terça-feira, 29 de setembro de 2026
Esportes

Paradesporto em Santa Catarina amplia oportunidades para atletas catarinenses

Santa Catarina tem ampliado as oportunidades para atletas com deficiência por meio de competições, bolsas, projetos de iniciação e ações de desenvolvimento do paradesporto. Iniciativas apoiadas pela Fesporte incluem basquete em cadeira de rodas, xadrez para surdos e paraciclismo.

O paradesporto em Santa Catarina tem ampliado as oportunidades para atletas com deficiência por meio de competições escolares e de rendimento, programas de incentivo, bolsas e projetos de iniciação esportiva. A estrutura reúne ações do governo estadual, prefeituras, entidades esportivas, clubes, associações e instituições de ensino.

Entre as iniciativas mais recentes está o edital da Fundação Catarinense de Esporte (Fesporte) voltado ao desenvolvimento do paradesporto. O resultado definitivo, publicado no Diário Oficial do Estado em 7 de abril de 2026, aprovou três projetos aptos a captar recursos: basquete em cadeira de rodas, xadrez para surdos e paraciclismo de alto rendimento. Juntos, os projetos receberam autorização para captar até R$ 739.396,73.

O mecanismo não representa, automaticamente, o repasse integral dos valores. A aprovação habilita as propostas a buscar recursos dentro das regras do Programa de Incentivo ao Esporte. A diferença é importante porque a execução depende da captação e das etapas previstas em cada projeto.

O movimento mostra que o desenvolvimento esportivo de pessoas com deficiência não se limita à participação em grandes competições. A formação começa na iniciação, passa pelo ambiente escolar e pode chegar ao alto rendimento, desde que o atleta tenha acesso a profissionais, equipamentos, transporte, calendário competitivo e apoio financeiro.

As ações estão relacionadas a uma política mais ampla de fortalecimento do esporte para pessoas com deficiência no Estado. A Fesporte mantém competições como os Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina, conhecidos como Parajasc, e os Jogos Escolares Paradesportivos de Santa Catarina, os Parajesc. A fundação também apoia outras atividades destinadas às categorias escolares e adultas. (fesporte.sc.gov.br)

Projetos atendem diferentes etapas da formação esportiva

O edital de 2025 selecionou propostas com perfis distintos. O Centro Esportivo Para Pessoas Especiais teve aprovado o projeto de iniciação paradesportiva e ativação de novos atletas no basquete em cadeira de rodas, com valor autorizado para captação de R$ 239.580,81.

A Associação de Xadrez de Joaçaba foi selecionada com o projeto Rendimento Inclusivo – Xadrez para Surdos, no valor de R$ 249.889,46. A proposta amplia a presença de atletas surdos em uma modalidade que exige treinamento técnico, participação em torneios e acompanhamento especializado.

Também foi aprovado o Programa de Paraciclismo de Alto Rendimento, apresentado pela Associação Pedala Itapema de Ciclismo. O projeto recebeu autorização para captar R$ 249.926,46 e tem como foco o desenvolvimento de atletas em uma modalidade que depende de equipamentos específicos, preparação física e participação em competições.

A variedade das propostas indica que o paradesporto catarinense possui demandas diferentes conforme a modalidade. Enquanto projetos de iniciação buscam aproximar novos praticantes do esporte, iniciativas de rendimento precisam oferecer condições para que atletas já formados avancem em rankings, campeonatos nacionais e eventos internacionais.

O edital da Fesporte estabelece entre seus objetivos o fomento à formação de novos atletas, o apoio à participação de catarinenses em competições estaduais, nacionais e internacionais e o aprimoramento do desempenho de paratletas. Também prevê incentivo à adequação de espaços e equipamentos destinados ao treinamento. (portal.doe.sea.sc.gov.br)

Competições escolares funcionam como porta de entrada

Os eventos escolares têm papel relevante na identificação de talentos. Ao reunir estudantes de diferentes municípios, os Parajesc ajudam a criar uma experiência competitiva para jovens atletas e a aproximá-los de treinadores, equipes e entidades especializadas.

Esse percurso pode levar a competições estaduais, nacionais e internacionais. Critérios adotados em programas municipais de incentivo, como o Bolsa Desportiva e Paradesportiva de Joinville, consideram resultados em eventos como os Parajesc, os Parajasc, as Paralimpíadas Escolares e campeonatos organizados pelo Comitê Paralímpico Brasileiro.

A existência de um calendário regular também contribui para o planejamento dos treinamentos. Para os atletas, competir com frequência permite avaliar desempenho, conhecer adversários e buscar índices. Para técnicos e instituições, as competições ajudam a identificar necessidades de preparação e a acompanhar a evolução dos participantes.

Em agosto de 2026, Chapecó recebeu a etapa estadual da 19ª edição dos Jogos Abertos Paradesportivos de Santa Catarina. Além das disputas, a programação incluiu palestras técnicas com participação de representantes do Comitê Paralímpico Brasileiro, voltadas à troca de experiências e à atualização de conhecimentos no setor. (devportal.pmf.sc.gov.br)

Bolsa e financiamento ajudam a reduzir barreiras

A prática esportiva de alto rendimento envolve despesas que muitas vezes ultrapassam a capacidade financeira das famílias e das próprias associações. Viagens, alimentação, inscrições, equipamentos, manutenção de cadeiras esportivas, próteses, uniformes e acompanhamento profissional estão entre os custos que podem dificultar a permanência do atleta.

Programas de bolsa e mecanismos de incentivo esportivo procuram reduzir parte dessas barreiras. Em Santa Catarina, a Fesporte mantém o Programa Bolsa-Atleta, que contempla diferentes níveis de desempenho e inclui atletas, paratletas e atletas surdos conforme os critérios estabelecidos em edital.

O edital referente ao Bolsa-Atleta de Santa Catarina para 2026 foi publicado com categorias e critérios vinculados ao esporte educacional, ao rendimento e à participação em competições reconhecidas. A relação dos contemplados deve ser divulgada pela Fesporte em seus canais oficiais e no Diário Oficial, conforme previsto no próprio regulamento. (portal.doe.sea.sc.gov.br)

Nos municípios, os mecanismos de apoio podem complementar a política estadual. Em Joinville, por exemplo, a prefeitura informou investimento superior a R$ 1 milhão em bolsas para paratletas e técnicos do paradesporto em 2026. O município também ampliou o orçamento destinado a esse público, segundo a administração municipal. (joinville.sc.gov.br)

O apoio local é especialmente importante para atletas em fase de formação. Muitas vezes, a cidade é responsável pelo primeiro contato com a modalidade, pela oferta de espaços de treinamento e pelo custeio de viagens para competições regionais. Quando há integração entre município, Estado e entidades esportivas, o atleta tende a encontrar mais possibilidades de continuidade.

Estrutura ainda exige planejamento permanente

O avanço do paradesporto depende de mais do que a realização de competições. A acessibilidade dos locais de treino, a disponibilidade de profissionais qualificados, a classificação esportiva, o transporte adaptado e a manutenção dos equipamentos são fatores que influenciam diretamente a permanência dos atletas.

Também é necessário aproximar o esporte das escolas e dos serviços que atendem pessoas com deficiência. A identificação de novos talentos pode ocorrer em aulas de educação física, projetos sociais, centros de reabilitação e associações comunitárias, desde que exista comunicação entre essas instituições e as equipes esportivas.

Outro desafio é garantir que a oferta não fique concentrada em poucos municípios. A dimensão territorial de Santa Catarina exige políticas capazes de alcançar diferentes regiões, com ações de iniciação e oportunidades de competição fora dos principais centros. O incentivo a projetos descentralizados pode ajudar a descobrir atletas que ainda não têm acesso a clubes ou estruturas de alto rendimento.

O próprio desenho dos programas de incentivo reconhece a necessidade de formação e desenvolvimento. Entre as diretrizes do esporte de rendimento estão o apoio à evolução de atletas, a criação de mecanismos para novos praticantes, a qualificação de dirigentes e gestores, a melhoria de equipamentos e o estímulo à pesquisa científica.

Resultados esportivos ampliam visibilidade

Santa Catarina também aparece no cenário nacional por meio de atletas que participam de meetings, campeonatos brasileiros e competições internacionais. Em abril de 2025, Florianópolis recebeu uma etapa do Meeting Paralímpico organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro. O evento reuniu 590 atletas em três modalidades e marcou o início da temporada para competidores que buscavam classificação para campeonatos mundiais. (cpb.org.br)

Competições desse tipo aproximam atletas catarinenses do circuito nacional e oferecem oportunidade de obtenção de marcas, experiência e visibilidade. Ao mesmo tempo, movimentam a cadeia esportiva local, com participação de técnicos, árbitros, profissionais de saúde, dirigentes e equipes de apoio.

O desempenho em torneios também pode abrir caminho para programas de bolsa e convocações. No entanto, resultados isolados não substituem uma política contínua. O desenvolvimento de um atleta exige acompanhamento ao longo de várias temporadas e condições para conciliar treinamento, estudos, trabalho e deslocamentos.

Inclusão vai além da medalha

O fortalecimento do paradesporto tem impacto que ultrapassa o resultado das competições. A prática esportiva contribui para a autonomia, a socialização e a qualidade de vida das pessoas com deficiência. Para crianças e adolescentes, o contato com equipes e eventos pode ampliar a participação comunitária e o acesso a novas referências.

Para o esporte catarinense, a expansão das modalidades paradesportivas também representa a possibilidade de formar profissionais, qualificar estruturas e estimular uma cultura de acessibilidade. O atleta deixa de ser visto apenas como beneficiário de uma ação social e passa a ocupar o espaço de competidor, estudante, trabalhador e representante de sua cidade ou Estado.

Os projetos apoiados pela Fesporte, a realização dos Parajasc e dos Parajesc e a existência de programas de bolsa mostram que Santa Catarina dispõe de diferentes caminhos para ampliar a participação de pessoas com deficiência no esporte. O desafio é assegurar continuidade, transparência na aplicação dos recursos e acesso equilibrado entre as regiões.

Com ações de iniciação, calendário competitivo, apoio financeiro e estrutura adequada, o paradesporto em Santa Catarina pode ampliar a base de praticantes e criar condições para que mais atletas catarinenses avancem da descoberta da modalidade à representação estadual, nacional e internacional.