A proteção contra o sol costuma ser associada principalmente à pele, mas os olhos também sofrem com a exposição prolongada à radiação ultravioleta. Em períodos de maior incidência solar, atividades comuns em Santa Catarina, como ir à praia, praticar esportes ao ar livre, fazer trilhas, pescar ou permanecer em áreas abertas, podem aumentar o tempo de contato com os raios UVA e UVB.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a radiação ultravioleta pode provocar efeitos agudos, como fotoceratite e fotoconjuntivite, além de estar associada a problemas que se desenvolvem ao longo do tempo, entre eles catarata e pterígio. A prevenção depende de medidas simples, mas que precisam ser adotadas de forma consistente.
Por que o sol pode afetar os olhos
A radiação ultravioleta não é visível e nem sempre causa desconforto imediato. Por isso, a ausência de ardência ou de vermelhidão não significa que os olhos estejam protegidos. A exposição ocorre mesmo em dias parcialmente nublados, já que as nuvens não bloqueiam toda a radiação UV.
Os raios UVB são absorvidos principalmente pela córnea e pelo cristalino. Já parte dos raios UVA pode atravessar essas estruturas e alcançar regiões mais profundas do olho. A intensidade e o efeito da exposição dependem de fatores como horário, duração, altitude, reflexo da luz e uso de proteção.
Superfícies como água, areia clara, concreto e neve podem refletir a radiação e aumentar a quantidade de luz que chega aos olhos. Em áreas litorâneas de Santa Catarina, por exemplo, a combinação entre sol, vento, areia e reflexo do mar pode favorecer irritações e ressecamento, principalmente durante atividades prolongadas ao ar livre.
Principais efeitos da exposição excessiva
Fotoceratite e fotoconjuntivite
A fotoceratite é uma inflamação da córnea provocada pela exposição intensa à radiação ultravioleta. A fotoconjuntivite afeta a conjuntiva, membrana que reveste a parte interna das pálpebras e a superfície do olho. As duas condições podem causar dor, ardência, sensação de areia, lacrimejamento, vermelhidão e sensibilidade à luz.
Os sintomas podem aparecer algumas horas depois da exposição, e não necessariamente no momento em que a pessoa esteve sob o sol. Embora geralmente sejam reversíveis, essas inflamações podem ser intensas e exigir avaliação médica, sobretudo quando há dor forte, visão embaçada ou dificuldade para manter os olhos abertos.
Pterígio
O pterígio é um crescimento de tecido sobre a superfície do olho, geralmente a partir da conjuntiva em direção à córnea. A exposição crônica à radiação ultravioleta é considerada um dos fatores relacionados ao seu desenvolvimento. O quadro pode provocar irritação, sensação de corpo estranho, vermelhidão e, em alguns casos, interferir na visão.
O vento, a poeira e o ressecamento podem agravar o desconforto. Pessoas que trabalham ou passam muitas horas em ambientes externos devem redobrar a proteção, usando óculos adequados e evitando a exposição direta sempre que possível.
Catarata
A catarata ocorre quando o cristalino, lente natural do olho, perde transparência. O envelhecimento é um dos principais fatores associados ao problema, mas a exposição acumulada à radiação ultravioleta também pode contribuir para o risco. A doença costuma provocar visão embaçada, maior sensibilidade à luz e dificuldade para enxergar em ambientes muito claros.
A catarata tem tratamento cirúrgico, mas a prevenção da exposição excessiva é uma medida importante de cuidado ao longo da vida. Crianças e adolescentes também devem usar proteção, pois a exposição começa cedo e seus efeitos podem se acumular com o passar dos anos.
Óculos de sol devem ter proteção contra UVA e UVB
Óculos escuros não protegem automaticamente contra a radiação ultravioleta. O principal critério de escolha deve ser a indicação de bloqueio dos raios UVA e UVB, e não apenas a cor ou o grau de escurecimento das lentes.
Lentes muito escuras sem filtro adequado podem reduzir a luminosidade e fazer com que a pupila se dilate, sem impedir a entrada da radiação ultravioleta. Por isso, a recomendação é adquirir o produto em estabelecimento confiável e verificar as informações de proteção fornecidas pelo fabricante ou pelo vendedor.
Modelos que cobrem melhor as laterais do rosto podem diminuir a entrada de luz e de radiação pelas bordas. Ainda assim, eles não substituem o uso de chapéu, a busca por sombra e a redução do tempo de exposição nos horários de maior intensidade solar.
Quem usa óculos de grau pode optar por lentes com proteção UV, desde que confirme essa característica com a ótica. Lentes de contato com filtro ultravioleta também não substituem os óculos de sol, porque não protegem toda a superfície ocular nem as pálpebras.
Chapéu, sombra e atenção ao horário
O uso de chapéu ou boné com aba ajuda a reduzir a incidência direta de luz sobre os olhos. A proteção é mais eficiente quando combinada com óculos de sol e permanência em locais cobertos ou sombreados.
A OMS recomenda limitar a permanência sob o sol nos horários em que a radiação é mais intensa, especialmente quando o índice ultravioleta está elevado. Como esse índice varia conforme o dia e o local, a consulta à previsão do tempo e aos serviços oficiais de meteorologia pode ajudar no planejamento de atividades externas.
Mesmo fora do verão, a radiação UV pode causar danos. Em Santa Catarina, dias frios, com vento ou céu parcialmente nublado, não devem ser interpretados como garantia de baixa exposição. O desconforto térmico não mede a intensidade da radiação ultravioleta.
Cuidados em praias, piscinas e atividades ao ar livre
Na praia, a areia e a água podem refletir a luz e aumentar a exposição. O ideal é usar óculos com proteção UV, chapéu e procurar sombra em períodos de maior intensidade solar. Também é importante evitar olhar diretamente para o sol, mesmo por poucos segundos.
O sal do mar e o cloro da piscina podem causar ardência e irritação. Esfregar os olhos tende a piorar o desconforto e pode provocar pequenas lesões na superfície ocular. Ao sair da água, a pessoa deve evitar o contato das mãos sujas com os olhos e seguir orientações de higiene.
Usuários de lentes de contato precisam de atenção adicional. A entrada em piscinas, no mar, em rios ou em outras fontes de água usando lentes pode aumentar o risco de contaminação e infecção. A conduta adequada deve seguir a orientação do oftalmologista e as instruções específicas do fabricante.
Vento, poeira e ar-condicionado também podem intensificar o ressecamento ocular. Em caso de sensação persistente de areia, ardência ou desconforto, não é recomendado usar colírios por conta própria, especialmente produtos que prometem apenas “tirar a vermelhidão”. A avaliação profissional é a forma mais segura de identificar a causa.
Quando procurar atendimento oftalmológico
Depois de uma exposição intensa ao sol, sintomas leves e passageiros podem ocorrer. No entanto, dor significativa, vermelhidão persistente, lacrimejamento intenso, sensibilidade acentuada à luz, visão embaçada, manchas no campo visual ou dificuldade para abrir os olhos exigem avaliação de um profissional.
O atendimento deve ser procurado com prioridade quando os sintomas surgirem após olhar diretamente para o sol, quando houver trauma, uso de produtos químicos ou suspeita de infecção. Pessoas com doenças oculares preexistentes, cirurgia recente, uso de lentes de contato ou baixa visão também devem buscar orientação com mais rapidez.
Até a avaliação, é importante não esfregar os olhos, não utilizar medicamentos ou colírios sem recomendação e evitar nova exposição à luz intensa. Óculos escuros podem reduzir o desconforto, mas não tratam a causa do problema.
Proteção deve fazer parte da rotina
A saúde dos olhos no sol depende de uma combinação de atitudes: usar óculos com proteção contra UVA e UVB, escolher modelos que reduzam a entrada lateral de luz, usar chapéu, procurar sombra e evitar a exposição prolongada nos horários de maior radiação.
Esses cuidados são especialmente relevantes para crianças, trabalhadores que permanecem ao ar livre, atletas, pescadores, agricultores e pessoas que realizam atividades frequentes na praia ou em áreas abertas. A proteção ocular deve ser mantida mesmo quando o céu está nublado ou a temperatura está baixa.
A exposição solar faz parte da rotina e não precisa ser eliminada. O objetivo é reduzir o excesso e criar barreiras contra a radiação ultravioleta. Em caso de sintomas persistentes ou alteração na visão, a recomendação é procurar atendimento oftalmológico.
Fontes: informações da Organização Mundial da Saúde sobre radiação ultravioleta e saúde ocular; Ministério da Saúde para orientações gerais sobre exposição ao sol.