo governo considera que a comunicação comercial também deve ser examinada quando estiver associada a uma empresa ou serviço sem autorização.

O enquadramento proposto será definido pela redação do projeto e pelo debate legislativo. Durante a tramitação, os parlamentares poderão discutir o alcance da norma, os elementos necessários para caracterizar cada conduta e as penas aplicáveis.

Proposta ainda será analisada pelo Congresso

Como se trata de um projeto de lei, a iniciativa precisa passar pelas etapas do processo legislativo. A Câmara deverá analisar o texto, que também poderá receber alterações durante a discussão nas comissões e no plenário. Se aprovado, o projeto seguirá para o Senado, salvo as hipóteses previstas no processo de tramitação.

A eventual criação dos crimes dependerá do conteúdo final aprovado pelo Congresso e da sanção presidencial. Até que isso ocorra, as regras atualmente aplicáveis ao mercado de apostas continuam valendo.

A apresentação do projeto não significa, portanto, que operadores ou anunciantes de bets já estejam submetidos aos novos tipos penais. A responsabilização com base nas normas propostas somente poderia ocorrer depois da conclusão do processo legislativo e da entrada em vigor da lei.

Debate ocorre após regulamentação das apostas

O projeto se insere no processo de regulamentação das apostas de quota fixa no país. A legislação brasileira passou a estabelecer requisitos para a atuação das empresas, incluindo a necessidade de autorização para explorar o serviço e regras para a publicidade.

Dentro desse cenário, a proposta apresentada pelo governo busca levar ao Código Penal situações relacionadas a empresas que atuem fora do modelo autorizado. O texto também considera a divulgação comercial dessas plataformas, criando uma separação entre a atividade de operar e a de anunciar.

O alcance definitivo da medida dependerá da redação aprovada pelos deputados e senadores. Além do conteúdo dos crimes, o Congresso poderá avaliar a relação entre as novas regras penais e as normas administrativas que regulam o setor.

O que o projeto propõe

Em síntese, o texto apresentado pelo governo:

  • cria um enquadramento penal para a exploração de apostas de quota fixa sem autorização;
  • estabelece uma previsão específica para a publicidade de apostas não autorizadas;
  • altera o Código Penal para incluir as novas condutas;
  • separa a responsabilização de quem opera a plataforma daquela atribuída a quem promove sua publicidade;
  • depende de aprovação do Congresso e sanção presidencial para entrar em vigor.

A tramitação deverá definir se a proposta será mantida, alterada ou rejeitada. Até a conclusão desse processo, o projeto representa uma iniciativa do governo em discussão no Legislativo, e não uma nova regra penal aplicável ao mercado de apostas.

Fonte: Agência Câmara de Notícias. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil.