sábado, 31 de outubro de 2026
CIDADES

Xaxim, em Santa Catarina: tradições e força da produção agropecuária no Oeste

Xaxim, no Oeste de Santa Catarina, construiu sua identidade a partir do tropeirismo, da colonização e da produção agropecuária. Milho, soja, erva-mate, leite, suínos e aves integram a economia local.

Xaxim, no Oeste de Santa Catarina, tem sua história ligada aos caminhos de tropeiros, à ocupação de comunidades caboclas e à chegada de famílias descendentes de imigrantes europeus. Essa formação ajudou a construir uma identidade local marcada pela vida comunitária, pelo trabalho no campo e por uma economia em que agricultura, pecuária e agroindústria permanecem conectadas.

O município está inserido na região do Alto Irani e tinha 31.918 habitantes no Censo Demográfico de 2022, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com área territorial de aproximadamente 293,6 quilômetros quadrados, Xaxim combina uma área urbana vinculada ao comércio, aos serviços e à indústria com dezenas de comunidades rurais. (ibge.gov.br)

Uma história formada por diferentes povos

Antes da ocupação promovida pelos colonizadores, o território era frequentado por grupos indígenas e por populações que utilizavam os caminhos da região para circulação, extrativismo e sobrevivência. A própria origem do nome Xaxim é associada a diferentes interpretações históricas, entre elas referências à presença indígena e à vegetação encontrada no território.

De acordo com o histórico divulgado pela Prefeitura de Xaxim, a região também foi marcada pela presença de caboclos, que viviam do tropeirismo, do extrativismo e de atividades de subsistência. Um dos personagens citados na memória municipal é Josezinho Xaxim, que teria se estabelecido na área em 1865, após sair de Guarapuava, no Paraná. (xaxim.sc.gov.br)

Durante o século 20, o processo de colonização ganhou força com a atuação de empresas responsáveis pela venda e pela ocupação de terras. Famílias vindas principalmente do Rio Grande do Sul chegaram à região, entre elas descendentes de italianos, alemães, poloneses, ucranianos, austríacos, irlandeses, tchecos e eslavos, conforme o registro histórico municipal.

Essa convivência entre populações indígenas, caboclas e europeias contribuiu para a formação de costumes que ainda aparecem na culinária, nas festas comunitárias, nas práticas religiosas, na música e na organização das comunidades rurais. Em vez de uma tradição única, Xaxim reúne diferentes camadas culturais que se desenvolveram ao longo de gerações.

Da passagem dos tropeiros à emancipação

Antes de se tornar município, Xaxim era conhecido por denominações relacionadas aos caminhos utilizados por tropeiros, como Passo do Xaxim. A circulação de pessoas, animais e mercadorias ajudou a integrar o território às rotas que conectavam áreas do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

A região passou à condição de distrito em 1921, com o nome de Hercílio Luz. O nome Xaxim foi retomado em 1929. Em 1938, o distrito foi elevado à categoria de vila. A emancipação política ocorreu na década de 1950, quando Xaxim se desmembrou de Chapecó. A emancipação foi decretada em 20 de fevereiro de 1954, segundo a documentação histórica disponibilizada pelo município. (xaxim.sc.gov.br)

A abertura de estradas, a construção de pontes e a expansão do comércio acompanharam esse processo. Como ocorreu em outras cidades do Oeste catarinense, a melhoria das conexões terrestres foi decisiva para aproximar produtores rurais dos mercados consumidores e das unidades de processamento.

Produção agropecuária como base econômica

A produção agropecuária ocupa posição central na economia de Xaxim. Documentos municipais destacam a presença de lavouras de milho, soja, trigo, feijão, fumo e erva-mate, além da criação de bovinos, suínos e aves. A produção de leite e seus derivados também aparece entre as atividades relevantes para o município. (xaxim.sc.gov.br)

O milho tem importância estratégica porque participa tanto da alimentação humana quanto da cadeia de produção de carnes e leite. A soja, por sua vez, integra o sistema de grãos que abastece o mercado de ração e movimenta transportadores, armazenadores, cooperativas e empresas de comercialização.

Na pecuária, a criação de suínos e aves está relacionada à estrutura agroindustrial característica do Oeste de Santa Catarina. Essa integração aproxima produtores, empresas, cooperativas, técnicos e transportadores, formando uma cadeia que vai da produção de insumos à industrialização e à distribuição de alimentos.

Um diagnóstico socioambiental do município, baseado em dados da Produção Agrícola Municipal do IBGE, registrou a participação de culturas como soja, milho, trigo e erva-mate na produção local. O documento também apontou a relevância dos rebanhos de suínos e bovinos e o peso da avicultura na economia pecuária de Xaxim. Como se trata de dados referentes principalmente a 2017, os números não devem ser interpretados como retrato da produção atual, mas ajudam a compreender a estrutura histórica do setor. (xaxim.sc.gov.br)

Erva-mate mantém presença no território

Entre as atividades agrícolas de Xaxim, a erva-mate ocupa um lugar particular. Diferentemente das lavouras anuais, que dependem do calendário de plantio e colheita, a cultura da erva-mate permanece por mais tempo no território e se relaciona a práticas de manejo, beneficiamento e comercialização próprias.

O diagnóstico municipal baseado na produção de 2017 registrou 13.568 toneladas de folha verde de erva-mate em uma área plantada de 1.280 hectares. O documento também mencionou a presença de lavouras permanentes de laranja e uva. Esses dados são históricos e servem como referência sobre a diversidade da produção agrícola local. (xaxim.sc.gov.br)

A cadeia da erva-mate também tem dimensão cultural. O cultivo e a extração fazem parte da memória de comunidades rurais e ajudam a preservar conhecimentos transmitidos entre gerações. Ao mesmo tempo, a atividade depende de mercado, mão de obra, condições climáticas e capacidade de beneficiamento, fatores que influenciam a renda obtida pelos produtores.

Agricultura familiar e comunidades rurais

A paisagem rural de Xaxim é composta por propriedades de diferentes tamanhos, com forte presença de unidades familiares. Nesses estabelecimentos, a produção pode combinar grãos, criação de animais, leite, hortaliças, frutas e atividades voltadas ao consumo da própria família ou à comercialização.

A agricultura familiar tem importância que vai além do volume produzido. Ela ajuda a manter moradores no campo, movimenta o comércio local e sustenta formas de cooperação entre vizinhos. Estradas, associações comunitárias, cooperativas, sindicatos e serviços de assistência técnica fazem parte da infraestrutura social que permite a continuidade dessas atividades.

Em municípios do Oeste catarinense, as pequenas propriedades também enfrentam desafios como sucessão rural, aumento dos custos de produção, necessidade de investimentos em tecnologia e exposição a variações climáticas. A permanência das novas gerações no campo depende de renda, acesso a serviços, conectividade, educação e perspectivas de diversificação.

Agroindústria aproxima campo e cidade

A produção rural de Xaxim não se limita às propriedades. Ela está conectada a unidades de processamento, empresas de alimentos, transportadoras, estabelecimentos comerciais e serviços especializados. Essa integração faz com que os resultados do campo tenham impacto direto sobre o emprego e a arrecadação em áreas urbanas.

A agroindústria transforma grãos e animais em produtos destinados ao mercado regional, nacional e, em alguns casos, internacional. O sistema exige padrões de qualidade, controle sanitário, regularidade de fornecimento e capacidade logística. Por isso, a atividade agropecuária influencia setores como manutenção de máquinas, venda de insumos, assistência veterinária, armazenagem e transporte.

O município também registra atividades industriais ligadas à produção de alimentos, incluindo carnes e mel, de acordo com o Plano Municipal de Saúde. O documento identifica a agropecuária, a agroindústria e o comércio como bases da economia local. (xaxim.sc.gov.br)

Tradições preservadas na vida comunitária

As tradições de Xaxim aparecem em diferentes espaços: festas religiosas, encontros de comunidades, celebrações familiares, grupos culturais, gastronomia e atividades ligadas ao calendário agrícola. Muitas dessas práticas são organizadas por associações locais, paróquias, escolas, clubes e entidades comunitárias.

A culinária também expressa a mistura cultural do município. Receitas associadas às famílias descendentes de europeus convivem com hábitos alimentares formados por populações caboclas e com produtos da agricultura local. Milho, leite, carnes, frutas, hortaliças e erva-mate fazem parte desse repertório, embora os modos de preparo variem conforme a comunidade e a tradição familiar.

O Plano Municipal de Cultura de Xaxim reconhece como áreas de interesse o patrimônio rural, a colonização, a gastronomia, a religiosidade, a música, a memória e o patrimônio material e imaterial. A inclusão desses temas indica que a preservação cultural não se resume a prédios antigos, mas envolve práticas, narrativas e formas de organização social. (xaxim.sc.gov.br)

Memória e futuro do município

A história de Xaxim está ligada a processos comuns ao Oeste de Santa Catarina: circulação de tropeiros, ocupação territorial, colonização, formação de pequenas propriedades e expansão da agroindústria. O município, porém, desenvolveu uma trajetória própria, marcada pela combinação entre comunidades rurais, atividade empresarial e diversidade cultural.

Preservar essa memória exige registrar relatos, proteger referências históricas e valorizar manifestações culturais que ainda fazem parte do cotidiano. Também depende de políticas capazes de apoiar agricultores, melhorar a infraestrutura rural e estimular formas de produção que conciliem renda, conservação ambiental e qualidade de vida.

Em Xaxim, tradição e produção agropecuária não são temas separados. A paisagem rural, os alimentos, as festas, os costumes e as relações de trabalho refletem uma história construída no território. É essa conexão entre cultura e economia que ajuda a explicar a importância do município no Oeste de Santa Catarina.