terça-feira, 29 de setembro de 2026
Esportes

Hipismo e atividades equestres ganham espaço no interior de Santa Catarina

O interior de Santa Catarina reúne clubes, centros equestres, propriedades rurais e projetos que oferecem hipismo, equitação, cavalgadas e equoterapia. As atividades combinam esporte, lazer, turismo e atendimento multidisciplinar.

O hipismo no interior de Santa Catarina reúne esporte, lazer, formação, turismo rural e atividades terapêuticas. Em diferentes regiões do estado, centros equestres, clubes, haras e propriedades rurais oferecem aulas de equitação, treinamentos, provas, cavalgadas e experiências de contato com os cavalos.

A prática não se limita às competições de alto rendimento. Para muitas famílias, o primeiro contato ocorre em aulas de iniciação ou passeios a cavalo. Para crianças e adolescentes, os centros equestres também funcionam como espaços de formação esportiva. Já no turismo rural, as cavalgadas aparecem associadas a trilhas, paisagens naturais, gastronomia e hospedagem.

O setor ainda inclui a equoterapia, modalidade que utiliza o cavalo em uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação. Em 2023, Santa Catarina sancionou a Lei nº 18.664, que estabeleceu regras para a prática no estado e definiu requisitos relacionados à avaliação e ao acompanhamento dos participantes.

Uma atividade que vai além do salto

O salto é uma das modalidades mais conhecidas do hipismo. Nas provas, cavaleiro e cavalo percorrem um percurso com obstáculos, respeitando critérios de tempo, precisão e penalidades. A atividade exige preparação física, técnica, controle emocional e sintonia entre o conjunto.

Em Santa Catarina, a Federação Catarinense de Hipismo organiza rankings, calendários, resultados e diretrizes técnicas para competições oficiais. O calendário reúne etapas de provas de salto, campeonatos estaduais e disputas voltadas a diferentes categorias, incluindo iniciantes, jovens cavaleiros, amadores, masters e atletas de níveis mais avançados.

A estrutura federativa também inclui entidades filiadas e equipes convidadas distribuídas por diferentes regiões. Entre os grupos relacionados à modalidade aparecem representantes do Vale do Itajaí e de Chapecó, o que indica a presença do esporte fora da Grande Florianópolis e dos principais centros da faixa litorânea.

Apesar de o salto concentrar parte da visibilidade competitiva, as atividades equestres são mais amplas. Elas incluem equitação básica, adestramento, manejo, provas internas, hipismo rural, cavalgadas recreativas, criação e treinamento de cavalos, além de ações ligadas ao turismo e à educação.

Interior reúne diferentes formas de contato com os cavalos

O interior catarinense apresenta condições favoráveis para atividades ao ar livre. A presença de áreas rurais, estradas de campo, propriedades agrícolas, matas, vales e regiões serranas permite a criação de roteiros equestres com características distintas.

Nas aulas de equitação, o objetivo pode ser a iniciação esportiva, o lazer ou o desenvolvimento de habilidades específicas. O aluno aprende a montar, conduzir e se comunicar com o cavalo, além de conhecer noções de segurança, escovação, alimentação e cuidados básicos com o animal.

Em centros voltados ao esporte, a rotina costuma incluir trabalho de pista, exercícios de equilíbrio, controle de velocidade, mudanças de direção e preparação para provas. A evolução depende da frequência dos treinamentos, da experiência do cavaleiro ou da amazona e das condições físicas e comportamentais do cavalo.

Também existem atividades realizadas em trilhas e estradas rurais. As cavalgadas podem ter caráter recreativo, turístico ou comunitário. Em geral, são organizadas por propriedades, empreendimentos de turismo rural, clubes ou grupos de cavaleiros. A duração e o nível de dificuldade variam de acordo com o percurso, o terreno e a experiência dos participantes.

Cavalgadas aproximam turismo rural e cultura do campo

O cavalo ocupa um lugar importante na formação histórica e cultural de muitas comunidades do interior de Santa Catarina. Em áreas de colonização rural, o animal esteve ligado ao transporte, ao trabalho no campo e à circulação entre propriedades. Com o tempo, parte dessas práticas passou a integrar atividades de lazer, turismo e convivência comunitária.

Levantamento realizado pelo Instituto Cepa, da Epagri, identificou a presença de cavalgadas e hipismo entre os serviços oferecidos por empreendimentos de turismo no espaço rural catarinense. O estudo também relacionou essas experiências a trilhas, caminhadas, alimentação, visitas a propriedades e contato com a natureza.

Esse formato permite que o visitante conheça paisagens rurais em um ritmo diferente do turismo convencional. A cavalgada pode atravessar campos, áreas de mata, estradas internas e trechos próximos a rios ou montanhas. Em alguns casos, o passeio é combinado com café colonial, almoço, hospedagem, venda de produtos coloniais ou atividades de educação ambiental.

Para que a experiência seja segura, o roteiro precisa considerar o perfil dos participantes, as condições climáticas, o tipo de terreno e o comportamento dos animais. Também é necessário definir previamente o tempo de duração, os pontos de parada, o uso de equipamentos de proteção e o acompanhamento por pessoas habilitadas.

Formação esportiva começa em categorias de base

O ingresso no hipismo pode ocorrer ainda na infância, mas a idade mínima e o formato das aulas variam conforme o centro equestre, o porte dos animais e os protocolos de segurança adotados. Em muitos locais, a iniciação ocorre com exercícios simples, conduzidos por instrutores, antes da participação em atividades mais complexas.

Competições internas são uma porta de entrada para quem deseja conhecer o ambiente esportivo. Provas com alturas menores e percursos adaptados permitem que iniciantes desenvolvam confiança e experiência antes de avançarem para categorias mais exigentes.

Programas de competição podem envolver séries de manejo, vara no chão, categorias escolares, provas de diferentes alturas e divisões por idade ou nível técnico. A progressão não depende apenas do desempenho do cavaleiro. O conjunto precisa demonstrar preparo, regularidade e capacidade de cumprir o percurso com segurança.

O treinamento também exige atenção ao bem-estar do animal. Alimentação adequada, acompanhamento veterinário, ferrageamento, descanso, limpeza das instalações e controle da carga de trabalho fazem parte da rotina de um centro equestre responsável.

Bem-estar animal é parte central da atividade

A prática equestre depende de uma relação de confiança entre o animal e o praticante. Por isso, a condução deve evitar situações de estresse desnecessário, excesso de esforço, equipamentos inadequados ou treinamento incompatível com a condição física do cavalo.

O manejo diário inclui alimentação, hidratação, higiene, exercícios, cuidados com cascos e observação do comportamento. Mudanças na postura, no apetite ou na disposição podem indicar problemas que precisam ser avaliados por profissionais especializados.

Em aulas e passeios, a orientação deve ser proporcional à experiência do participante. Pessoas sem prática não devem montar sozinhas nem escolher animais sem o acompanhamento de instrutores. O uso de capacete e de equipamentos adequados é uma medida básica de prevenção de acidentes.

Em cavalgadas, o grupo também precisa respeitar a distância entre os animais, manter atenção ao terreno e seguir as orientações do condutor. Crianças e pessoas iniciantes exigem acompanhamento mais próximo, principalmente em trilhas com aclives, declives, pontes, pedras ou trechos de circulação de veículos.

Equoterapia tem regulamentação estadual

A equoterapia é uma atividade diferente da equitação recreativa e do hipismo esportivo. Trata-se de uma abordagem terapêutica, educacional e de reabilitação que utiliza o cavalo para contribuir com o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência ou necessidades específicas.

Em Santa Catarina, a Lei nº 18.664, de 25 de julho de 2023, estabeleceu que a prática deve ser orientada por avaliação médica, psicológica e fisioterapêutica. A norma também prevê uma abordagem interdisciplinar, com participação de profissionais das áreas de saúde, educação e equitação.

O trabalho pode envolver exercícios de postura, equilíbrio, coordenação motora, percepção corporal, comunicação e interação social, sempre de acordo com o plano definido pela equipe responsável. A indicação e os objetivos variam conforme as necessidades de cada praticante.

Os centros de equoterapia precisam contar com estrutura, equipe e cavalos preparados para esse tipo de atendimento. O animal utilizado deve apresentar comportamento dócil, estabilidade e condições compatíveis com a atividade. O acompanhamento profissional é indispensável durante as sessões.

Projetos de equoterapia já foram desenvolvidos em diferentes regiões de Santa Catarina, inclusive em parceria com associações, escolas, instituições de atendimento e órgãos públicos. A existência de iniciativas no interior amplia o acesso de famílias que vivem fora dos grandes centros.

Como escolher uma atividade equestre

A escolha depende do objetivo do participante. Quem busca esporte deve procurar um centro com instrutores, pista apropriada, animais treinados e experiência em competições. Para lazer, o mais importante é verificar o tipo de passeio, o nível de dificuldade e a estrutura oferecida aos visitantes.

Em casos de equoterapia, a família deve buscar um serviço especializado e confirmar quais profissionais integram a equipe. A atividade não deve ser iniciada sem avaliação adequada nem substituir tratamentos indicados pelos profissionais de saúde.

Antes de contratar uma aula, passeio ou experiência turística, é recomendável perguntar sobre a duração, o número de participantes, os equipamentos fornecidos, a necessidade de agendamento e as condições para cancelamento em caso de chuva. Também é importante informar previamente limitações físicas, medo de animais ou falta de experiência.

O visitante deve observar se os cavalos parecem bem cuidados, se as instalações estão limpas e se os responsáveis demonstram preocupação com a segurança. A ausência de orientação, o excesso de animais em um mesmo espaço ou a pressão para que iniciantes realizem atividades difíceis são sinais de alerta.

Perspectivas para o setor no interior

O avanço das atividades equestres no interior de Santa Catarina depende da profissionalização dos serviços, da formação de instrutores, da organização de calendários equestres e da manutenção de estruturas adequadas. A conexão com o turismo rural também pode ampliar a oferta de experiências em propriedades familiares e empreendimentos de pequeno porte.

Ao mesmo tempo, o crescimento da atividade exige responsabilidade. O desenvolvimento do setor precisa estar associado ao bem-estar animal, à capacitação das equipes, à segurança dos participantes e ao respeito às características ambientais de cada região.

Com modalidades que vão do salto às cavalgadas, passando pela equitação de base, pelo turismo rural e pela equoterapia, o cavalo continua presente na vida econômica, esportiva e cultural de Santa Catarina. No interior, essa relação encontra espaço para se renovar sem abandonar a tradição ligada ao campo.

Fontes consultadas: Federação Catarinense de Hipismo; Sociedade Hípica Catarinense; Epagri/Cepa; Lei estadual nº 18.664/2023.