terça-feira, 29 de setembro de 2026
Esportes

Academias ao ar livre ganham espaço em cidades de Santa Catarina

Municípios de Santa Catarina ampliam ou revitalizam academias ao ar livre em praças, parques e comunidades. A expansão é associada à promoção da saúde, ao envelhecimento ativo e à ocupação de áreas públicas, mas exige manutenção, acessibilidade e orientação adequada aos usuários.

As academias ao ar livre ganham espaço em cidades de Santa Catarina como parte de projetos de revitalização de praças, parques, áreas de lazer e comunidades. A instalação de equipamentos para exercícios passou a integrar obras públicas que também incluem pistas de caminhada, playgrounds, iluminação, mobiliário urbano e espaços de convivência.

O movimento aparece em municípios de diferentes regiões do Estado. Em 2025, por exemplo, Chapecó inaugurou a revitalização de uma praça no bairro São Cristóvão com quadra poliesportiva, playground, áreas de convivência e academia ao ar livre. No mesmo ano, Lages abriu licitação para a construção e instalação de uma academia no Complexo Esportivo Jones Minosso.

Também houve iniciativas voltadas a comunidades menores. Em Bela Vista do Toldo, um processo de contratação previu a aquisição de quatro academias ao ar livre para a praça central, unidades de saúde e localidades do interior. Em Schroeder, a prefeitura planejou a implantação de equipamentos nos fundos de uma unidade da Estratégia Saúde da Família.

Equipamentos ocupam praças e áreas de convivência

As academias ao ar livre são formadas, em geral, por equipamentos de uso coletivo voltados a movimentos de alongamento, fortalecimento muscular, mobilidade e exercícios aeróbicos de baixa ou moderada intensidade. Entre os aparelhos mais comuns estão simuladores de caminhada e esqui, bicicletas estacionárias, remadores, barras paralelas e estações para alongamento.

O modelo tem como principal característica o acesso gratuito e a integração com o espaço urbano. Em vez de ficarem restritos a um ambiente fechado, os aparelhos são instalados em locais de circulação cotidiana, como praças de bairro, parques, áreas próximas a escolas, unidades de saúde e complexos esportivos.

Em Chapecó, a relação de praças e parques divulgada pela prefeitura reúne diversos espaços com academias ao ar livre. A estrutura aparece associada a áreas com pista de caminhada, quadras, brinquedos infantis e equipamentos de lazer. Em Blumenau, projetos recentes de revitalização também incorporaram academia, pista de caminhada, playground, espaço para animais e mobiliário urbano.

A combinação amplia o uso das áreas públicas. A pessoa que caminha pode utilizar os aparelhos antes ou depois da atividade; famílias podem permanecer no local enquanto crianças brincam; e moradores passam a ter um ponto de encontro próximo de casa.

Expansão ocorre em municípios de diferentes portes

A presença das academias ao ar livre não se concentra apenas nas maiores cidades catarinenses. Registros municipais mostram iniciativas em municípios litorâneos, no Vale do Itajaí, no Oeste, no Planalto Norte e no Sul do Estado.

Em Balneário Camboriú, a prefeitura já informou a existência de academias distribuídas por diferentes bairros. Camboriú também anunciou a instalação de novos equipamentos em praças dos bairros Centro, Rio do Meio, Monte Alegre e Rio Pequeno. Em Balneário Gaivota, os espaços estão localizados em áreas como a comunidade de Lagoa de Fora e a terceira avenida.

Na região do Planalto Norte, o Diário Oficial dos Municípios de Santa Catarina registrou, em 2026, contratos de Saudades para a aquisição de aparelhos destinados à implantação de parquinhos com academias ao ar livre nas comunidades de Alto Solteiro e outras localidades. O caso indica que a política também alcança áreas rurais e comunidades afastadas da região central.

Em Major Vieira, um termo publicado no Diário Oficial do Estado previu recursos para a instalação de playground e academia ao ar livre nas localidades de Rio Vermelho e Serra Preta. Já em Schroeder, a contratação foi planejada para uma área próxima a uma unidade de saúde, com o objetivo de aproximar a prática de atividade física da atenção básica.

Saúde pública e prevenção

A instalação de equipamentos, por si só, não substitui um programa de atividade física orientada. Ainda assim, a oferta de espaços acessíveis pode reduzir barreiras para quem não tem condições de frequentar uma academia particular ou mora longe de centros esportivos.

O Programa Academia da Saúde, do Ministério da Saúde, considera os espaços públicos como pontos de promoção da saúde e de cuidado. O programa prevê infraestrutura, equipamentos, profissionais qualificados e ações articuladas com a Atenção Primária à Saúde.

O Ministério da Saúde destaca que a prática regular de atividade física está relacionada à melhora da qualidade de vida, ao controle de fatores de risco e à manutenção da autonomia, especialmente durante o envelhecimento. A orientação oficial também chama atenção para os efeitos do comportamento sedentário e para a importância de começar de forma gradual.

As academias ao ar livre podem atender diferentes faixas etárias, mas o uso deve respeitar as condições físicas de cada pessoa. Idosos, pessoas com doenças crônicas, indivíduos em recuperação de lesões e usuários que estão há muito tempo sem praticar exercícios podem precisar de avaliação ou acompanhamento profissional antes de aumentar a intensidade das atividades.

O papel dos idosos e da convivência comunitária

Um dos públicos mais associados às academias ao ar livre é a população idosa. Os exercícios de mobilidade, equilíbrio e fortalecimento podem contribuir para a independência funcional, desde que sejam executados de forma adequada e compatível com as limitações de cada usuário.

O Ministério da Saúde recomenda que a atividade física seja incorporada progressivamente à rotina. A orientação inclui começar com exercícios leves, aumentar o tempo e a intensidade aos poucos, utilizar roupas e calçados adequados, beber água e evitar os períodos de calor mais intenso.

Além do aspecto físico, esses espaços cumprem uma função social. A presença de moradores nas praças favorece a convivência, amplia a circulação de pessoas e pode estimular a ocupação contínua de áreas que antes eram pouco utilizadas. Em municípios menores, o equipamento também pode funcionar como ponto de encontro entre moradores de uma mesma comunidade.

Essa dimensão é importante porque a atividade física não depende apenas da disposição individual. A existência de locais próximos, gratuitos, iluminados e seguros influencia a decisão de caminhar, alongar-se ou realizar exercícios com frequência.

Manutenção é desafio para as prefeituras

A expansão das academias ao ar livre traz também uma responsabilidade permanente para os municípios. Os equipamentos ficam expostos ao sol, à chuva, à umidade e ao uso intenso. Sem inspeção e manutenção, podem surgir problemas como ferrugem, peças soltas, desgaste de pisos, falhas de fixação e placas de orientação danificadas.

Documentos de contratação publicados por municípios catarinenses mostram que a escolha dos materiais e os custos de conservação estão entre os pontos considerados nos projetos. Em Schroeder, por exemplo, o estudo técnico para a implantação de uma academia discutiu o uso de aço inoxidável, levando em conta resistência à corrosão, durabilidade e menor necessidade de manutenção.

A qualidade do piso e da área de circulação também interfere na segurança. O acesso deve permitir a passagem de pessoas com mobilidade reduzida, com calçadas adequadas, rampas quando necessárias e espaço suficiente entre os aparelhos. A instalação próxima a unidades de saúde pode facilitar a orientação, mas não elimina a necessidade de sinalização clara e acompanhamento quando indicado.

Outro ponto é a preservação. Equipamentos públicos não devem ser usados como brinquedos por crianças pequenas, nem submetidos a movimentos para os quais não foram projetados. A depredação reduz a vida útil da estrutura e pode deixar o local inutilizado até que o reparo seja concluído.

Academia ao ar livre não é substituto de academia convencional

Os aparelhos instalados em praças foram projetados para oferecer movimento e condicionamento básico, mas não reproduzem a variedade de cargas, regulagens e supervisão encontrada em uma academia particular ou em um centro esportivo especializado.

O uso deve começar com aquecimento e movimentos simples. A pessoa precisa observar a postura, evitar trancos e interromper o exercício em caso de dor, tontura, falta de ar fora do habitual ou mal-estar. Também é importante não aumentar a carga ou o número de repetições sem adaptação progressiva.

Em caso de dúvida, a orientação é buscar a unidade básica de saúde ou um profissional de educação física. O Guia de Atividade Física para a População Brasileira recomenda verificar as oportunidades oferecidas por secretarias municipais de saúde, esporte e lazer, além de programas públicos disponíveis em cada cidade.

Espaços públicos como parte da política urbana

A instalação de academias ao ar livre mostra como saúde, esporte, lazer e planejamento urbano podem ser combinados em uma mesma obra. Quando o equipamento é inserido em uma praça bem iluminada, acessível e conectada a pistas de caminhada e áreas verdes, o investimento ultrapassa a compra dos aparelhos.

O resultado depende do conjunto: escolha do local, participação da comunidade, conservação, segurança, acessibilidade e eventual oferta de atividades orientadas. Sem esses elementos, a academia pode permanecer subutilizada ou se deteriorar rapidamente.

Os exemplos recentes de Chapecó, Lages, Bela Vista do Toldo, Schroeder, Major Vieira e Saudades indicam que os municípios catarinenses continuam recorrendo a esse tipo de estrutura para qualificar áreas de lazer e ampliar as oportunidades de atividade física. Não há, porém, um levantamento estadual único que permita afirmar quantas academias ao ar livre estão em funcionamento em Santa Catarina.

O avanço do modelo, portanto, pode ser observado pelos projetos municipais, licitações, revitalizações e contratos publicados em diferentes regiões. Para que a expansão produza efeitos duradouros, a instalação dos equipamentos precisa vir acompanhada de manutenção, orientação e integração com as demais políticas públicas de saúde e qualidade de vida.

Em um Estado com cidades grandes, municípios pequenos e comunidades espalhadas por áreas urbanas e rurais, as academias ao ar livre oferecem uma solução de baixo custo de acesso para estimular o movimento no cotidiano. Mais do que um conjunto de aparelhos, esses espaços representam uma tentativa de aproximar a atividade física da vida diária e de transformar praças e parques em ambientes permanentes de convivência.