O turismo de experiência em Santa Catarina vem ganhando espaço entre os segmentos que ajudam a diversificar a oferta turística do estado. Em vez de concentrar a viagem apenas na visita a pontos conhecidos, a proposta é aproximar o visitante da natureza, da cultura, da gastronomia, das tradições e das comunidades que formam cada região.
O movimento alcança áreas do litoral, da Serra, do Vale do Itajaí, do Oeste e do Sul catarinense. A estratégia também amplia as possibilidades para além do verão, ao estimular roteiros que podem ser realizados em diferentes épocas do ano. Entre as atividades estão trilhas, cicloturismo, observação de fauna, turismo rural, experiências gastronômicas, passeios guiados e visitas ligadas à história local.
O que caracteriza o turismo de experiência
O turismo de experiência é baseado na participação ativa do visitante. O viajante deixa de ser apenas um espectador e passa a ter contato mais direto com o território, com os moradores e com os processos que dão identidade ao destino.
Na prática, isso pode ocorrer em uma visita a uma propriedade rural, em uma oficina de produção artesanal, em uma degustação de alimentos regionais, em um roteiro conduzido por moradores ou em uma trilha acompanhada por guias e condutores locais. A atividade precisa ser organizada, segura e capaz de transmitir uma história ou um conhecimento relacionado ao lugar.
O Sebrae de Santa Catarina aponta que o segmento está associado à busca por experiências autênticas e conectadas à cultura e à natureza. Para os pequenos negócios, esse modelo representa uma oportunidade de transformar recursos já existentes no território em produtos turísticos mais estruturados. (sebrae-sc.com.br)
Natureza e aventura ampliam os roteiros
As paisagens catarinenses favorecem a criação de experiências ligadas ao ecoturismo e ao turismo de aventura. O estado reúne praias, ilhas, áreas de Mata Atlântica, serras, cânions, rios, cachoeiras e zonas rurais com características distintas.
Entre os exemplos apresentados em estratégias de promoção turística estão o Safári Baleia, em Imbituba, o Walking Tour e o Street Art Tour, em Florianópolis, o cicloturismo no Sul da Ilha e a Trilha do Rio do Boi, no Geoparque Caminho dos Cânions do Sul. As atividades integram um conjunto de produtos que busca mostrar diferentes formas de conhecer Santa Catarina, sem limitar a viagem aos atrativos mais tradicionais. (agenciasebrae.com.br)
Na Serra e no interior, rios, cachoeiras, montanhas e trilhas também passaram a ser procurados durante o verão. Municípios como Rancho Queimado, Santo Amaro da Imperatriz, Rio dos Cedros, Anitápolis e Alfredo Wagner são citados como alternativas para quem busca contato com a natureza, clima ameno e menor concentração de visitantes.
Segundo o Senac Santa Catarina, o crescimento desses destinos está relacionado à procura por tranquilidade, atividades ao ar livre e experiências associadas ao chamado tempo lento. A instituição destaca que a oferta de passeios guiados, gastronomia regional e turismo rural ajuda a manter o interesse pela Serra em períodos que não se limitam ao inverno. (portal.sc.senac.br)
Gastronomia, cultura e vida rural
A gastronomia é um dos principais caminhos para transformar a identidade local em experiência turística. Produtos coloniais, vinhos, cervejas, queijos, cafés, doces, embutidos e pratos tradicionais podem integrar roteiros que apresentam não apenas o alimento pronto, mas também sua origem e seu modo de produção.
Em diferentes regiões catarinenses, o visitante pode encontrar propriedades rurais, restaurantes familiares, cervejarias, vinícolas, produtores artesanais e empreendimentos ligados à agricultura. Quando essas atividades são organizadas em circuitos ou visitas guiadas, elas passam a fazer parte de uma narrativa mais ampla sobre o território.
O mesmo ocorre com a cultura. A arquitetura, as festas, os sotaques, as tradições de imigração, os saberes indígenas, as manifestações religiosas e a memória das comunidades podem ser incorporados aos roteiros. O objetivo não é transformar a cultura em cenário, mas criar condições para que o visitante compreenda como ela se manifesta no cotidiano.
Em Pomerode, por exemplo, a arquitetura enxaimel, a gastronomia e as festas tradicionais ajudam a compor a experiência do destino. Na Serra, a paisagem, a produção rural e o clima são associados à hospitalidade e à identidade regional. No litoral, a pesca artesanal, as comunidades tradicionais e as atividades ligadas ao mar ampliam a percepção sobre os municípios além da temporada de praia. Santa Catarina também foi reconhecida em 2025 por reunir cinco destinos entre os mais acolhedores do país: Urubici, Pomerode, Praia Grande, São Joaquim e Praia do Rosa. (setur.sc.gov.br)
Interior ganha espaço na estratégia turística
A expansão do turismo de experiência contribui para descentralizar o fluxo de visitantes. O litoral continua sendo o principal eixo turístico de Santa Catarina, mas o interior oferece alternativas capazes de distribuir melhor a movimentação e estimular a permanência por mais dias.
Em vez de concentrar a viagem em um único município, o turista pode combinar diferentes regiões em um roteiro com atividades de natureza, cultura e gastronomia. Essa integração beneficia meios de hospedagem, restaurantes, transportadores, guias, produtores rurais e atrativos privados.
O Senac observa que o turismo planejado pode gerar impactos econômicos, sociais e culturais. A atividade tem potencial para fortalecer pequenos negócios, valorizar conhecimentos locais e contribuir para a permanência de moradores no território. Para isso, no entanto, é necessário que o crescimento seja acompanhado por planejamento, qualificação e cuidado com os recursos naturais. (portal.sc.senac.br)
Qualificação de empresas busca organizar a oferta
O avanço do segmento depende da capacidade de transformar atrativos isolados em produtos turísticos comercializáveis. Isso envolve definir preços, horários, duração, regras de visitação, canais de reserva, formas de pagamento, protocolos de segurança e estratégias de divulgação.
Em 2026, o Sebrae/SC abriu uma nova edição do programa VIVA Santa Catarina, voltado à qualificação de empresas interessadas em atuar com turismo de experiência. A iniciativa prevê diagnóstico dos negócios, oficinas técnicas, encontros regionais, ações de promoção, acesso ao mercado e processo de certificação.
O programa é direcionado a empresas formalizadas, como agências, operadores, transportadores, restaurantes, atrativos turísticos, meios de hospedagem, guias, condutores locais e produtores rurais. Entre os requisitos informados estão a regularidade no Cadastur e a sede em uma das regiões turísticas de Santa Catarina. (sc.agenciasebrae.com.br)
A programação inclui temas como precificação, storytelling, marketing de conteúdo, hospitalidade, posicionamento de mercado, inteligência artificial aplicada ao turismo e formatação de roteiros. O foco é ajudar os empreendedores a apresentar melhor seus produtos e estabelecer conexões com agências e operadoras.
De acordo com o Sebrae/SC, empresas participantes da edição anterior registraram aumento médio de 14,3% no faturamento e crescimento de 66,7% na produtividade. Os números foram divulgados pela própria entidade e se referem aos negócios que participaram do programa, não ao conjunto do setor turístico catarinense. (sc.agenciasebrae.com.br)
Busca por autenticidade influencia o mercado
A procura por experiências mais personalizadas também tem alterado a forma como os destinos são promovidos. Em vez de vender apenas uma paisagem ou uma cidade, operadores e órgãos de turismo passaram a destacar o que o visitante pode fazer, aprender e vivenciar durante a viagem.
Em 2026, o Sebrae/SC informou que levantamento da plataforma Skyscanner apontava que 78% dos turistas buscavam experiências autênticas. O dado foi utilizado pela entidade para demonstrar a oportunidade de mercado para os pequenos negócios, especialmente aqueles que oferecem produtos ligados à cultura e à identidade local. (sc.agenciasebrae.com.br)
A estratégia também interessa ao turismo internacional. Em um plano apresentado pela Embratur e pelo Sebrae em 2025, Santa Catarina foi posicionada como um destino com potencial em segmentos como ecoturismo, cicloturismo, gastronomia, observação de fauna e experiências culturais.
Entre janeiro e julho de 2025, o estado recebeu 549 mil turistas internacionais, segundo dados apresentados no mesmo plano. O volume representou crescimento de 67% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os números reforçam a importância de estruturar produtos capazes de atender visitantes de diferentes perfis e nacionalidades. (agenciasebrae.com.br)
Desafios para o crescimento sustentável
O aumento da procura não elimina os desafios. Trilhas, cachoeiras, áreas de montanha e comunidades rurais precisam de regras de acesso, sinalização, manutenção e controle de impactos. Em regiões sensíveis, o crescimento desordenado pode provocar danos ambientais e comprometer justamente os atributos que atraem os visitantes.
Outro ponto é a qualificação dos serviços. Uma experiência positiva depende de informações claras, atendimento preparado, acessibilidade possível, segurança, pontualidade e integração entre os diferentes fornecedores. Também é necessário evitar a descaracterização das manifestações culturais e garantir que a comunidade participe dos benefícios gerados pelo turismo.
A organização da oferta é igualmente importante para reduzir a sazonalidade. Rotas gastronômicas, turismo rural, eventos culturais, passeios de natureza e atividades educativas podem estimular viagens durante todo o ano. Segundo o Senac, a estruturação de trilhas, circuitos gastronômicos, rotas de enoturismo e experiências guiadas ajuda a distribuir o fluxo, elevar o gasto médio e diminuir a dependência de períodos específicos. (portal.sc.senac.br)
Santa Catarina busca consolidar uma nova imagem turística
O turismo de experiência não substitui os destinos tradicionais de Santa Catarina, mas amplia o que o estado oferece. As praias, parques, centros urbanos e atrações conhecidas continuam relevantes, enquanto novas propostas ajudam a conectar o visitante a outras paisagens e histórias.
A combinação entre natureza, cultura, gastronomia e hospitalidade permite criar roteiros com maior diversidade e potencial de permanência. Para os municípios, o desafio é transformar esse patrimônio em produtos bem planejados, preservando os recursos e fortalecendo os empreendedores locais.
Com programas de qualificação, estratégias de promoção internacional e maior interesse por experiências autênticas, Santa Catarina procura se posicionar como um destino para diferentes estações e perfis de viajante. A consolidação desse movimento dependerá da capacidade de equilibrar crescimento, profissionalização, conservação ambiental e valorização das comunidades que dão significado aos destinos catarinenses.