Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, construiu sua trajetória econômica sobre a agricultura, a pecuária e a transformação de produtos rurais. O município é oficialmente reconhecido como a Capital Catarinense do Milho e exerce papel de polo regional para comércio, serviços, educação, saúde e atividades ligadas ao agronegócio.
Essa combinação ajuda a explicar o crescimento urbano registrado nas últimas décadas. De acordo com o IBGE, Xanxerê tinha 51.607 habitantes no Censo 2022, em uma área territorial de aproximadamente 377 quilômetros quadrados. O município também registrou PIB per capita de R$ 60.952,29 em 2023, segundo a mesma fonte.
O avanço, porém, não se resume ao aumento da população. A expansão de Xanxerê envolve mudanças na ocupação do território, ampliação da infraestrutura, diversificação das atividades econômicas e necessidade de planejamento para conciliar áreas urbanas, propriedades rurais e proteção ambiental.
Da extração da madeira à economia agroindustrial
A formação econômica de Xanxerê está relacionada à ocupação do Oeste catarinense e à exploração dos recursos naturais existentes na região. Antes da consolidação da agricultura mecanizada e das cadeias agroindustriais, a extração de madeira teve papel importante na geração de renda e na expansão do núcleo urbano.
Segundo o histórico publicado pela Prefeitura de Xanxerê, o município foi criado em 30 de dezembro de 1953, quando se desmembrou de Chapecó. A instalação oficial ocorreu em 27 de fevereiro de 1954. A emancipação marcou uma nova etapa administrativa e econômica, com a cidade assumindo gradualmente funções de atendimento para os municípios do entorno.
A partir da segunda metade do século 20, a agricultura passou a ocupar posição central na economia local. O cultivo de grãos, a criação de suínos e aves e a produção de leite formaram uma base econômica conectada às agroindústrias instaladas no Oeste de Santa Catarina.
Esse processo alterou o perfil do município. A produção rural passou a demandar máquinas, insumos, transporte, armazenagem, assistência técnica, serviços financeiros e mão de obra especializada. Ao mesmo tempo, a cidade ampliou sua oferta de comércio e serviços para atender produtores, empresas e moradores da região.
O peso do agronegócio em Xanxerê
A agropecuária continua sendo um dos principais motores da economia de Xanxerê. Dados divulgados pelo município apontam a existência de cerca de 960 propriedades rurais e indicam que a agropecuária responde por parcela expressiva da base econômica local. A própria Prefeitura destaca que a produção de cereais é absorvida principalmente pela demanda regional, especialmente das cadeias de suínos e aves.
O milho ocupa posição simbólica e econômica nesse cenário. O título de Capital Catarinense do Milho foi instituído pela Lei Estadual nº 11.955, de 25 de outubro de 2001. Além de ser utilizado na alimentação humana e animal, o grão é um dos principais insumos da produção de carnes e da fabricação de rações.
A relação entre lavoura e pecuária cria um sistema integrado. O milho e a soja abastecem parte da demanda por alimentação animal, enquanto as criações de suínos e aves movimentam transportadoras, cooperativas, empresas de nutrição animal, frigoríficos, laboratórios, lojas agropecuárias e prestadores de serviços.
O município também se destaca pela produção de sementes de soja e feijão. A presença de estruturas voltadas à produção, ao beneficiamento e à comercialização de sementes amplia o valor agregado da atividade rural e aproxima Xanxerê de segmentos tecnológicos do agronegócio.
Na região, a diversificação inclui ainda trigo, feijão, leite, bovinos e outras atividades. A Epagri acompanha iniciativas relacionadas à produção sustentável de grãos no Oeste catarinense, com técnicas como plantio direto e uso de plantas de cobertura. Essas práticas são importantes para reduzir a erosão, conservar a umidade do solo e melhorar a eficiência produtiva.
Agroindústria amplia os efeitos sobre a cidade
O impacto do agronegócio em Xanxerê não se limita ao campo. A agroindústria transforma a produção rural em alimentos, rações, sementes e outros produtos, gerando circulação de renda em diferentes setores da economia urbana.
O modelo de integração entre produtores e empresas, comum no Oeste de Santa Catarina, estabelece relações de fornecimento, assistência técnica e compra da produção. Quando há investimento e previsibilidade, esse sistema pode estimular a modernização das propriedades, a adoção de tecnologias e a permanência de famílias no meio rural.
Na cidade, a presença de empresas ligadas ao agronegócio contribui para a criação de empregos diretos e indiretos. Também fortalece atividades como contabilidade, manutenção de máquinas, transporte, comércio atacadista, construção civil e prestação de serviços especializados.
Esse encadeamento ajuda a explicar por que Xanxerê exerce influência regional. O município é sede da Associação dos Municípios do Alto Irani, a Amai, e concentra serviços utilizados por moradores de cidades próximas. A função de polo regional amplia o movimento de consumidores, trabalhadores, estudantes e usuários de serviços públicos e privados.
Crescimento urbano acompanha transformação econômica
O crescimento urbano de Xanxerê ocorreu em paralelo à mudança da economia rural. À medida que o campo se modernizou e as atividades industriais, comerciais e de serviços ganharam espaço, a população passou a se concentrar mais na área urbana.
Estudos acadêmicos sobre a formação territorial do município identificam a transição de um perfil predominantemente rural para uma estrutura mais urbanizada. Esse movimento é semelhante ao observado em diversas cidades do Oeste catarinense, onde a agropecuária continua importante, mas a maior parte da população vive e trabalha em áreas urbanas.
A expansão urbana aumenta a procura por moradias, transporte, educação, saúde, saneamento, energia, conectividade e espaços para atividades comerciais. Também modifica a relação entre a cidade e o entorno rural, especialmente nas áreas próximas a rodovias, distritos industriais e novos loteamentos.
O desenvolvimento urbano, portanto, depende de mais do que a abertura de novas ruas ou a implantação de empreendimentos imobiliários. Ele exige planejamento sobre o uso do solo, a mobilidade, a drenagem, a preservação de cursos d’água e a capacidade da rede pública de acompanhar o crescimento.
Planejamento urbano e desafios de infraestrutura
O Plano Diretor de Xanxerê estabelece diretrizes para o perímetro urbano, as áreas de expansão, o parcelamento do solo, o zoneamento e a proteção ambiental. Entre os objetivos estão a organização da ocupação urbana e a definição de regras para novos empreendimentos.
Documentos municipais de planejamento também apontam a necessidade de controlar os efeitos da impermeabilização do solo e das chuvas intensas. A drenagem urbana, a preservação das bacias hidrográficas e a ocupação de áreas sujeitas a alagamentos aparecem como temas relevantes para o desenvolvimento do município.
Em 2026, a Prefeitura de Xanxerê divulgou a contratação de etapas para a revisão do Plano Diretor. O processo prevê diagnóstico, produção de mapas, consultas, audiências públicas e elaboração de uma proposta revisada para encaminhamento ao Legislativo municipal. A atualização das regras pode orientar a expansão urbana diante das mudanças econômicas e demográficas do município.
Entre os pontos que exigem atenção estão a conexão entre bairros, a oferta de infraestrutura em áreas de expansão, a circulação de veículos pesados e a convivência entre atividades industriais, residenciais e rurais. O planejamento precisa considerar os impactos cumulativos de novos loteamentos e empreendimentos sobre o trânsito, o saneamento e os serviços públicos.
Distrito industrial e diversificação econômica
A estratégia de crescimento de Xanxerê também inclui a atração e a expansão de empresas. Obras no Distrito Industrial Nascer do Sol, divulgadas pela administração municipal, foram apresentadas como parte da política de desenvolvimento econômico e de ampliação da capacidade industrial.
A instalação de empresas pode fortalecer a arrecadação, ampliar a oferta de empregos e reduzir a dependência de atividades diretamente ligadas à produção primária. No entanto, os resultados dependem da capacidade de combinar incentivos, infraestrutura, qualificação profissional e respeito às normas ambientais e urbanísticas.
O comércio e os serviços têm papel complementar nesse processo. Uma cidade que atende produtores rurais e municípios vizinhos precisa manter uma rede diversificada de estabelecimentos, instituições de ensino, serviços de saúde, instituições financeiras e empresas de apoio logístico.
O crescimento do setor terciário também cria novas oportunidades para pequenos negócios. A modernização do comércio, o uso de ferramentas digitais e a oferta de serviços especializados podem ampliar a participação de empreendedores locais na economia regional.
Os próximos desafios de Xanxerê
A força do agronegócio oferece vantagens competitivas, mas também expõe o município a riscos. A produção rural depende das condições climáticas, dos preços das commodities, dos custos de insumos, do acesso a crédito e do desempenho dos mercados consumidores.
Por isso, a diversificação econômica é estratégica. O fortalecimento da indústria, dos serviços, da educação profissional, da inovação e do turismo pode reduzir a vulnerabilidade a oscilações específicas do setor agropecuário.
Outro desafio é assegurar que o crescimento econômico se converta em qualidade de vida. Isso envolve ampliar a infraestrutura urbana, melhorar a mobilidade, proteger os recursos naturais e garantir que novos empreendimentos sejam acompanhados por serviços públicos adequados.
No campo, a sucessão rural e a permanência de jovens nas propriedades também entram na agenda. A oferta de assistência técnica, conectividade, formação e acesso a tecnologias pode ajudar a manter a produção familiar e a renovar a mão de obra do setor.
Xanxerê chega a essa etapa com uma identidade econômica bem definida, mas não limitada ao milho. A cidade reúne agricultura, pecuária, agroindústria, comércio, serviços e funções regionais. O desafio é transformar essa base em um projeto de desenvolvimento equilibrado, capaz de integrar o dinamismo do agronegócio à expansão urbana planejada e sustentável.








