terça-feira, 29 de setembro de 2026
SAÚDE

Saúde das crianças durante mudanças bruscas de temperatura em Santa Catarina exige atenção

Mudanças bruscas de temperatura em Santa Catarina podem favorecer crises de asma, rinite, bronquiolite e infecções respiratórias em crianças. Saiba quais cuidados ajudam a reduzir riscos e quando procurar atendimento médico.

As mudanças bruscas de temperatura exigem atenção especial com a saúde das crianças em Santa Catarina. No mesmo dia, é possível enfrentar manhã fria, aumento rápido do calor, chuva, vento e queda acentuada nos termômetros. Essas oscilações podem irritar as vias respiratórias, agravar sintomas de alergias e facilitar a circulação de vírus em ambientes fechados.

O frio, o ar seco, a umidade elevada, a presença de mofo e a poluição não causam sozinhos todas as doenças respiratórias, mas podem contribuir para o agravamento de quadros já existentes. Crianças com asma, rinite, bronquite, histórico de chiado ou nascimento prematuro precisam de acompanhamento mais cuidadoso, assim como bebês e menores de 5 anos.

Dados do planejamento regional da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina indicam que as doenças respiratórias estiveram entre as principais causas de internação de crianças de 0 a 5 anos em 2023. O documento cita casos de pneumonia, bronquiolite aguda e asma, reforçando a importância da prevenção e do atendimento precoce.

Por que a variação de temperatura afeta as crianças

O sistema respiratório infantil ainda está em desenvolvimento. Por isso, crianças podem apresentar maior sensibilidade a alterações no ar e dificuldade para eliminar secreções quando as vias aéreas ficam ressecadas ou inflamadas.

De acordo com o guia do Ministério da Saúde sobre mudanças climáticas, o ar frio e seco pode provocar contração dos brônquios, enquanto a baixa umidade favorece o ressecamento das mucosas e pode aumentar a vulnerabilidade a infecções respiratórias.

A queda de temperatura também costuma levar as pessoas a permanecerem por mais tempo em locais fechados. Quando há aglomeração, pouca ventilação e contato próximo, aumenta a possibilidade de transmissão de vírus responsáveis por resfriados, gripe, bronquiolite e outras infecções respiratórias.

É importante diferenciar causa e agravamento. A temperatura não transforma diretamente um resfriado em gripe nem produz um vírus. No entanto, o frio, o ar seco, a poeira, o mofo e a ventilação inadequada podem favorecer irritações e facilitar a disseminação de agentes infecciosos.

Doenças mais comuns nos períodos de oscilação

Entre os problemas mais observados estão resfriados, gripe, rinite alérgica, crises de asma, laringite, bronquite e bronquiolite. Os sintomas podem incluir coriza, nariz entupido, espirros, tosse, dor de garganta, febre, cansaço e chiado no peito.

A bronquiolite merece atenção principalmente em bebês e crianças menores de 2 anos. A doença costuma ser causada por vírus, com destaque para o vírus sincicial respiratório. Em 2026, o Ministério da Saúde publicou um guia de manejo clínico que reforça a necessidade de identificar rapidamente os sinais de gravidade e acompanhar a evolução do quadro.

Em crianças com asma, a oscilação térmica pode desencadear tosse, falta de ar e chiado. A presença de fumaça de cigarro, queimadas, poeira, mofo, perfumes fortes e produtos de limpeza pode intensificar os sintomas. O tratamento de manutenção prescrito pelo médico não deve ser interrompido sem orientação profissional.

Cuidados dentro de casa

Manter os ambientes limpos e ventilados é uma das principais medidas de prevenção. Mesmo em dias frios, é importante abrir portas e janelas por alguns períodos, sempre que possível, para renovar o ar. A ventilação deve ser reforçada em quartos, salas, creches e outros locais onde as crianças permanecem por muitas horas.

Roupas de cama, cobertores, casacos e bichos de pelúcia guardados por muito tempo podem acumular poeira e ácaros. Antes de utilizá-los, a recomendação é lavar as peças e deixá-las secar completamente. Também é importante evitar o acúmulo de objetos no quarto e controlar a umidade para reduzir a formação de mofo.

O excesso de agasalhos não substitui os cuidados de prevenção. A criança deve estar protegida do frio, mas sem roupas em quantidade que provoquem suor, desconforto ou superaquecimento. A escolha deve considerar a temperatura, o vento, a atividade física e a idade.

Durante períodos de ar muito seco ou calor intenso, a hidratação precisa ser mantida de acordo com a idade e a orientação do pediatra. Bebês em aleitamento materno devem seguir a orientação da equipe de saúde. Em crianças maiores, água deve ser oferecida regularmente, especialmente durante atividades físicas e exposição ao calor.

Higiene e prevenção de infecções

A lavagem frequente das mãos ajuda a reduzir a transmissão de vírus e bactérias. O cuidado deve ocorrer antes das refeições, depois de usar o banheiro, ao chegar da rua e após contato com secreções respiratórias. Quando não houver água e sabonete disponíveis, o álcool em gel pode ser utilizado por crianças sob supervisão de um adulto.

A etiqueta da tosse também deve ser ensinada desde cedo. Ao tossir ou espirrar, a criança deve cobrir nariz e boca com o antebraço ou usar um lenço descartável. O lenço deve ser descartado imediatamente, seguido da higienização das mãos.

Crianças com sintomas respiratórios devem evitar contato próximo com bebês, idosos e pessoas imunossuprimidas. Quando houver febre ou mal-estar importante, a permanência em casa pode ajudar na recuperação e diminuir a transmissão em escolas e creches, conforme orientação do serviço de saúde.

A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina destaca medidas como higiene das mãos, ambientes ventilados, etiqueta da tosse e vacinação para reduzir a disseminação e o agravamento de doenças respiratórias. A situação vacinal deve ser verificada na caderneta da criança e atualizada conforme o calendário oficial.

Quando procurar atendimento médico

Nem todo quadro de tosse ou coriza exige atendimento de emergência, mas os responsáveis devem observar a evolução dos sintomas. Febre persistente, piora do estado geral, recusa de líquidos, sonolência incomum e dificuldade para respirar são sinais que justificam avaliação profissional.

Em crianças pequenas, a respiração pode ficar mais rápida ou exigir esforço visível. Batimento das asas do nariz, gemência, retração da pele entre as costelas, chiado intenso e dificuldade para falar, mamar ou comer também precisam ser avaliados com rapidez.

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina considera sinais de síndrome respiratória aguda grave a presença de falta de ar ou desconforto respiratório, dor ou pressão persistente no tórax, saturação de oxigênio inferior a 94% em ar ambiente e coloração azulada nos lábios ou no rosto. Nesses casos, a orientação é buscar atendimento de urgência.

Em bebês, a atenção deve ser redobrada. Recusa persistente das mamadas, redução da quantidade de urina, pausas na respiração, prostração e dificuldade para respirar são sinais que não devem ser observados apenas em casa.

O que evitar durante as mudanças de temperatura

Medicamentos para febre, tosse, alergia ou congestão nasal não devem ser administrados por conta própria. A dose depende da idade, do peso e das condições de saúde da criança. Antibióticos também não devem ser usados sem prescrição, pois a maioria dos resfriados e de muitas infecções respiratórias é causada por vírus.

Outra medida importante é não utilizar fumaça, incensos, sprays, pomadas aromáticas ou receitas caseiras irritantes perto da criança. Esses produtos podem agravar a tosse, desencadear crises de asma e dificultar a avaliação dos sintomas.

Também não é recomendado forçar alimentação quando a criança está sem apetite. O mais importante, nesses momentos, é oferecer líquidos conforme a idade e seguir as orientações recebidas no atendimento de saúde. Se houver vômitos repetidos, diarreia ou sinais de desidratação, a avaliação deve ser feita.

Atenção especial em Santa Catarina

Santa Catarina registra grande variação climática entre regiões e ao longo do ano. No litoral, na Serra, no Oeste e no Vale do Itajaí, as condições de temperatura, umidade, vento e chuva podem ser diferentes no mesmo período. Por isso, a prevenção deve considerar a realidade de cada município e os alertas emitidos pelos órgãos oficiais.

Em dias de frio intenso, os responsáveis devem evitar exposição prolongada de bebês e crianças pequenas a ambientes muito frios. Em períodos de calor, é necessário observar sinais de desidratação, como boca seca, ausência de lágrimas ao chorar, pouca urina, urina escura, irritabilidade ou sonolência.

A manutenção do acompanhamento pediátrico é especialmente importante para crianças com doenças crônicas. O profissional pode orientar o plano de ação para crises, revisar medicamentos, avaliar a necessidade de vacinas e esclarecer quando procurar uma unidade de saúde.

As mudanças bruscas de temperatura não podem ser evitadas, mas seus efeitos podem ser reduzidos com medidas simples. Ventilar os ambientes, controlar poeira e mofo, manter a vacinação em dia, estimular a higiene das mãos, oferecer líquidos e reconhecer sinais de gravidade são atitudes que ajudam a proteger a saúde das crianças em Santa Catarina.