terça-feira, 29 de setembro de 2026
MANCHETES

Turismo de aventura movimenta regiões de montanha em Santa Catarina

O turismo de aventura ganhou espaço entre as opções de viagem em Santa Catarina e ajuda a movimentar hospedagens, restaurantes, serviços de guias e empresas especializadas em regiões de montanha.

O turismo de aventura em Santa Catarina deixou de ser uma atividade restrita a grupos especializados e passou a integrar a estratégia de desenvolvimento de diversas regiões do estado. Em áreas de montanha, vales e cânions, municípios ampliam a oferta de trilhas, rafting, escalada, rapel, cicloturismo, voo livre e outras experiências ligadas à natureza.

A expansão do segmento beneficia uma cadeia formada por hospedagens, restaurantes, transportadores, condutores, agências receptivas, lojas de equipamentos e propriedades rurais. O movimento é mais visível em destinos como Urubici, Bom Jardim da Serra, São Joaquim, Bom Retiro, Ibirama, Santo Amaro da Imperatriz, Praia Grande, Jacinto Machado e Timbé do Sul, além de outros municípios que estruturam produtos turísticos associados ao relevo e aos rios.

Um relatório elaborado pelo Sebrae de Santa Catarina aponta oportunidades para pequenos negócios no turismo de aventura e destaca a diversidade de atividades oferecidas no estado. Na Serra Catarinense, um plano de desenvolvimento territorial cita canionismo, cavalgada, cicloturismo, montanhismo, trekking, tirolesa, rapel, pêndulo e escalada entre as experiências disponíveis.

Montanhas ampliam a oferta turística de Santa Catarina

Embora Santa Catarina seja conhecida nacionalmente pelo turismo de praia, o interior e as áreas serranas passaram a ocupar espaço maior na promoção do estado. A combinação entre paisagens de altitude, Mata Atlântica, rios, cachoeiras e formações rochosas cria condições para roteiros que podem ser realizados em diferentes épocas do ano.

Na Serra Catarinense, a atividade de aventura se conecta a outros segmentos, como turismo rural, gastronomia, produção de vinhos de altitude e hospedagem em propriedades afastadas dos centros urbanos. O visitante pode combinar uma trilha ou passeio de bicicleta com experiências ligadas à cultura local, à culinária regional e à observação da paisagem.

O perfil dos roteiros também varia. Há atividades de menor dificuldade, voltadas a visitantes que buscam contato com a natureza, e experiências que exigem condicionamento físico, equipamentos específicos e acompanhamento profissional. Essa diversidade permite que o destino receba famílias, grupos de amigos, praticantes de esportes e turistas interessados em fotografia e contemplação.

Caminho dos Canyons concentra atividades de aventura

No extremo sul do estado, o Caminho dos Canyons reúne alguns dos principais cenários associados ao turismo de aventura em Santa Catarina. A região abrange municípios próximos ao Parque Nacional de Aparados da Serra e à Serra Geral, onde os paredões rochosos formam cânions e mirantes procurados por visitantes.

Praia Grande, Jacinto Machado e Timbé do Sul aparecem entre os destinos mais conhecidos. Os roteiros incluem caminhadas em áreas de serra, travessias, passeios a cavalo, observação de cânions e atividades em rios. O acesso a alguns atrativos depende de condições climáticas, autorização, contratação de condutores e avaliação prévia do nível de dificuldade.

O turismo de aventura também estimula a permanência dos visitantes por mais tempo. Em vez de uma visita rápida a um mirante, o viajante pode contratar uma experiência de dia inteiro ou organizar uma programação de vários dias, com hospedagem, alimentação e deslocamentos entre comunidades rurais.

O Parque Nacional de Aparados da Serra e o Parque Nacional da Serra Geral têm regras próprias de visitação. Por isso, o planejamento deve considerar horários, condições das trilhas, normas ambientais e eventuais restrições de acesso.

Serra Catarinense combina aventura e turismo rural

Na região serrana, municípios como Urubici, Bom Jardim da Serra, São Joaquim e Bom Retiro utilizam o relevo como elemento central da oferta turística. As atividades incluem caminhadas, cavalgadas, ciclismo, montanhismo, rapel, escalada e passeios em áreas de cânions e campos de altitude.

O turismo de aventura ajuda a diversificar a economia local porque distribui o fluxo por diferentes pontos do território. Pequenas propriedades podem atuar com hospedagem, alimentação, transporte, aluguel de equipamentos ou recepção de visitantes. Condutores e empresas especializadas também passam a oferecer roteiros sob medida para diferentes públicos.

Um plano territorial da Serra Catarinense registra que o turismo de aventura foi apontado como principal motivação de viagem por 4,7% dos turistas entrevistados em levantamento citado no documento. O dado é referente à pesquisa utilizada no estudo e não representa, necessariamente, o comportamento atual de todos os visitantes da região.

A presença de montanhas e áreas rurais favorece ainda a criação de experiências integradas. Uma mesma viagem pode incluir trilhas, visita a produtores, degustação de vinhos, passeios a cavalo e observação do céu noturno. A combinação amplia as possibilidades de consumo e reduz a dependência de um único atrativo.

Rafting e esportes de rio fortalecem o Alto Vale

O turismo de aventura não se limita às áreas de maior altitude. No Alto Vale do Itajaí, rios, corredeiras e trechos de Mata Atlântica sustentam atividades como rafting, canionismo, caminhadas e passeios de natureza.

Ibirama é reconhecida pelo governo estadual como referência catarinense em turismo de aventura e se consolidou como destino para a prática de rafting. O município também oferece trilhas e roteiros de canyoning, modalidade que combina caminhada em ambientes naturais, transposição de obstáculos e descida por cursos d’água, conforme as características do percurso.

Santo Amaro da Imperatriz, na Grande Florianópolis, também aparece entre os destinos procurados para atividades de aventura em rios e áreas naturais. A proximidade com a capital facilita o acesso de visitantes que buscam experiências de curta duração, especialmente em fins de semana e feriados.

O rafting e o canionismo dependem diretamente do nível dos rios, da previsão do tempo e das condições de segurança. Por esse motivo, as operadoras podem alterar ou cancelar uma atividade quando houver risco para os participantes. A decisão deve considerar os protocolos da empresa, a experiência dos condutores e as regras da área visitada.

Serviços especializados ajudam a estruturar o segmento

O crescimento do turismo de aventura exige mais do que a existência de uma paisagem atrativa. É necessário organizar acesso, sinalização, estacionamento, atendimento, comunicação, gestão de resíduos e segurança. Em muitos destinos, esse processo envolve prefeituras, órgãos ambientais, empresários, associações comunitárias e proprietários rurais.

O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina prevê procedimentos para a autorização de serviços em unidades de conservação estaduais. Entre as atividades contempladas estão condução de visitantes, cavalgada, canoagem, rafting, canionismo, montanhismo, escalada, voo livre e ciclismo. A regulamentação também prevê a possibilidade de exigência de qualificação dos condutores conforme normas técnicas aplicáveis.

A contratação de empresas ou profissionais especializados é especialmente importante em atividades com risco de queda, correnteza, isolamento ou mudança rápida das condições meteorológicas. O visitante deve verificar se a operadora informa o nível de dificuldade, os equipamentos fornecidos, as condições para participação e os procedimentos adotados em caso de emergência.

Também é recomendável confirmar se o passeio ocorre dentro de unidade de conservação, propriedade privada ou área com regras específicas. Nem todo atrativo possui acesso livre, estrutura permanente ou autorização para visitação independente.

Impacto econômico depende de planejamento

O turismo de aventura pode gerar renda em localidades que não concentram grandes equipamentos turísticos. A atividade movimenta serviços de hospedagem, alimentação, transporte e comércio, além de criar oportunidades para guias, condutores, fotógrafos, produtores rurais e empreendedores locais.

Esse impacto, porém, depende da capacidade de organização do destino. O aumento de visitantes sem controle pode provocar erosão de trilhas, descarte irregular de lixo, perturbação da fauna, congestionamentos e pressão sobre áreas frágeis. A expansão do segmento precisa estar associada à conservação ambiental e ao respeito às comunidades que vivem nas regiões turísticas.

O planejamento também envolve a distribuição do fluxo ao longo do ano. A divulgação de diferentes atividades pode reduzir a concentração de visitantes em períodos específicos e ampliar o movimento em épocas de menor procura. Para isso, é necessário oferecer informações confiáveis sobre clima, acessos, horários, reservas e níveis de dificuldade.

Segurança e preservação são pontos centrais

Em regiões de montanha, o clima pode mudar rapidamente. Neblina, chuva, vento forte, baixa temperatura e elevação do nível dos rios alteram as condições de uma atividade em pouco tempo. Antes de sair, o turista deve consultar a previsão do tempo, informar alguém sobre o roteiro e levar vestuário e equipamentos compatíveis com a experiência.

Trilhas e travessias exigem atenção ao condicionamento físico, ao tempo estimado e à disponibilidade de água e comunicação. Em passeios guiados, é importante seguir as orientações do condutor e não se afastar do grupo. Em áreas remotas, o celular pode não funcionar, e o resgate pode levar tempo.

A preservação faz parte da experiência. O visitante deve permanecer nas trilhas autorizadas, não retirar plantas, não alimentar animais, recolher o próprio lixo e respeitar propriedades particulares. Em unidades de conservação, regras como a proibição de fogueiras, acampamentos fora de áreas permitidas e circulação com animais podem variar conforme o local.

Perspectivas para o turismo de aventura

A consolidação do turismo de aventura abre espaço para novos roteiros e serviços em Santa Catarina, principalmente em municípios que possuem recursos naturais, mas ainda apresentam baixa diversificação econômica. A tendência é que destinos de montanha ampliem a integração entre natureza, cultura, gastronomia e turismo rural.

Para avançar, o setor precisa melhorar a coleta de dados sobre perfil dos visitantes, fluxo, gasto médio, ocupação e impactos ambientais. Informações mais regulares ajudam o poder público e as empresas a definir investimentos, estabelecer limites de visitação e qualificar os serviços.

Com planejamento, profissionalização e respeito às áreas naturais, o turismo de aventura pode fortalecer a economia de regiões serranas e ampliar a presença de Santa Catarina no mercado de viagens de natureza. A paisagem é o ponto de partida, mas a permanência do visitante depende de segurança, acesso organizado, informação clara e experiências bem estruturadas.