segunda-feira, 28 de setembro de 2026
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Ecoturismo amplia oferta de roteiros em áreas naturais de Santa Catarina

Santa Catarina amplia a oferta de ecoturismo com novos circuitos de trilhas, cicloturismo e observação da natureza. Iniciativas conectam áreas protegidas, praias, serras e comunidades locais, mas dependem de planejamento, infraestrutura e respeito às regras de conservação.

O ecoturismo em Santa Catarina passa por uma fase de expansão, com a estruturação de novos roteiros de trilhas, cicloturismo e observação da natureza. As iniciativas conectam praias, florestas, campos de altitude, cachoeiras, lagoas e áreas protegidas, ampliando as opções para quem busca experiências ao ar livre.

Entre os movimentos recentes estão o projeto do aplicativo Trilhas de Santa Catarina, a divulgação de circuitos de cicloturismo pela Secretaria de Estado do Turismo e a consolidação de percursos como os Caminhos da Baleia Franca, no litoral sul. A proposta comum é organizar a visitação, melhorar o acesso às informações e distribuir o fluxo turístico por diferentes municípios.

O avanço, porém, não significa que todos os roteiros estejam prontos ou com a mesma estrutura. Parte das iniciativas ainda está em fase de mapeamento, planejamento ou implantação. Por isso, a visita deve ser planejada com base em informações oficiais, condições climáticas e regras específicas de cada área.

Projeto pretende integrar trilhas da Costa Esmeralda

Um dos principais projetos em desenvolvimento é o aplicativo Trilhas de Santa Catarina, coordenado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde. Em julho de 2025, representantes do Estado e dos municípios de Porto Belo e Bombinhas avançaram nas discussões sobre o projeto-piloto, que também envolve Itapema.

A ideia é formar um circuito de longo curso para pedestres e ciclistas, conectando trilhas ecológicas, praias e outros atrativos da Costa Esmeralda. O projeto prevê o mapeamento e a padronização das informações sobre os trajetos, com dados como nível de dificuldade, sinalização, temas, mapas e indicação de guias.

Também estão previstas visitas técnicas para definir os trechos que poderão integrar a rota e avaliar necessidades de infraestrutura. A iniciativa ainda estava em etapa de construção quando foi anunciada, sem indicação de uma data definitiva para a operação completa do aplicativo. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde detalhou o projeto. (semae.sc.gov.br)

A integração entre Porto Belo, Bombinhas e Itapema pode criar uma experiência mais ampla do que a visita isolada a uma praia ou trilha. Para o turista, a principal vantagem tende a ser a possibilidade de combinar caminhada, bicicleta, paisagens costeiras e atividades de contemplação em uma mesma viagem.

Cicloturismo conecta serra, vales e litoral

O cicloturismo também aparece como uma das frentes de crescimento do turismo de natureza em Santa Catarina. Em junho de 2025, a Secretaria de Estado do Turismo apresentou cinco roteiros para explorar o estado de bicicleta: Caminho das Araucárias, Circuito das Araucárias, Rota dos Tropeiros, Vale Europeu de Cicloturismo e Volta à Ilha.

Na Serra Catarinense, o Caminho das Araucárias liga São Joaquim a Urubici e passa por áreas de altitude, florestas de araucárias e mirantes naturais. O percurso é associado a um relevo mais exigente e ao clima de montanha, características que podem exigir preparo físico e planejamento do equipamento.

No Norte do estado, o Circuito das Araucárias reúne trechos de São Bento do Sul, Corupá, Campo Alegre e Rio Negrinho. A rota combina áreas rurais, cachoeiras e paisagens de transição entre vales e morros, além da presença de elementos da cultura de colonização europeia.

A Rota dos Tropeiros, na região de Lages, relaciona a atividade esportiva à história dos antigos caminhos usados para o transporte de gado. Já o Vale Europeu de Cicloturismo é um dos circuitos mais conhecidos do país, com percurso sinalizado e passagem por municípios como Timbó, Pomerode, Indaial e Blumenau.

Na capital, a Volta à Ilha reúne praias, morros, trilhas, comunidades tradicionais e áreas urbanas de Florianópolis. Os roteiros foram apresentados como alternativas para diversificar o turismo e estimular uma forma de deslocamento de menor impacto ambiental, embora cada percurso tenha exigências diferentes de distância, relevo, sinalização e apoio. (setur.sc.gov.br)

Parques estaduais ampliam as opções de contato com a natureza

O potencial do ecoturismo catarinense também está relacionado à rede de unidades de conservação. O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina informa que administra dez unidades estaduais de proteção integral. Desse conjunto, sete são parques estaduais com visitação pública regulamentada, enquanto três reservas biológicas possuem regras de acesso mais restritivas e são voltadas principalmente à proteção ambiental e à pesquisa.

Entre os parques estaduais estão Acaraí, das Araucárias, Fritz Plaumann, Rio Canoas, Rio Vermelho, Serra do Tabuleiro e Serra Furada. Cada unidade possui características próprias, como restingas, florestas, rios, áreas de altitude, trilhas educativas e mirantes.

O Parque Estadual Acaraí, em São Francisco do Sul, reúne Mata Atlântica, nascentes, lagoas e áreas próximas ao litoral. O Parque Estadual das Araucárias, no Oeste, conta com trilhas demarcadas, incluindo trajetos associados a mirantes, cascatas e corredeiras.

Em Florianópolis, o Parque Estadual do Rio Vermelho protege remanescentes de Mata Atlântica e vegetação de restinga. A unidade possui uma trilha ecológica guiada e uma trilha de longo percurso que conecta diferentes ambientes da região.

Já o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro se destaca pela extensão e pela diversidade de ecossistemas. Criado em 1975, é a maior e mais antiga unidade de conservação estadual de Santa Catarina e abrange municípios da Grande Florianópolis e do litoral sul. A área reúne diferentes formações vegetais da Mata Atlântica e mantém estruturas voltadas à educação ambiental e à visitação orientada. (ima.sc.gov.br)

Caminhos da Baleia Franca valorizam o litoral sul

No litoral sul, a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca oferece outro exemplo de roteiro associado à conservação e à observação da fauna. A unidade federal se estende por aproximadamente 130 quilômetros de costa e abrange nove municípios catarinenses, entre eles Garopaba, Imbituba, Laguna e Balneário Rincão.

A região protege dunas, restingas, manguezais, lagoas e costões rochosos. Entre julho e novembro, também funciona como área de reprodução e amamentação das baleias-francas, o que reforça a importância de regras para reduzir a interferência humana sobre os animais.

Os Caminhos da Baleia Franca formam uma trilha de longo curso com aproximadamente 172 quilômetros. O percurso margeia o litoral e conecta praias, costões, dunas e lagoas, combinando caminhada, contemplação da paisagem e observação da fauna marinha.

O turismo de observação na área é priorizado em terra firme, estratégia que reduz o risco de estresse provocado por embarcações. Praias de Imbituba e Garopaba estão entre os pontos indicados para avistar as baleias, especialmente durante a temporada de presença dos animais na costa catarinense. (gov.br)

Turismo de natureza exige planejamento

A expansão de roteiros pode gerar benefícios para pousadas, restaurantes, empresas de receptivo, guias, produtores rurais e comunidades próximas às áreas naturais. O turismo distribuído entre diferentes municípios também pode reduzir a concentração de visitantes em poucos destinos, desde que seja acompanhado por planejamento público e controle da capacidade de visitação.

Outro ponto importante é diferenciar a simples visita a um atrativo do ecoturismo planejado. A atividade pressupõe contato responsável com a natureza, respeito aos ambientes protegidos, valorização da cultura local e redução dos impactos causados pelo visitante.

Antes de sair, o visitante deve verificar se a área está aberta, se há necessidade de agendamento ou acompanhamento de guia e quais são as condições do trajeto. Também é necessário consultar a previsão do tempo, levar água, utilizar calçado adequado e evitar trilhas em condições de chuva intensa quando houver risco de escorregamento, alagamento ou queda de pedras.

Em unidades de conservação, não se deve retirar plantas, alimentar animais, produzir ruído excessivo ou deixar resíduos. Fogueiras, acampamentos, circulação de veículos e acesso a áreas restritas dependem das regras de cada local. A observação de baleias e de outros animais deve ocorrer à distância, sem tentativa de aproximação ou interação.

Estrutura será decisiva para consolidar novos roteiros

O crescimento do ecoturismo em Santa Catarina depende não apenas da beleza dos atrativos, mas também da qualidade da gestão. Sinalização, manutenção das trilhas, segurança, comunicação sobre riscos, transporte, saneamento e capacitação de guias são fatores que influenciam diretamente a experiência do visitante e a conservação dos espaços.

O projeto de integração das trilhas da Costa Esmeralda mostra esse desafio ao prever, além do mapeamento, iniciativas relacionadas à infraestrutura. Nos circuitos de cicloturismo, a existência de apoio ao longo do percurso e de informações confiáveis também é essencial para ampliar o acesso a iniciantes e reduzir situações de risco.

Com diferentes paisagens e modalidades, Santa Catarina tem condições de ampliar o turismo de natureza durante todo o ano. A consolidação dos novos roteiros, no entanto, dependerá de transformar projetos e percursos divulgados em experiências organizadas, acessíveis e compatíveis com a proteção dos ambientes naturais.