As mudanças bruscas de temperatura exigem atenção especial com a saúde das crianças em Santa Catarina. No mesmo dia, é possível enfrentar manhã fria, aumento rápido do calor, chuva, vento e queda acentuada nos termômetros. Essas oscilações podem irritar as vias respiratórias, agravar sintomas de alergias e facilitar a circulação de vírus em ambientes fechados.
O frio, o ar seco, a umidade elevada, a presença de mofo e a poluição não causam sozinhos todas as doenças respiratórias, mas podem contribuir para o agravamento de quadros já existentes. Crianças com asma, rinite, bronquite, histórico de chiado ou nascimento prematuro precisam de acompanhamento mais cuidadoso, assim como bebês e menores de 5 anos.
Dados do planejamento regional da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina indicam que as doenças respiratórias estiveram entre as principais causas de internação de crianças de 0 a 5 anos em 2023. O documento cita casos de pneumonia, bronquiolite aguda e asma, reforçando a importância da prevenção e do atendimento precoce.
Por que a variação de temperatura afeta as crianças
O sistema respiratório infantil ainda está em desenvolvimento. Por isso, crianças podem apresentar maior sensibilidade a alterações no ar e dificuldade para eliminar secreções quando as vias aéreas ficam ressecadas ou inflamadas.
De acordo com o guia do Ministério da Saúde sobre mudanças climáticas, o ar frio e seco pode provocar contração dos brônquios, enquanto a baixa umidade favorece o ressecamento das mucosas e pode aumentar a vulnerabilidade a infecções respiratórias.
A queda de temperatura também costuma levar as pessoas a permanecerem por mais tempo em locais fechados. Quando há aglomeração, pouca ventilação e contato próximo, aumenta a possibilidade de transmissão de vírus responsáveis por resfriados, gripe, bronquiolite e outras infecções respiratórias.
É importante diferenciar causa e agravamento. A temperatura não transforma diretamente um resfriado em gripe nem produz um vírus. No entanto, o frio, o ar seco, a poeira, o mofo e a ventilação inadequada podem favorecer irritações e facilitar a disseminação de agentes infecciosos.
Doenças mais comuns nos períodos de oscilação
Entre os problemas mais observados estão resfriados, gripe, rinite alérgica, crises de asma, laringite, bronquite e bronquiolite. Os sintomas podem incluir coriza, nariz entupido, espirros, tosse, dor de garganta, febre, cansaço e chiado no peito.
A bronquiolite merece atenção principalmente em bebês e crianças menores de 2 anos. A doença costuma ser causada por vírus, com destaque para o vírus sincicial respiratório. Em 2026, o Ministério da Saúde publicou um guia de manejo clínico que reforça a necessidade de identificar rapidamente os sinais de gravidade e acompanhar a evolução do quadro.
Em crianças com asma, a oscilação térmica pode desencadear tosse, falta de ar e chiado. A presença de fumaça de cigarro, queimadas, poeira, mofo, perfumes fortes e produtos de limpeza pode intensificar os sintomas. O tratamento de manutenção prescrito pelo médico não deve ser interrompido sem orientação profissional.
Cuidados dentro de casa
Manter os ambientes limpos e ventilados é uma das principais medidas de prevenção. Mesmo em dias frios, é importante abrir portas e janelas por alguns períodos, sempre que possível, para renovar o ar. A ventilação deve ser reforçada em quartos, salas, creches e outros locais onde as crianças permanecem por muitas horas.
Roupas de cama, cobertores, casacos e bichos de pelúcia guardados por muito tempo podem acumular poeira e ácaros. Antes de utilizá-los, a recomendação é lavar as peças e deixá-las secar completamente. Também é importante evitar o acúmulo de objetos no quarto e controlar a umidade para reduzir a formação de mofo.
O excesso de agasalhos não substitui os cuidados de prevenção. A criança deve estar protegida do frio, mas sem roupas em quantidade que provoquem suor, desconforto ou superaquecimento. A escolha deve considerar a temperatura, o vento, a atividade física e a idade.
Durante períodos de ar muito seco ou calor intenso, a hidratação precisa ser mantida de acordo com a idade e a orientação do pediatra. Bebês em aleitamento materno devem seguir a orientação da equipe de saúde. Em crianças maiores, água deve ser oferecida regularmente, especialmente durante atividades físicas e exposição ao calor.
Higiene e prevenção de infecções
A lavagem frequente das mãos ajuda a reduzir a transmissão de vírus e bactérias. O cuidado deve ocorrer antes das refeições, depois de usar o banheiro, ao chegar da rua e após contato com secreções respiratórias. Quando não houver água e sabonete disponíveis, o álcool em gel pode ser utilizado por crianças sob supervisão de um adulto.
A etiqueta da tosse também deve ser ensinada desde cedo. Ao tossir ou espirrar, a criança deve cobrir nariz e boca com o antebraço ou usar um lenço descartável. O lenço deve ser descartado imediatamente, seguido da higienização das mãos.
Crianças com sintomas respiratórios devem evitar contato próximo com bebês, idosos e pessoas imunossuprimidas. Quando houver febre ou mal-estar importante, a permanência em casa pode ajudar na recuperação e diminuir a transmissão em escolas e creches, conforme orientação do serviço de saúde.
A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina destaca medidas como higiene das mãos, ambientes ventilados, etiqueta da tosse e vacinação para reduzir a disseminação e o agravamento de doenças respiratórias. A situação vacinal deve ser verificada na caderneta da criança e atualizada conforme o calendário oficial.
Quando procurar atendimento médico
Nem todo quadro de tosse ou coriza exige atendimento de emergência, mas os responsáveis devem observar a evolução dos sintomas. Febre persistente, piora do estado geral, recusa de líquidos, sonolência incomum e dificuldade para respirar são sinais que justificam avaliação profissional.
Em crianças pequenas, a respiração pode ficar mais rápida ou exigir esforço visível. Batimento das asas do nariz, gemência, retração da pele entre as costelas, chiado intenso e dificuldade para falar, mamar ou comer também precisam ser avaliados com rapidez.
A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina considera sinais de síndrome respiratória aguda grave a presença de falta de ar ou desconforto respiratório, dor ou pressão persistente no tórax, saturação de oxigênio inferior a 94% em ar ambiente e coloração azulada nos lábios ou no rosto. Nesses casos, a orientação é buscar atendimento de urgência.
Em bebês, a atenção deve ser redobrada. Recusa persistente das mamadas, redução da quantidade de urina, pausas na respiração, prostração e dificuldade para respirar são sinais que não devem ser observados apenas em casa.
O que evitar durante as mudanças de temperatura
Medicamentos para febre, tosse, alergia ou congestão nasal não devem ser administrados por conta própria. A dose depende da idade, do peso e das condições de saúde da criança. Antibióticos também não devem ser usados sem prescrição, pois a maioria dos resfriados e de muitas infecções respiratórias é causada por vírus.
Outra medida importante é não utilizar fumaça, incensos, sprays, pomadas aromáticas ou receitas caseiras irritantes perto da criança. Esses produtos podem agravar a tosse, desencadear crises de asma e dificultar a avaliação dos sintomas.
Também não é recomendado forçar alimentação quando a criança está sem apetite. O mais importante, nesses momentos, é oferecer líquidos conforme a idade e seguir as orientações recebidas no atendimento de saúde. Se houver vômitos repetidos, diarreia ou sinais de desidratação, a avaliação deve ser feita.
Atenção especial em Santa Catarina
Santa Catarina registra grande variação climática entre regiões e ao longo do ano. No litoral, na Serra, no Oeste e no Vale do Itajaí, as condições de temperatura, umidade, vento e chuva podem ser diferentes no mesmo período. Por isso, a prevenção deve considerar a realidade de cada município e os alertas emitidos pelos órgãos oficiais.
Em dias de frio intenso, os responsáveis devem evitar exposição prolongada de bebês e crianças pequenas a ambientes muito frios. Em períodos de calor, é necessário observar sinais de desidratação, como boca seca, ausência de lágrimas ao chorar, pouca urina, urina escura, irritabilidade ou sonolência.
A manutenção do acompanhamento pediátrico é especialmente importante para crianças com doenças crônicas. O profissional pode orientar o plano de ação para crises, revisar medicamentos, avaliar a necessidade de vacinas e esclarecer quando procurar uma unidade de saúde.
As mudanças bruscas de temperatura não podem ser evitadas, mas seus efeitos podem ser reduzidos com medidas simples. Ventilar os ambientes, controlar poeira e mofo, manter a vacinação em dia, estimular a higiene das mãos, oferecer líquidos e reconhecer sinais de gravidade são atitudes que ajudam a proteger a saúde das crianças em Santa Catarina.