terça-feira, 29 de setembro de 2026
Esportes

Remo e canoagem em Santa Catarina exploram rios, lagoas e tradições náuticas

Remo e canoagem em Santa Catarina ocupam rios, lagoas, baías e represas. As modalidades combinam esporte, lazer, turismo de natureza e uma tradição náutica ligada à história de diferentes comunidades do estado.

O remo e a canoagem em Santa Catarina encontram no conjunto de rios, lagoas, baías e represas do estado um cenário amplo para a prática esportiva e o lazer. Em águas tranquilas ou em trechos de corredeira, as modalidades aproximam moradores e visitantes de ambientes naturais que também sustentam atividades econômicas, tradições comunitárias e ações de conservação.

A diversidade geográfica ajuda a explicar essa presença. Os rios catarinenses cobrem cerca de 38% do território estadual, segundo a Secretaria de Estado do Turismo. Entre os principais cursos d’água está o Itajaí-Açu, maior bacia inteiramente localizada em Santa Catarina. Outros rios, como o Cubatão do Norte e o Tubarão, também têm importância para o abastecimento, a agricultura, a pesca, o turismo e as atividades recreativas. (setur.sc.gov.br)

Modalidades com técnicas e objetivos diferentes

Embora muitas vezes apareçam associadas, canoagem e remo são modalidades distintas. No remo, o atleta utiliza uma ou mais pás fixadas à embarcação e se desloca de costas para a direção do percurso. Na canoagem, o praticante usa um remo com pá livre, geralmente de uma ou duas extremidades, e permanece voltado para o sentido do deslocamento.

As diferenças também aparecem nos equipamentos e nos ambientes escolhidos. O remo esportivo costuma depender de águas mais calmas, com espaço suficiente para treinos e regatas. Já a canoagem reúne disciplinas variadas, como velocidade, maratona, caiaque, canoa e descida em rios de corredeira. O rafting, embora tenha dinâmica própria e seja praticado em grupo, integra o conjunto de atividades náuticas que utilizam a força da remada para vencer trechos de água corrente.

Em Santa Catarina, essa variedade permite que a experiência mude conforme a paisagem. Lagoas e baías favorecem passeios, treinamento e provas em águas protegidas. Rios de montanha oferecem desafios técnicos maiores e exigem conhecimento das condições do percurso, dos níveis de água e dos obstáculos naturais.

Rios catarinenses atraem esporte e turismo de aventura

O Vale do Itajaí é uma das regiões mais associadas aos esportes de aventura em rios. Ibirama, por exemplo, é reconhecida pelo governo estadual como um dos principais destinos brasileiros para a prática de rafting e recebeu, desde 2008, o título de Capital Catarinense do Turismo de Aventura. A atividade ocorre em trechos do rio Itajaí-Açu e depende de orientação especializada, equipamentos adequados e avaliação das condições do rio. (setur.sc.gov.br)

A canoagem também aparece em diferentes municípios do interior. Em São Ludgero, atletas participaram em 2026 do Campeonato Catarinense de Rafting e Canoagem, realizado em águas do rio em Indaial. O evento reuniu competidores de diferentes categorias e mostrou como a modalidade pode ser organizada tanto como prática de rendimento quanto como ação de incentivo à participação de jovens e adultos. (saoludgero.sc.gov.br)

Na região do rio Cubatão e do rio da Madre, atividades como rafting, stand up paddle e canoagem dividem espaço com outras modalidades ligadas ao ecoturismo. O enquadramento dos corpos hídricos, discutido pelos comitês de bacias, é apontado como instrumento para proteger a qualidade da água e garantir condições mais adequadas para recreação, esporte e outros usos. (aguas.sc.gov.br)

Esse vínculo entre esporte e gestão ambiental é essencial porque os mesmos rios usados para a canoagem podem abastecer cidades, sustentar comunidades e receber efluentes de áreas urbanas e rurais. A prática esportiva, portanto, depende de águas preservadas e também pode contribuir para ampliar a percepção pública sobre a importância das bacias hidrográficas.

Lagoas ampliam as possibilidades de navegação

As lagoas do litoral catarinense oferecem condições diferentes das encontradas em rios de corredeira. Em geral, são ambientes mais adequados para passeios de caiaque, canoa e outras embarcações leves, além de treinamentos e atividades recreativas. A navegação, no entanto, continua condicionada ao vento, às marés, à circulação de embarcações, à profundidade e às regras específicas de cada área.

No Sul do estado, a Lagoa de Imaruí integra o Complexo Lagunar Sul Catarinense e se estende pelos municípios de Imaruí, Pescaria Brava, Imbituba e Laguna. Com aproximadamente 86,32 quilômetros quadrados, é reconhecida pelo portal municipal de turismo como a maior lagoa de Santa Catarina. O corpo d’água recebe contribuição de rios como o Aratingaúba e o Siqueiro e combina paisagem, pesca, biodiversidade e atividades de lazer. (turismo.imarui.sc.gov.br)

O conjunto formado pelas lagoas de Imaruí, Santo Antônio e Mirim também mantém relação histórica com comunidades pesqueiras e com os canais que conectam diferentes ambientes aquáticos. Para o praticante de canoagem, esses espaços oferecem a possibilidade de percorrer margens, observar áreas de vegetação e compreender a dinâmica de um sistema lagunar. A experiência, porém, deve respeitar zonas de pesca, áreas de proteção e rotas utilizadas por outras embarcações.

Balneário Rincão é outro município cuja paisagem é marcada pela presença de lagoas. Uma proposta aprovada na Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa reconheceu a localidade como Capital Catarinense das Lagoas. O município possui sete lagoas citadas no projeto, entre elas Urussanga Velha, dos Freitas, do Jacaré, do Faxinal, dos Esteves, Mãe Luzia e do Rincão. (alesc.sc.gov.br)

O remo mantém presença histórica no estado

O remo catarinense tem uma trajetória associada à formação de clubes, às regatas e à ocupação esportiva das áreas próximas a baías e rios. Em Florianópolis, a região da Baía Sul permanece ligada à atividade. A prefeitura desenvolve o projeto de revitalização do Parque Náutico Walter Lange, conhecido como Parque do Remo, com previsão de melhorias para clubes, atletas, acessibilidade, convivência e uso público da área. (redeplanejamento.pmf.sc.gov.br)

O projeto reforça uma característica histórica da capital: a presença do remo em uma área urbana de contato direto com a água. Além do treinamento de atletas, espaços desse tipo podem funcionar como pontos de observação da paisagem, de convivência e de aproximação entre a população e as modalidades náuticas.

A Federação Catarinense de Remo foi fundada em 1919, de acordo com registro citado pela Assembleia Legislativa. A tradição se relaciona também à formação de clubes esportivos e à realização de competições ao longo do século XX. Em 2025, a Federação de Remo promoveu uma etapa do campeonato catarinense, destacando a permanência da modalidade no calendário esportivo estadual. (alesc.sc.gov.br)

Na faixa litorânea, a canoa a remo também representa uma herança cultural ligada à pesca artesanal. Em Bombinhas, festivais tradicionais reúnem canoas de um pau só, caícos e caiaques em provas que combinam competição, memória comunitária e celebração da relação com o mar. A edição de 2022 contou com participantes de Bombinhas, Florianópolis e Itapema. (bombinhas.sc.gov.br)

Segurança é parte da experiência

A prática em rios e lagoas exige planejamento. Antes de entrar na água, é necessário avaliar previsão do tempo, vento, chuva recente, nível do rio, correnteza, visibilidade e possibilidade de mudanças rápidas nas condições. Em trechos de corredeira, a dificuldade do percurso deve ser compatível com a experiência dos participantes e com o equipamento disponível.

Santa Catarina possui legislação estadual com regras mínimas de segurança para esportes de aventura, incluindo a canoagem. A norma prevê o uso de coletes salva-vidas e capacetes, além de equipamentos compatíveis com a atividade. Também estabelece exigências relacionadas às bases de embarque e desembarque e à organização das operações turísticas. (leis.alesc.sc.gov.br)

Em unidades de conservação estaduais, a prestação de serviços de canoagem, caiaquismo e rafting depende de autorização do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina. O órgão prevê procedimentos administrativos para atividades oferecidas a visitantes, o que inclui a condução por profissionais e o aluguel de equipamentos em áreas protegidas. (consultas.ima.sc.gov.br)

Para quem está começando, a recomendação é buscar operadores regularizados, instrutores qualificados ou clubes que ofereçam orientação. O uso de colete adequado ao peso e ao tamanho do praticante deve ser considerado indispensável. Em rios de corredeira, capacete, calçado apropriado e conhecimento de técnicas de resgate também são fundamentais.

Preservação acompanha a expansão das modalidades

O crescimento do turismo náutico amplia o acesso a rios e lagoas, mas também aumenta a responsabilidade sobre esses ambientes. Embarcações devem ser colocadas na água em locais apropriados, sem danificar margens, áreas de restinga ou vegetação ciliar. O descarte de lixo, a aproximação de animais silvestres e a circulação em áreas restritas podem causar impactos mesmo durante passeios de curta duração.

A preservação da qualidade da água é outro ponto central. Lagoas e rios sofrem com assoreamento, ocupação irregular, erosão, lançamento de esgoto e alterações na dinâmica dos canais. Na bacia da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, debates públicos recentes abordaram problemas ambientais, recuperação de áreas degradadas e qualidade dos mananciais. (alesc.sc.gov.br)

Ao explorar os rios e as lagoas, remadores e canoístas também se tornam observadores diretos das mudanças ambientais. A presença de resíduos, a redução do nível da água, o avanço da erosão ou a alteração da vegetação nas margens são sinais que podem ser comunicados aos órgãos responsáveis e às entidades de gestão das bacias.

Em Santa Catarina, remo e canoagem formam uma ponte entre esporte, turismo, cultura e natureza. As modalidades aproveitam a variedade dos ambientes aquáticos do estado, mas dependem de planejamento, segurança e preservação. Quando praticadas com responsabilidade, ajudam a valorizar rios e lagoas não apenas como cenários de lazer, mas como patrimônios naturais e espaços essenciais para a vida das comunidades.