A Praça XV de Novembro é um dos principais símbolos de Florianópolis e o ponto de referência mais conhecido do centro histórico da capital de Santa Catarina. Cercada por edifícios ligados à formação política, religiosa e administrativa da cidade, a praça concentra diferentes camadas da história de Florianópolis, desde a ocupação inicial da Ilha de Santa Catarina até os períodos imperial, republicano e contemporâneo.
O espaço é reconhecido principalmente pela presença da Figueira Centenária, árvore que se tornou um dos cartões-postais da cidade. Ao redor dela estão a Catedral Metropolitana, o Palácio Cruz e Sousa, atual Museu Histórico de Santa Catarina, o antigo prédio da Casa de Câmara e Cadeia, hoje Museu de Florianópolis, além de monumentos, jardins e elementos urbanos que ajudam a contar a trajetória da capital.
Onde começou a formação urbana de Florianópolis
A área da atual Praça XV de Novembro está associada ao início da ocupação permanente do núcleo urbano que deu origem a Florianópolis. A formação da antiga Vila de Nossa Senhora do Desterro ocorreu no século XVII, em um contexto de expansão portuguesa para o Sul do Brasil e de interesse estratégico pela Ilha de Santa Catarina.
De acordo com informações da Prefeitura de Florianópolis, o desenvolvimento urbano da cidade começou a partir da região onde hoje está a praça. A área se consolidou nas proximidades da igreja matriz, de edifícios administrativos e da antiga frente marítima, que durante muito tempo era mais próxima do centro do que é atualmente.
O crescimento da cidade alterou a paisagem original. A construção de vias, a ampliação das áreas ocupadas e, mais tarde, os aterros realizados na Baía Sul afastaram a praça da linha d’água. Ainda assim, o espaço permaneceu como um dos principais pontos de circulação, convivência e representação pública de Florianópolis.
De Largo da Matriz a Praça XV de Novembro
Antes de receber o nome atual, o local teve outras denominações relacionadas aos edifícios e às funções que desempenhava. A área foi conhecida como Largo da Matriz e Largo do Palácio, em referência à igreja e à antiga sede do governo. Também recebeu o nome de Praça Barão da Laguna.
A denominação Praça XV de Novembro foi adotada em homenagem à Proclamação da República, ocorrida em 15 de novembro de 1889. A mudança refletiu uma prática comum no período republicano, quando espaços públicos passaram a receber nomes associados a acontecimentos e personagens da nova ordem política.
A configuração ajardinada da praça foi implantada entre 1885 e 1887. O projeto incorporou árvores, palmeiras e áreas de circulação, transformando o antigo largo em um espaço público com características de jardim urbano. No início do século XX, o local chegou a ser cercado e tinha acesso mais controlado, cenário diferente do espaço aberto e de passagem conhecido atualmente.
A Figueira Centenária, símbolo da capital
A árvore mais conhecida da Praça XV de Novembro é a Figueira Centenária, também chamada de Velha Figueira. Sua presença está ligada à memória afetiva de várias gerações de moradores e à própria identidade de Florianópolis.
Registros e estudos indicam que a figueira surgiu por volta de 1871 em um jardim localizado diante da antiga Igreja Matriz, hoje Catedral Metropolitana. Em 1891, a árvore foi transplantada para o ponto onde permanece atualmente, no centro da praça. A idade exata da figueira e a forma como ela chegou à cidade são temas que ainda aparecem em relatos históricos e pesquisas sobre o patrimônio natural de Florianópolis.
Em 2024, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina divulgaram resultados de um estudo genético que identificou a árvore como pertencente à espécie Ficus microcarpa, conhecida como figueira-asiática. A pesquisa também reforçou que sua importância para a cidade não depende apenas da idade estimada, mas do valor histórico, cultural e simbólico acumulado ao longo do tempo.
Os galhos extensos da árvore são sustentados por estruturas metálicas, instaladas para reduzir o peso sobre o tronco e preservar a copa. A figueira também aparece associada à memória musical da cidade por causa do “Rancho de Amor à Ilha”, composição de Zininho que se tornou o hino oficial de Florianópolis.
Arquitetura e patrimônio no entorno da praça
O entorno da Praça XV reúne alguns dos edifícios mais importantes do centro histórico de Florianópolis. A Catedral Metropolitana ocupa posição de destaque diante da praça e representa a continuidade da presença religiosa no núcleo original da cidade.
A igreja atual passou por diferentes fases de construção, ampliação e reforma. Sua localização está relacionada à antiga matriz da Vila de Nossa Senhora do Desterro, o que ajuda a explicar a importância da área para a formação urbana da capital. Além do uso religioso, a catedral funciona como referência arquitetônica e paisagística do centro.
Em frente à praça está o Palácio Cruz e Sousa, antiga sede do governo estadual. O edifício passou por modificações ao longo do tempo e ganhou características arquitetônicas associadas ao período republicano. Desde 1986, abriga o Museu Histórico de Santa Catarina, instituição que preserva objetos, documentos, mobiliário e referências da história do estado.
O prédio também ficou marcado por episódios da vida política catarinense. Em 30 de novembro de 1979, a região foi palco da Novembrada, manifestação ocorrida durante a visita do então presidente João Figueiredo a Florianópolis, em um período ainda marcado pela ditadura militar. O episódio tornou-se uma das principais referências locais da mobilização política pela abertura democrática.
Outro imóvel relevante é a antiga Casa de Câmara e Cadeia, construída entre 1771 e 1780. A edificação foi criada para abrigar funções administrativas e prisionais do período colonial. Após reformas e diferentes usos ao longo do século XX, o prédio foi restaurado e transformado no Museu de Florianópolis, inaugurado em 2021.
O museu apresenta conteúdos relacionados à formação da cidade, às transformações do território e às experiências sociais que marcaram a capital catarinense. A presença do equipamento cultural amplia a função histórica da praça e cria uma ligação entre a paisagem urbana preservada e a interpretação do passado.
Monumentos, jardins e memória pública
A Praça XV também reúne monumentos e bustos dedicados a personagens e acontecimentos importantes de Santa Catarina. Entre eles está o monumento em homenagem aos catarinenses mortos na Guerra do Paraguai. O conjunto escultórico integra a paisagem da praça e registra a participação da província no conflito do século XIX.
Há ainda referências a nomes ligados à literatura, às artes, à educação e à imprensa catarinense, como o poeta Cruz e Sousa, o pintor Victor Meirelles, o educador José Boiteux e o jornalista Jerônimo Coelho. Esses elementos transformam a praça em um espaço de memória pública, no qual diferentes áreas da formação cultural do estado aparecem representadas.
O piso em pedras portuguesas e os desenhos incorporados ao espaço também fazem parte da história das intervenções urbanas da praça. Na década de 1960, o artista Hiedy Assis Corrêa, conhecido como Hassis, participou da elaboração do tratamento artístico do calçamento. A composição contribuiu para diferenciar a área e acrescentou referências visuais à cultura local.
Uma praça ligada à vida cotidiana
Apesar de sua importância histórica, a Praça XV de Novembro não é apenas um espaço de visitação. Ao longo do tempo, ela foi ponto de encontro de comerciantes, trabalhadores, estudantes, políticos, artistas e moradores do centro. Bancas de jornal, cafés, quiosques e áreas de convivência ajudaram a consolidar a praça como lugar de circulação e sociabilidade.
A proximidade com a antiga orla também contribuiu para sua centralidade. Antes da expansão dos aterros da Baía Sul, a área mantinha relação mais direta com o mar e com os deslocamentos realizados pela frente da cidade. O antigo trapiche e o Bar Miramar, construído na década de 1920, são lembrados como elementos de uma paisagem urbana que desapareceu com as transformações da região central.
A praça também se relaciona com manifestações culturais e eventos populares. Durante décadas, foi utilizada em atividades carnavalescas, apresentações, encontros políticos, celebrações religiosas e manifestações públicas. Essa diversidade de usos explica por que a Praça XV permanece presente tanto na memória institucional quanto nas lembranças cotidianas dos moradores.
O centro histórico de Florianópolis
A Praça XV funciona como uma espécie de eixo de leitura do centro histórico de Florianópolis. A partir dela, é possível observar como diferentes períodos foram sobrepostos no mesmo espaço: a fundação da vila, a construção das instituições coloniais, a urbanização do Império, a reorganização republicana e a modernização da cidade no século XX.
As ruas próximas preservam imóveis de diferentes épocas, embora a paisagem tenha sido modificada por reformas, novas construções, mudanças de uso e intervenções viárias. O conjunto formado pela praça, pela Catedral, pelo Palácio Cruz e Sousa, pelo Museu de Florianópolis e por outros prédios históricos mantém, contudo, uma função importante na preservação da identidade urbana da capital.
Visitar a Praça XV é, portanto, mais do que observar uma árvore ou uma área ajardinada. O espaço permite compreender como Florianópolis se formou, como suas instituições se organizaram e de que maneira a população ocupou o centro ao longo dos séculos.
A história da praça permanece em movimento. Todos os dias, moradores atravessam o jardim, trabalhadores passam pelo centro, visitantes fotografam a figueira e grupos culturais utilizam o entorno para atividades públicas. Essa combinação entre patrimônio e vida cotidiana é o que mantém a Praça XV de Novembro como um dos lugares mais representativos de Florianópolis e de Santa Catarina.
As informações históricas sobre a formação da área, os edifícios e os equipamentos culturais podem ser consultadas em fontes como a Prefeitura de Florianópolis, a Universidade Federal de Santa Catarina e a Arquidiocese de Florianópolis.