terça-feira, 29 de setembro de 2026
Dia a Dia

Lugares para conhecer em Florianópolis durante a baixa temporada

Florianópolis na baixa temporada combina praias vazias, trilhas, patrimônio histórico, gastronomia e passeios ao ar livre. Confira lugares para conhecer na capital catarinense entre os meses de menor movimento.

Florianópolis costuma ser associada ao verão, às praias cheias e ao movimento intenso nas regiões mais conhecidas da ilha. Fora da alta temporada, porém, a capital de Santa Catarina revela outro ritmo. Com menos trânsito e menor concentração de visitantes, é possível conhecer praias, trilhas, fortalezas, bairros históricos e áreas de preservação com mais tempo para observar a paisagem.

A baixa temporada também favorece passeios que dependem menos do calor e do banho de mar. Centros históricos, mercados, igrejas, mirantes e comunidades tradicionais ganham espaço no roteiro, enquanto as trilhas podem ser feitas com planejamento adequado e atenção às condições do tempo.

Confira alguns lugares para conhecer em Florianópolis durante a baixa temporada.

Centro Histórico e Mercado Público

O Centro de Florianópolis é um dos pontos de partida mais práticos para quem deseja entender a formação da cidade. A região reúne prédios históricos, praças, igrejas, museus, comércio e áreas de circulação entre a parte continental e a Ilha de Santa Catarina.

O passeio pode incluir a Praça XV de Novembro, a Catedral Metropolitana, o Palácio Cruz e Sousa, a área do antigo núcleo administrativo e o Mercado Público. O mercado concentra restaurantes, bares e bancas de produtos variados, sendo uma alternativa para os dias de chuva ou para uma pausa entre outros passeios.

A proximidade entre as atrações permite fazer parte do roteiro a pé. Na baixa temporada, o visitante costuma encontrar um ambiente menos disputado, mas deve conferir previamente os horários de funcionamento de museus, exposições e estabelecimentos.

Ponte Hercílio Luz e Parque da Luz

A Ponte Hercílio Luz é um dos símbolos mais conhecidos de Florianópolis e pode ser observada de diferentes pontos da região central. A estrutura metálica, inaugurada originalmente em 1926, integra a paisagem da Baía Sul e aparece com destaque a partir do Parque da Luz, no continente.

O parque é uma área de contemplação próxima à cabeceira continental da ponte. O local permite observar o centro da cidade, o mar e a própria estrutura da ligação entre a ilha e o continente. É uma opção especialmente interessante no fim da tarde, quando a luz muda a aparência da paisagem.

Como o acesso e as condições de uso podem variar conforme obras, eventos ou manutenção, é recomendável verificar informações atualizadas antes da visita.

Santo Antônio de Lisboa

Santo Antônio de Lisboa combina paisagem litorânea, arquitetura tradicional e referências à presença açoriana em Florianópolis. O distrito conserva uma igreja histórica, casarios, ruas antigas e uma orla voltada para a Baía Norte, com vista para o continente.

O passeio pode ser feito sem pressa, com caminhada pela área central, observação das construções e parada em restaurantes especializados em frutos do mar. A região também é conhecida pela relação com a pesca, o artesanato e as manifestações culturais ligadas às comunidades tradicionais.

O distrito integra as chamadas Freguesias Luso-Brasileiras da Grande Florianópolis. Em março de 2025, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional aprovou o tombamento desse conjunto, que inclui Santo Antônio de Lisboa, Lagoa da Conceição e Ribeirão da Ilha, em Florianópolis. (gov.br)

Ribeirão da Ilha

Localizado no sul da ilha, o Ribeirão da Ilha é indicado para quem deseja combinar patrimônio, gastronomia e uma paisagem mais rural. A região reúne casas antigas, igrejas, pequenas praias e restaurantes voltados para a produção de ostras e outros frutos do mar.

A Vila do Ribeirão da Ilha tem conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico protegido pelo Iphan desde 1986. A Igreja Nossa Senhora da Lapa do Ribeirão, a praça e o casario ajudam a formar um dos cenários históricos mais característicos de Florianópolis. (gov.br)

Na baixa temporada, o distrito pode ser explorado com mais tranquilidade. O ideal é reservar tempo para observar a relação entre as construções, a estrada, a orla e as áreas de cultivo marinho. Como o deslocamento até o sul da ilha é longo em relação ao Centro, o passeio costuma funcionar melhor como programação de meio período ou de um dia.

Lagoa da Conceição e Costa da Lagoa

A Lagoa da Conceição reúne restaurantes, comércio, mirantes, áreas de lazer e acesso a diferentes trilhas e comunidades. A região é uma das mais conhecidas da cidade, mas o movimento costuma ser mais administrável fora do verão, especialmente durante a semana.

Uma alternativa é conhecer a Costa da Lagoa, comunidade acessível por trilha ou embarcação. O local preserva características de ocupação tradicional e oferece restaurantes à beira da lagoa. Antes de sair, é importante verificar os horários dos barcos e as condições da trilha, sobretudo depois de períodos de chuva.

A Lagoa da Conceição também faz parte das freguesias luso-brasileiras reconhecidas pelo Iphan. A área histórica inclui igreja, praça, residências e sobrados que ajudam a contar a formação da ocupação açoriana na região. (gov.br)

Fortaleza de São José da Ponta Grossa

A Fortaleza de São José da Ponta Grossa, na região da Praia do Forte, é uma das atrações históricas mais acessíveis de Florianópolis. Diferentemente das fortalezas localizadas em ilhas, ela pode ser visitada por via terrestre.

O conjunto integra o sistema defensivo criado pela Coroa Portuguesa a partir do século XVIII para proteger a entrada da Baía Norte. O local reúne muralhas, edificações históricas e vista para o mar, combinando patrimônio arquitetônico e paisagem.

Segundo a Universidade Federal de Santa Catarina, responsável pela administração das fortalezas, a visitação ocorre de terça-feira a domingo, das 8h30 às 18h30, com entrada permitida até as 18h. A programação pode sofrer alterações, por isso a consulta ao canal oficial antes do passeio é recomendada. (fortalezas.ufsc.br)

Também é possível visitar as fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim e Santo Antônio de Ratones, mas o acesso depende de transporte náutico contratado à parte. A UFSC informa que não administra o traslado até essas ilhas. (fortalezas.ufsc.br)

Praia da Joaquina e Parque Natural Municipal das Dunas

A Praia da Joaquina é conhecida pelas dunas, pelo surfe e pela paisagem aberta voltada para o oceano. Durante a baixa temporada, a área pode ser aproveitada para caminhadas, contemplação e fotografia, mesmo quando a temperatura não favorece o banho de mar.

As dunas fazem parte de uma unidade de conservação municipal. A circulação deve ocorrer pelos acessos indicados, evitando a retirada de vegetação e a abertura de caminhos improvisados. Em 2026, a Prefeitura informou a execução de uma passarela ambiental para ligar o estacionamento à orla, com o objetivo de organizar o acesso e proteger o ambiente de restinga. (devportal.pmf.sc.gov.br)

Como há exposição ao vento e pouca sombra em determinados trechos, o visitante deve levar água, proteção solar e calçado adequado.

Lagoa do Peri e sul da ilha

A Lagoa do Peri é uma alternativa para quem deseja conhecer uma área natural diferente das praias oceânicas. O local possui áreas de mata, trilhas, paisagens de água doce e espaços voltados à contemplação e a atividades náuticas não motorizadas.

A unidade de conservação municipal também se relaciona com áreas culturais do sul da ilha, como o Sertão do Ribeirão e o Porto do Contrato. A gestão ambiental destaca a presença de trilhas com diferentes níveis de dificuldade, além de áreas de visitação próximas à lagoa e ao entorno da Praia da Armação. (devportal.pmf.sc.gov.br)

O passeio exige atenção às regras locais, ao estado das trilhas e à previsão do tempo. Em períodos de chuva, o solo pode ficar escorregadio e alguns caminhos podem apresentar condições diferentes das encontradas em dias secos.

Lagoinha do Leste e trilhas de Florianópolis

A Lagoinha do Leste é uma das áreas naturais mais preservadas e isoladas de Florianópolis. O acesso tradicional ocorre por trilhas a partir do Pântano do Sul ou da Armação, além de embarcações que podem operar conforme as condições do mar e a oferta de serviço.

A caminhada exige preparo físico, planejamento e atenção à previsão meteorológica. Não é recomendável iniciar o trajeto sem água suficiente, calçado apropriado e tempo disponível para o retorno. O isolamento da praia também significa menor oferta de infraestrutura no local.

Florianópolis possui uma rede de caminhos e trilhas oficializados por legislação municipal. A Prefeitura informa que programas de manejo e sinalização são realizados em diferentes áreas, com ações de conservação, interpretação ambiental e manutenção de trajetos. (redeplanejamento.pmf.sc.gov.br)

Além da Lagoinha do Leste, outras opções incluem trilhas próximas à Barra da Lagoa, à Galheta, ao Parque Natural Municipal do Maciço da Costeira e ao Parque Natural Municipal do Morro da Cruz. A escolha deve considerar dificuldade, duração, acesso e condições de segurança.

Barra da Lagoa e Museu Arqueológico ao Ar Livre

A Barra da Lagoa combina vila de pescadores, canal, praia e caminhos que levam a áreas naturais. O bairro permite observar embarcações, conhecer o cotidiano local e fazer passeios curtos, sem a necessidade de dedicar um dia inteiro ao roteiro.

Na região também está o Museu Arqueológico ao Ar Livre, associado a inscrições rupestres e vestígios da ocupação indígena da ilha. A Ilha do Campeche, por sua vez, é reconhecida pelo Iphan como sítio arqueológico e paisagístico, com inscrições rupestres consideradas entre as mais importantes do país. (gov.br)

O acesso à Ilha do Campeche depende de transporte autorizado e das condições do mar. Fora do verão, a oferta de embarcações pode ser reduzida, o que torna indispensável confirmar previamente a operação.

Como organizar um roteiro na baixa temporada

Para aproveitar Florianópolis fora do período de maior movimento, uma estratégia é dividir a cidade por regiões. O Centro, a Ponte Hercílio Luz e as fortalezas podem ocupar um dia. Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha funcionam melhor em roteiros separados, por causa da distância entre o norte e o sul da ilha. Já Lagoa da Conceição, Joaquina, Barra da Lagoa e Costa da Lagoa podem ser combinadas conforme o tempo disponível.

A baixa temporada não elimina a possibilidade de chuva, vento ou mar agitado. Por isso, vale alternar atividades ao ar livre com atrações culturais e gastronômicas. Também é importante confirmar horários, disponibilidade de barcos, regras de acesso e eventuais interdições antes de sair.

Com planejamento, Florianópolis deixa de ser apenas um destino de praia e se transforma em um roteiro de história, natureza, patrimônio e comunidades tradicionais. Esse é justamente o principal atrativo de visitar a cidade quando o calendário turístico está mais tranquilo.