terça-feira, 29 de setembro de 2026
MANCHETES

Trilhas em Santa Catarina revelam paisagens pouco conhecidas entre serras, rios e Mata Atlântica

Trilhas em Santa Catarina atravessam florestas, cachoeiras, campos de altitude, rios e formações rochosas em diferentes regiões do estado.

As trilhas em Santa Catarina revelam uma face do estado que muitas vezes fica escondida atrás dos destinos mais conhecidos do litoral. Entre serras, rios, florestas, campos de altitude e cachoeiras, diferentes roteiros permitem conhecer paisagens preservadas e comunidades que mantêm uma relação próxima com a natureza.

A diversidade geográfica catarinense favorece experiências distintas. Há caminhos curtos em áreas protegidas, percursos que levam a mirantes e quedas d’água, trajetos entre araucárias e opções que combinam natureza, história e observação de aves. Em muitos casos, os atrativos estão fora dos grandes centros turísticos e exigem planejamento, orientação e respeito às regras de visitação.

Parques estaduais concentram roteiros de ecoturismo

Uma das formas mais seguras de conhecer trilhas menos divulgadas é procurar unidades de conservação com visitação organizada. O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina mantém uma plataforma com informações sobre parques estaduais, atrativos, duração estimada, nível de dificuldade e necessidade de agendamento.

Entre as áreas administradas pelo estado estão os parques estaduais Acaraí, das Araucárias, Fritz Plaumann, Rio Canoas, Rio Vermelho, da Serra do Tabuleiro e da Serra Furada. Juntas, essas unidades protegem diferentes formações da Mata Atlântica e oferecem caminhos com características variadas. (visitacao.ima.sc.gov.br)

No Parque Estadual das Araucárias, entre São Domingos e Galvão, as trilhas percorrem uma área de Floresta Ombrófila Mista, formação associada à presença de araucárias e xaxins. O parque tem caminhos como a Trilha do Mirante das Araucárias, a Trilha da Cascata e a Trilha da Corredeira do Rio Araçá.

O cenário é marcado pela transição entre áreas de mata e cursos d’água. Além da contemplação, o percurso pode ser utilizado em atividades de educação ambiental, observação da fauna e interpretação da paisagem. A presença de espécies nativas reforça a importância de visitar o local sem retirar plantas, alimentar animais ou sair dos caminhos demarcados.

Cachoeiras e rios aparecem ao longo dos percursos

Em Campos Novos, o Parque Estadual Rio Canoas reúne trilhas ligadas a ambientes aquáticos e à história da ocupação regional. A Trilha das Águas tem percurso total de 4,4 quilômetros e passa pela Lagoa Grande, uma das lagoas naturais do parque, além de um antigo cemitério cuja criação é estimada para a década de 1940.

Segundo o Instituto do Meio Ambiente, o caminho também é utilizado para observação de aves, pesquisa e educação ambiental. A trilha pode ser percorrida a pé ou de bicicleta, sem necessidade de acompanhamento de guia nesse trajeto específico. Outras áreas do parque exigem condutor autorizado e agendamento prévio. (visitacao.ima.sc.gov.br)

O parque também conta com percursos próximos a lajeados, saltos e cachoeiras. A combinação de água, vegetação e relevo cria ambientes diferentes ao longo do caminho, especialmente em períodos de maior volume de chuvas. Por isso, a avaliação das condições climáticas deve fazer parte do planejamento, já que pedras molhadas, correntezas e trechos escorregadios aumentam o risco de acidentes.

Na região do Vale Europeu, municípios como Doutor Pedrinho reúnem trilhas e caminhos associados a quedas d’água. A cidade é conhecida pelos atrativos naturais, entre eles a Cascata Salto Donner, a Cachoeira Véu de Noiva e a Cachoeira da Paulista. Os roteiros costumam combinar caminhada, contemplação e contato com áreas rurais. (alesc.sc.gov.br)

Serra Furada reúne montanhas e formações rochosas

No sul do estado, o Parque Estadual da Serra Furada se estende pelos municípios de Grão-Pará e Orleans, junto às escarpas da Serra Geral. Criado em 1980, o parque tem 1.330 hectares e abriga a formação rochosa que dá nome à unidade.

O relevo inclui montanhas de picos pontiagudos e áreas de grande valor cênico. O Morro da Forquilha, ponto culminante do parque, alcança 1.508 metros de altitude. Entre as opções de visitação estão o Circuito da Canela Grande, a Trilha Salto da Piava, o Circuito do Lagostim e a Trilha da Serra Furada.

Os trajetos têm diferentes níveis de dificuldade e duração. De acordo com as informações oficiais, a visitação deve ser agendada com antecedência mínima de 48 horas, e o funcionamento ocorre diariamente das 8h às 17h. Antes de sair, é necessário conferir as regras atualizadas, as condições do percurso e a disponibilidade de datas. (visitacao.ima.sc.gov.br)

A área é um exemplo de como as trilhas podem revelar paisagens que não são percebidas a partir das estradas. A caminhada muda a escala da experiência: o visitante passa a observar detalhes da vegetação, o formato das rochas, a presença de nascentes e a variação do relevo ao longo do trajeto.

Do litoral às montanhas, há caminhos com diferentes perfis

As paisagens pouco conhecidas de Santa Catarina não estão concentradas apenas na Serra. No litoral, áreas de Mata Atlântica, costões, restingas e morros também oferecem percursos para quem deseja combinar caminhada e vista para o mar.

Em Porto Belo, Bombinhas e Itapema, o governo estadual desenvolve um projeto para mapear e organizar trilhas ecológicas em parceria com os municípios. A proposta prevê reunir informações sobre dificuldade, sinalização, temas, mapas e guias, além de conectar os caminhos a praias e outros atrativos locais.

O projeto ainda estava em fase de estruturação nas informações divulgadas pelas autoridades, com previsão de visitas técnicas e definição dos trechos que poderão integrar a iniciativa. A medida indica uma tentativa de padronizar dados e facilitar o acesso a informações confiáveis para pedestres e ciclistas. (semae.sc.gov.br)

Em Camboriú, o Pico da Pedra é outro exemplo de roteiro que combina esforço físico e observação da paisagem. O local tem 680 metros de altitude e, em dias de boa visibilidade, permite observar áreas do litoral catarinense. A trilha possui trechos íngremes e pode ficar escorregadia durante ou após a chuva, o que torna recomendável realizar o percurso durante o dia e com equipamentos adequados. (turismo.camboriu.sc.gov.br)

Já no norte do estado, áreas próximas a São Bento do Sul e Corupá reúnem cachoeiras, riachos, formações rochosas e caminhos em meio à Mata Atlântica. O Parque Natural Braço Esquerdo, por exemplo, é associado a atrativos como a Cachoeira Braço Esquerdo, a Caverna da Fuga, o Mirante do Ernesto e a Trilha do Vale Perdido.

Trilhas também preservam memória e modos de vida

Além dos elementos naturais, muitos percursos catarinenses têm relação com a história regional. Antigos caminhos rurais, trilhos ferroviários, cemitérios, pontes e construções de comunidades ajudam a explicar como diferentes áreas foram ocupadas.

Em Santa Cecília, na Serra Catarinense, a trilha pelos trilhos de trem da localidade do Ubatã combina patrimônio ferroviário, vegetação e aventura. O percurso tem aproximadamente 1,3 quilômetro e está inserido em uma região de campos e áreas naturais do planalto. (turismo.santacecilia.sc.gov.br)

Essa combinação amplia o sentido do passeio. A trilha deixa de ser apenas um caminho até um mirante ou uma cachoeira e passa a funcionar como uma forma de interpretar o território. O visitante conhece a paisagem, mas também percebe marcas do trabalho, do transporte, da agricultura e das transformações ambientais.

Planejamento é essencial antes da caminhada

A escolha de uma trilha deve considerar a distância, o tempo estimado, o grau de dificuldade, a previsão do tempo, o tipo de terreno e a existência de sinalização. Informações publicadas em redes sociais ou aplicativos podem estar desatualizadas. Sempre que possível, é recomendável consultar o órgão responsável pela unidade de conservação, a prefeitura ou o portal oficial de turismo do município.

Também é importante informar alguém sobre o roteiro, levar água, alimentação leve, protetor solar, repelente, capa de chuva, calçado adequado e um telefone carregado. Em áreas sem sinal, o planejamento precisa ser ainda mais cuidadoso. Grupos inexperientes podem procurar acompanhamento de condutores autorizados, especialmente em percursos longos, íngremes ou com travessias.

O visitante deve permanecer na trilha demarcada, não retirar plantas, não deixar resíduos e evitar ruídos que possam afetar a fauna. Banhos em rios e cachoeiras exigem atenção às placas e às condições do local. Mesmo em áreas conhecidas, mudanças no volume da água podem ocorrer rapidamente.

Turismo de natureza depende de conservação

O crescimento do interesse por trilhas pode fortalecer a economia de pequenas cidades, gerar trabalho para guias e serviços locais e ampliar a valorização de áreas protegidas. Mas a visitação sem controle também pode causar erosão, lixo, abertura de atalhos e perturbação da fauna.

Por isso, o acesso organizado, o agendamento quando exigido e o acompanhamento de profissionais são instrumentos de segurança e conservação. A experiência de conhecer paisagens menos visitadas depende da preservação dos próprios lugares que atraem os caminhantes.

Em Santa Catarina, a variedade de trilhas permite encontrar cenários muito diferentes em um mesmo estado: araucárias no planalto, rios e cachoeiras no interior, paredões e escarpas no sul, florestas no norte e morros com vista para o litoral. Mais do que alternativas de lazer, esses caminhos ajudam a revelar a diversidade natural e cultural catarinense.

Para consultar regras, atrativos e necessidade de agendamento em unidades estaduais, o visitante pode acessar a plataforma de visitação de parques do IMA e as informações da Secretaria de Estado do Turismo.