terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Praia de Lagoinha do Leste: conheça as trilhas e a área preservada em Santa Catarina

A Praia de Lagoinha do Leste é um dos principais destinos de natureza de Florianópolis. Cercada por Mata Atlântica, restinga, costões e uma lagoa, a área integra um parque natural municipal e tem acesso por trilhas de diferentes níveis de esforço.

A Praia de Lagoinha do Leste é um dos destinos naturais mais conhecidos de Florianópolis, em Santa Catarina. Situada no sul da Ilha de Santa Catarina, a praia combina mar aberto, faixa de areia, restinga, costões rochosos, mata e uma lagoa que dá nome ao lugar.

O acesso terrestre é feito por trilhas. Os dois caminhos mais conhecidos partem do Pântano do Sul e da Praia do Matadeiro, vizinha da Armação. A primeira opção é mais curta e apresenta trechos íngremes. A segunda é mais longa, mas oferece vistas abertas do litoral e dos costões.

A área integra o Parque Natural Municipal da Lagoinha do Leste, unidade de conservação administrada pela Prefeitura de Florianópolis. Por isso, a visita exige atenção às condições da trilha, respeito à vegetação e planejamento para passar algumas horas em uma região sem acesso direto por estrada.

Onde fica a Praia de Lagoinha do Leste

A praia fica no distrito do Pântano do Sul, no sul de Florianópolis. Embora esteja relativamente próxima de comunidades, restaurantes e outras praias da região, não há uma via urbana que leve diretamente até a faixa de areia da Lagoinha do Leste.

O isolamento é uma das características que ajudam a explicar a preservação da paisagem. A praia está cercada por morros e áreas de vegetação nativa, sem ocupação urbana junto à areia. O conjunto formado pela praia, pela lagoa, pelas dunas, pela restinga e pelos costões cria uma paisagem diferente de outras áreas mais urbanizadas da capital catarinense.

O parque também abrange áreas relacionadas às praias da Armação, do Matadeiro e do Pântano do Sul. Segundo informações da administração municipal, a unidade de conservação foi criada em 1992 e teve seus limites adequados ao modelo de Parque Natural Municipal pela Lei nº 10.387, de 2018.

Como é a trilha da Lagoinha do Leste pelo Pântano do Sul

O acesso pelo Pântano do Sul é considerado o caminho mais curto até a Praia de Lagoinha do Leste. A trilha começa em área próxima à praia do Pântano do Sul e atravessa uma região de mata antes de alcançar a faixa de areia da Lagoinha.

O percurso costuma ser estimado em cerca de 2 a 3 quilômetros, dependendo do ponto considerado como início e da rota utilizada. A duração varia conforme o ritmo do visitante, as condições do terreno e as paradas, mas normalmente é feita em aproximadamente uma hora por pessoas acostumadas a caminhar.

Apesar da distância menor, esse caminho não deve ser confundido com uma caminhada fácil. Há subida acentuada no início ou em trechos do trajeto, além de descidas que podem ficar escorregadias depois de chuva. O terreno inclui pedras, raízes, degraus naturais e áreas de solo irregular.

A vegetação oferece sombra em parte do percurso, mas não elimina a necessidade de levar água, usar calçado adequado e proteger-se do sol. Em dias de calor, a combinação de umidade, inclinação e esforço físico pode tornar a caminhada mais exigente do que a distância sugere.

Como é a trilha pelo Matadeiro

A segunda alternativa começa na Praia do Matadeiro, que pode ser acessada a pé a partir da Armação. Depois de atravessar a área que liga as duas praias, o visitante segue pelo canto do Matadeiro e entra na trilha em direção à Lagoinha do Leste.

Esse caminho tem aproximadamente 4 quilômetros até a praia, conforme estimativas divulgadas por guias e materiais de visitação. Em geral, é mais demorado do que a rota pelo Pântano do Sul, mas apresenta trechos com paisagens amplas do oceano, dos costões e das encostas cobertas por vegetação.

A trilha alterna áreas de mata e segmentos mais expostos. Em alguns pontos, o visitante caminha próximo aos costões, o que amplia a vista, mas também exige atenção redobrada. O vento, o sol e a proximidade de áreas rochosas tornam importante evitar atalhos e permanecer no caminho demarcado.

Para quem deseja conhecer o trajeto com mais calma, a rota pelo Matadeiro pode ocupar boa parte do dia. O tempo total depende das paradas, do condicionamento físico e das condições do terreno. A volta pelo mesmo caminho aumenta o esforço, especialmente após o período passado na praia.

Qual trilha escolher

A escolha depende do objetivo e da condição física de cada visitante. Quem prioriza o caminho mais curto costuma optar pelo Pântano do Sul, sabendo que enfrentará subidas e descidas mais concentradas. Já quem prefere uma caminhada mais longa, com vistas costeiras ao longo do percurso, pode escolher o acesso pelo Matadeiro.

Também é possível planejar um roteiro que utilize uma trilha na ida e outra na volta. Essa alternativa exige organização logística, porque os pontos de chegada ficam em áreas diferentes. O visitante precisa considerar o deslocamento entre o Pântano do Sul, a Armação e o Matadeiro, além do tempo necessário para completar os dois trajetos.

Para pessoas sem experiência em trilhas, crianças pequenas, idosos ou visitantes com limitações de mobilidade, o percurso pode exigir avaliação cuidadosa. A existência de sinalização ou de caminho conhecido não elimina os riscos naturais de uma trilha em área de mata e relevo acidentado.

Morro da Coroa e os mirantes

Um dos pontos mais procurados no entorno da praia é o Morro da Coroa, localizado na área sul da unidade de conservação. O local oferece uma vista panorâmica da faixa de areia, da lagoa, dos morros e do mar.

O acesso ao mirante envolve subida e terreno irregular. A paisagem costuma ser o principal motivo da caminhada, mas o trecho requer cuidado, sobretudo em dias de chuva, vento forte ou solo úmido. Não é recomendável avançar sobre bordas de costões ou buscar pontos fora do caminho apenas para fotografar.

O mirante também mostra a relação entre os diferentes ambientes protegidos do parque. A faixa de areia é acompanhada por áreas de restinga, enquanto a lagoa e os cursos d’água contribuem para a formação de um sistema ambiental conectado à mata e às encostas.

Preservação e importância ambiental

O Parque Natural Municipal da Lagoinha do Leste protege uma área formada por Floresta Ombrófila Densa, manguezal e restinga. A unidade também reúne dunas, ambientes úmidos, costões e áreas de transição entre a vegetação de mata e a influência marinha.

A criação do parque teve como objetivo preservar os ecossistemas, a paisagem e os recursos naturais da região. A unidade também prevê atividades de educação ambiental, pesquisa, turismo ecológico e recreação compatível com a conservação.

A ausência de ruas, edificações e estruturas urbanas junto à praia é parte do patrimônio ambiental do local. Por isso, o aumento da visitação precisa ser acompanhado de regras, fiscalização e comportamento responsável dos visitantes. A Prefeitura de Florianópolis aprovou, em 2026, o plano de manejo da unidade, documento que estabelece diretrizes para a gestão e o uso da área protegida.

Cuidados antes de fazer a trilha

O planejamento começa antes da chegada ao ponto de partida. É importante verificar a previsão do tempo, iniciar a caminhada com luz do dia e reservar tempo suficiente para a ida e a volta. Em caso de chuva intensa, o terreno pode ficar escorregadio e os cursos d’água podem aumentar de volume.

  • Use tênis ou botas apropriados para trilha, com sola aderente.
  • Leve água em quantidade suficiente para todo o percurso.
  • Carregue alimentos leves, protetor solar, repelente e uma pequena farmácia pessoal.
  • Prefira roupas que protejam do sol e de galhos, folhas e insetos.
  • Evite caminhar sozinho e avise alguém sobre o roteiro escolhido.
  • Não saia do caminho demarcado nem tente abrir atalhos.
  • Recolha todo o lixo e não retire plantas, pedras ou outros elementos naturais.
  • Não alimente animais e mantenha distância da fauna.
  • Tenha cuidado ao entrar no mar, especialmente em dias de ondas fortes.

A praia e as trilhas não devem ser tratadas como um passeio urbano convencional. Há trechos sem estrutura de apoio, sinal de celular pode variar e o retorno pode ser mais cansativo do que a ida. Quem não estiver em boas condições físicas deve considerar uma atividade alternativa na região.

O que levar e como organizar a visita

Como a caminhada pode durar várias horas, o ideal é sair preparado para permanecer algum tempo longe de comércio e serviços. A quantidade de água deve considerar o calor, o esforço e a duração planejada do passeio. Também é recomendável levar o celular carregado, mas sem depender exclusivamente dele para orientação.

O acesso por embarcação pode ser oferecido em determinados períodos e condições, especialmente na alta temporada, em parceria com pescadores artesanais do Pântano do Sul. A disponibilidade, os horários e os valores podem variar. Por isso, é necessário confirmar previamente as condições do serviço com os operadores locais ou com os canais oficiais do município.

Na praia, o visitante deve respeitar as áreas de restinga e evitar pisotear a vegetação. A restinga ajuda a fixar a areia e integra o sistema ambiental protegido. Mesmo quando o caminho parece livre, abrir novas passagens pode acelerar a erosão e prejudicar a regeneração das plantas.

Por que conhecer a Lagoinha do Leste

A Praia de Lagoinha do Leste reúne alguns dos elementos mais marcantes do litoral de Florianópolis: mar aberto, mata preservada, costões, dunas, lagoa e trilhas. A experiência, porém, depende menos de infraestrutura turística e mais da disposição para caminhar e respeitar os limites ambientais da unidade.

O destino é indicado para quem busca contato com a natureza e aceita enfrentar um percurso de esforço moderado a elevado, conforme a rota escolhida. O acesso pelo Pântano do Sul é mais direto, enquanto o caminho pelo Matadeiro valoriza a travessia costeira e os mirantes naturais.

Antes de sair, o visitante deve consultar informações atualizadas da Prefeitura de Florianópolis e da FLORAM, principalmente sobre regras de uso, condições das trilhas e eventuais alterações no acesso. Com planejamento e comportamento responsável, a visita pode ser aproveitada sem comprometer a preservação da área.