terça-feira, 29 de setembro de 2026
SAÚDE

Alimentação escolar em Santa Catarina: por que a merenda é essencial para crianças e adolescentes

A alimentação escolar em Santa Catarina vai além da oferta de refeições. Planejada por nutricionistas e vinculada ao Programa Nacional de Alimentação Escolar, ela contribui para o crescimento, a aprendizagem, a inclusão e a educação alimentar de crianças e adolescentes.

A alimentação escolar em Santa Catarina exerce uma função que vai muito além de oferecer uma refeição durante o período de aula. Para crianças e adolescentes, o alimento servido na escola pode representar parte importante da ingestão diária, além de contribuir para o crescimento, o desenvolvimento, a concentração e a formação de hábitos alimentares.

Nas redes públicas de ensino, a alimentação escolar é organizada de acordo com as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar, o PNAE. O programa prevê a oferta de refeições adequadas aos estudantes da educação básica e relaciona a alimentação ao direito à saúde, à educação e à segurança alimentar. (gov.br)

Em Santa Catarina, a Secretaria de Estado da Educação informa que os cardápios são planejados por nutricionistas para atender às necessidades dos alunos durante o período de permanência na unidade de ensino. A estrutura contempla escolas com gestão própria e unidades atendidas por empresas terceirizadas. (sed.sc.gov.br)

Alimentação e aprendizagem caminham juntas

Uma criança com fome pode ter mais dificuldade para manter a atenção, participar das atividades e acompanhar o ritmo da turma. Entre adolescentes, a alimentação inadequada também pode afetar a disposição, o desempenho escolar e a participação em atividades esportivas e culturais.

Isso não significa que uma refeição isolada determine o rendimento de um estudante. A aprendizagem depende de diversos fatores, como qualidade do ensino, sono, saúde, ambiente familiar e condições sociais. A alimentação, porém, integra esse conjunto e pode favorecer melhores condições para que o aluno permaneça atento e envolvido com as atividades.

O objetivo do PNAE inclui contribuir para o crescimento, o desenvolvimento biopsicossocial, a aprendizagem, o rendimento escolar e a formação de práticas alimentares saudáveis. A alimentação oferecida na escola, portanto, é tratada como parte da política educacional e não apenas como uma ação assistencial. (gov.br)

Segurança alimentar para diferentes realidades

As escolas reúnem estudantes com condições econômicas, culturais e familiares distintas. Para parte deles, a refeição escolar é uma das principais oportunidades de acesso diário a alimentos variados e nutritivos. Por isso, a universalidade do atendimento é uma das características centrais do PNAE.

A política contribui para reduzir desigualdades ao garantir que os alunos matriculados na rede pública recebam alimentação durante o período letivo, sem que a oferta dependa da situação financeira da família. O cuidado é especialmente relevante em períodos de aumento da insegurança alimentar, quando o orçamento doméstico pode não ser suficiente para assegurar uma dieta diversificada.

Em Santa Catarina, a Secretaria de Estado da Educação relaciona a alimentação escolar ao Direito Humano à Alimentação Adequada e à segurança alimentar e nutricional. A proposta considera que a refeição deve respeitar necessidades individuais, hábitos alimentares e características culturais dos estudantes. (sed.sc.gov.br)

Cardápios planejados por nutricionistas

O planejamento dos cardápios é uma das etapas mais importantes da alimentação escolar. O nutricionista responsável deve considerar a faixa etária, o período de permanência dos alunos na escola, a composição das refeições e as necessidades nutricionais específicas.

O PNAE prevê atenção a estudantes com condições como doença celíaca, diabetes, hipertensão, alergias e intolerâncias alimentares. Essas situações exigem avaliação, comunicação com a família e organização para evitar a oferta de ingredientes que possam provocar reações ou agravar problemas de saúde. (gov.br)

Também é necessário observar a qualidade dos alimentos utilizados. As orientações do programa priorizam produtos in natura ou minimamente processados, variedade, segurança sanitária, respeito à cultura alimentar e adequação à produção local.

As normas nacionais estabelecem ainda limites para determinados produtos e restringem a presença de alimentos ultraprocessados em cardápios escolares. Refrigerantes, bebidas artificiais e diversos produtos com excesso de açúcar, sódio ou aditivos não devem ocupar o espaço de alimentos que contribuam para uma alimentação adequada. (gov.br)

O papel da educação alimentar

Servir uma refeição saudável é importante, mas o impacto da política aumenta quando o estudante entende o que está comendo e participa de atividades relacionadas à alimentação. A educação alimentar e nutricional pode ser trabalhada em aulas, projetos, hortas escolares, oficinas culinárias, visitas de produtores e ações de conscientização.

Em Santa Catarina, a educação alimentar e nutricional está prevista como parte do trabalho pedagógico e deve estimular autonomia, autocuidado e escolhas mais saudáveis. A Secretaria de Estado da Educação orienta que o tema seja desenvolvido de forma interdisciplinar e integrado ao projeto político-pedagógico das unidades de ensino. (sed.sc.gov.br)

Essa abordagem ajuda a combater a ideia de que a merenda é apenas uma refeição rápida. O momento da alimentação pode ensinar sobre nutrientes, desperdício, higiene, agricultura, sustentabilidade, cultura regional e respeito às diferenças.

Para crianças menores, o contato com frutas, legumes, verduras e preparações variadas pode ampliar o repertório alimentar. Entre adolescentes, a escola pode estimular uma análise crítica da publicidade de produtos ultraprocessados e das escolhas feitas fora do ambiente escolar.

Agricultura familiar aproxima campo e escola

A alimentação escolar também movimenta a economia local. O PNAE incentiva a aquisição de produtos da agricultura familiar e de empreendedores familiares rurais, aproximando produtores das escolas e ampliando a presença de alimentos frescos nos cardápios.

Em um estado com produção agrícola diversificada como Santa Catarina, essa relação pode favorecer a oferta de alimentos sazonais e associados à cultura de diferentes regiões. Frutas, verduras, legumes, grãos e outros produtos locais podem chegar às cozinhas escolares de acordo com a capacidade de fornecimento e as regras de compra pública.

Além de contribuir para a qualidade das refeições, a aquisição da agricultura familiar fortalece pequenas propriedades, gera renda e estimula cadeias produtivas próximas às comunidades escolares. O modelo também pode reduzir distâncias entre quem produz e quem consome.

O FNDE destaca que a compra de alimentos da agricultura familiar é uma das diretrizes do programa e tem relação com o desenvolvimento sustentável, a diversificação agrícola e a valorização da produção local. (gov.br)

Respeito à diversidade dos estudantes

Uma alimentação escolar adequada precisa considerar que os alunos não formam um grupo homogêneo. Há diferenças de idade, hábitos, condições de saúde, tradições familiares e identidades culturais.

As orientações do PNAE determinam que os cardápios observem a cultura alimentar local e as especificidades de comunidades indígenas e quilombolas. O cuidado evita que a política seja aplicada de maneira uniforme, sem levar em conta a realidade dos territórios.

Também é importante que a escola trate o momento da refeição com respeito. O estudante não deve ser constrangido por suas preferências, restrições alimentares ou condição econômica. A alimentação pode ser usada como instrumento de inclusão, convivência e aprendizado coletivo.

Qualidade depende de gestão e fiscalização

A oferta de uma refeição adequada exige planejamento, recursos, profissionais capacitados, controle de qualidade, armazenamento correto e acompanhamento da execução dos cardápios. A responsabilidade não termina na compra dos alimentos.

As equipes escolares precisam observar condições de higiene, validade, temperatura, preparo e distribuição das refeições. O trabalho dos manipuladores de alimentos é essencial para reduzir riscos sanitários e garantir que o cardápio planejado seja executado corretamente.

O nutricionista tem papel central nesse processo. De acordo com o FNDE, cabe a esse profissional planejar, coordenar, supervisionar e avaliar as ações de alimentação e nutrição relacionadas ao programa. (gov.br)

O controle social também faz parte da política. Em Santa Catarina, o Conselho Estadual de Alimentação Escolar acompanha o PNAE e fiscaliza a aplicação dos recursos destinados ao programa. A participação de conselhos, famílias, professores e estudantes pode ajudar a identificar problemas e aperfeiçoar o atendimento. (www2.sed.sc.gov.br)

Família e escola têm responsabilidades complementares

A alimentação escolar não substitui a responsabilidade da família nem deve ser vista como uma solução isolada para todos os problemas nutricionais. A escola oferece uma contribuição importante dentro do período letivo, enquanto a formação dos hábitos alimentares continua em casa e em outros espaços de convivência.

O diálogo entre famílias e profissionais da educação é fundamental para informar alergias, intolerâncias, restrições médicas e mudanças na rotina dos estudantes. Também ajuda a alinhar orientações sobre consumo de bebidas açucaradas, alimentos ultraprocessados e aproveitamento integral dos alimentos.

Ao mesmo tempo, é necessário evitar julgamentos sobre a alimentação de cada família. A educação alimentar deve ser baseada em informação, acolhimento e respeito às condições concretas de cada domicílio.

Um direito que impacta toda a comunidade

A alimentação escolar em Santa Catarina reúne objetivos de saúde, educação, proteção social e desenvolvimento local. Quando planejada de forma adequada, ela ajuda a garantir que crianças e adolescentes tenham melhores condições para aprender, conviver e desenvolver hábitos que podem acompanhá-los por toda a vida.

A importância da política está justamente em sua abrangência. A refeição chega ao estudante, mas seus efeitos alcançam a família, a escola, os agricultores, os profissionais de nutrição e toda a comunidade. Por isso, acompanhar a qualidade do serviço, valorizar os alimentos regionais e fortalecer a educação alimentar são medidas que contribuem para uma escola pública mais inclusiva e saudável.

Para consultar informações sobre cardápios, documentos, normas e ações de alimentação escolar na rede estadual, o público pode acessar a página oficial da Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina. As diretrizes nacionais e orientações do programa estão disponíveis no portal do FNDE.