terça-feira, 29 de setembro de 2026
Esportes

Atletismo em Santa Catarina fortalece a formação esportiva de jovens

O atletismo em Santa Catarina vem sendo desenvolvido por meio de projetos escolares, programas públicos e associações esportivas que atendem crianças e adolescentes em diferentes regiões do estado. A formação de jovens atletas combina iniciação esportiva, disciplina, convivência, saúde e oportunidades de participação em competições.

O atletismo em Santa Catarina ocupa espaço relevante na formação esportiva de crianças e adolescentes. Presente em escolas, associações, projetos sociais e competições oficiais, a modalidade oferece uma porta de entrada para diferentes práticas, como corridas, saltos, arremessos e lançamentos.

Mais do que revelar atletas para o alto rendimento, os programas de iniciação esportiva desenvolvidos no estado têm como objetivo ampliar o acesso ao esporte, estimular hábitos saudáveis e contribuir para a formação integral dos jovens. Essa orientação aparece em editais e projetos da Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte), que associam a prática esportiva à educação, à inclusão social e ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

Uma modalidade acessível e diversificada

Uma das características do atletismo é a variedade de provas. Crianças e adolescentes podem experimentar corridas de velocidade e resistência, revezamentos, saltos em distância e altura, arremesso de peso e lançamentos. Essa diversidade permite que os participantes descubram diferentes capacidades físicas e encontrem, ao longo do processo, as provas com as quais mais se identificam.

Na iniciação, o trabalho costuma priorizar movimentos básicos, coordenação, equilíbrio, velocidade, força e resistência. A evolução deve ocorrer de maneira progressiva, respeitando a idade, o nível de desenvolvimento e as condições individuais de cada participante. Em projetos de formação, a competição aparece como parte do aprendizado, mas não é o único parâmetro de avaliação.

O modelo também permite que o atletismo seja praticado em espaços variados. Embora pistas oficiais ofereçam melhores condições para treinamentos e competições, muitas atividades iniciais podem ser realizadas em escolas, parques, quadras e áreas abertas, desde que haja supervisão adequada e segurança.

Escola é uma das principais portas de entrada

As competições escolares têm papel central na identificação e no desenvolvimento de novos praticantes. Em Santa Catarina, os Jogos Escolares de Santa Catarina (Jesc) incluem o atletismo entre as modalidades disputadas por estudantes de diferentes faixas etárias. O regulamento estadual de 2026 prevê a participação da modalidade nas etapas destinadas a alunos de 12 a 14 anos, de 15 a 17 anos e em competições seletivas.

O calendário escolar cria uma estrutura de acesso que aproxima estudantes, professores, treinadores e famílias. Para muitos jovens, a escola é o primeiro ambiente em que ocorre o contato organizado com o atletismo. A partir das disputas municipais e regionais, alguns participantes passam a integrar equipes ou projetos especializados.

Essa relação entre escola e esporte também ajuda a manter o foco na formação educacional. Em iniciativas voltadas ao esporte escolar, a participação do aluno não deve ser dissociada da frequência e do desempenho na escola. O objetivo é criar condições para que o jovem pratique a modalidade sem abandonar sua trajetória acadêmica.

Programas estaduais apoiam a formação esportiva

A política esportiva catarinense conta com programas voltados à ampliação da prática entre crianças e adolescentes. O Programa de Iniciação Desportiva Escolar, por exemplo, estabelece como metas promover atividades educacionais de formação esportiva, aumentar os níveis de prática esportiva e aproximar comunidade, escola e universidade.

Outro instrumento é o Programa de Incentivo ao Esporte, que apoia projetos de esporte educacional e formação esportiva em diferentes regiões do estado. O edital destinado a essa área prevê ações para ampliar a participação de crianças e adolescentes, fortalecer entidades realizadoras e incentivar o esporte como ferramenta de saúde, educação e inclusão.

Na prática, esses programas podem contribuir para a contratação de profissionais, a compra de materiais, a organização de núcleos de treinamento e a participação em eventos. A continuidade, porém, depende da existência de recursos, da capacidade de gestão das entidades e da articulação entre governos, escolas, clubes, federações e comunidade.

Projetos municipais mostram diferentes caminhos

Experiências desenvolvidas em municípios catarinenses revelam que não existe um único modelo de formação. Em São José, na Grande Florianópolis, projetos ligados à União Catarinense de Atletismo oferecem atividades gratuitas para crianças e jovens, com ações voltadas tanto à iniciação quanto ao desenvolvimento de atletas e paratletas.

A entidade mantém iniciativas como o projeto Correr Para o Futuro, que atende crianças e adolescentes em atividades de atletismo. Em 2026, a Prefeitura de São José informou que as oficinas gratuitas eram destinadas a participantes de 9 a 17 anos, com treinos realizados na pista da Beira-Mar. A proposta combina orientação técnica, disciplina, convivência e acesso ao esporte.

Em Nova Veneza, no Sul do estado, um projeto municipal de atletismo atua desde 1994 e atende gratuitamente atletas a partir dos 8 anos, segundo informações divulgadas pela Fesporte. A iniciativa utiliza competições escolares como uma das formas de aproximar os jovens da modalidade e selecionar participantes para a escolinha.

Também há projetos e associações em outras regiões. Em Tubarão, a Associação Desportiva Recreativa de Atletismo desenvolve ações de incentivo à modalidade e participa de competições do calendário catarinense, incluindo eventos escolares. Em Chapecó, o Programa Atleta do Futuro mantém polos de atendimento e oferece o atletismo entre as modalidades disponíveis para crianças e adolescentes.

Formação vai além do resultado na pista

O desempenho esportivo é uma parte importante do processo, mas não resume os resultados de um projeto de base. A rotina de treinos pode ajudar os jovens a desenvolver organização, responsabilidade, concentração e capacidade de lidar com frustrações. Esses efeitos dependem da qualidade da orientação e da forma como o ambiente esportivo é conduzido.

Em programas educacionais, o treino deve ser compreendido como uma experiência de aprendizagem. O jovem aprende regras, convive com colegas, reconhece limites e participa de atividades que exigem esforço contínuo. A competição pode estimular metas e superação, desde que não transforme o resultado em critério único para definir quem merece permanecer no projeto.

Essa perspectiva é especialmente importante no atletismo porque a evolução nem sempre ocorre de forma imediata. Diferenças de maturação física, adaptação técnica e experiência competitiva influenciam os resultados. Por isso, a avaliação precisa considerar o desenvolvimento individual e a regularidade do processo.

Inclusão amplia o alcance da modalidade

Projetos de atletismo também podem desempenhar papel importante na inclusão de pessoas com deficiência. A União Catarinense de Atletismo, por exemplo, desenvolve atividades com paratletas com deficiências físicas, intelectuais e visuais, além de participantes com paralisia cerebral e outras condições específicas.

No esporte paralímpico, o atletismo reúne provas adaptadas de pista e campo. A participação exige avaliação das características funcionais de cada atleta e acompanhamento técnico adequado. Quando estruturado com segurança, o treinamento pode ampliar a autonomia, a convivência social e o acesso a competições.

A Fesporte também apresenta projetos de atletismo paralímpico organizados em etapas de vivência esportiva, fundamentação e aprendizagem da prática. O modelo começa com atividades inclusivas e lúdicas, avança para o ensino de fundamentos e chega a situações de treinamento e competição adaptadas ao ritmo de cada participante.

Estrutura ainda é desafio para o crescimento

A expansão do atletismo depende de mais do que interesse dos jovens. Pistas em boas condições, equipamentos, transporte, profissionais qualificados e calendário regular são fatores que influenciam a permanência dos participantes e a qualidade dos treinamentos.

Em novembro de 2025, uma reunião técnica discutiu a elaboração de um projeto para uma pista de atletismo em Lages. A proposta foi apresentada como uma estrutura voltada tanto ao esporte competitivo quanto ao uso da comunidade, incluindo pessoas interessadas em caminhadas e corridas. O caso mostra como equipamentos esportivos podem atender simultaneamente à formação de atletas e à prática da população.

Em municípios menores, a ausência de pistas oficiais pode ser compensada parcialmente por adaptações e pelo uso de espaços públicos. Ainda assim, a falta de estrutura especializada limita o acesso a determinadas provas e dificulta a realização de competições. A descentralização dos equipamentos é, portanto, um dos pontos relevantes para ampliar a presença da modalidade no interior catarinense.

O papel dos profissionais e das famílias

Professores de Educação Física e treinadores são responsáveis por organizar atividades compatíveis com cada faixa etária, controlar a carga de treinamento e orientar os participantes sobre técnica e segurança. O trabalho também envolve a identificação de sinais de cansaço, lesões e desmotivação.

As famílias têm participação importante ao acompanhar a rotina dos jovens, apoiar a frequência aos treinos e manter diálogo com a equipe responsável. O incentivo deve estar relacionado ao compromisso e ao prazer de praticar, não apenas à conquista de medalhas ou à expectativa de uma carreira profissional.

Para os projetos, a transparência sobre horários, critérios de participação, custos, competições e responsabilidades ajuda a fortalecer a relação com a comunidade. Informações claras também facilitam o acesso de famílias que ainda não conhecem as oportunidades disponíveis.

Perspectivas para os jovens catarinenses

O atletismo em Santa Catarina reúne uma rede formada por escolas, prefeituras, associações, federações e programas estaduais. Essa estrutura permite que a modalidade cumpra diferentes funções: incentivar a prática física, apoiar a formação educacional, revelar talentos e oferecer caminhos para o esporte paralímpico.

O principal desafio é garantir continuidade. Projetos pontuais podem despertar o interesse, mas a formação esportiva exige tempo, acompanhamento e oportunidades sucessivas de participação. A manutenção de núcleos, a qualificação dos profissionais e a ampliação dos espaços de treinamento são medidas que ajudam a transformar a iniciação em uma trajetória duradoura.

Para os jovens catarinenses, a pista pode ser o primeiro lugar de uma experiência esportiva, mas os efeitos do atletismo ultrapassam o resultado de uma prova. Quando articulada à escola, à família e às políticas públicas, a modalidade contribui para formar atletas e cidadãos, com acesso mais amplo à saúde, à convivência e à participação social.