terça-feira, 29 de setembro de 2026
SAÚDE

Saúde e segurança em trilhas em Santa Catarina: como se preparar e evitar acidentes

Veja os principais cuidados de saúde e segurança para praticar trilhas em Santa Catarina, desde a escolha do percurso até os procedimentos em caso de queda, desorientação, picada ou mal-estar.

As trilhas de Santa Catarina atraem moradores e visitantes para áreas de Mata Atlântica, morros, serras, praias, rios e cachoeiras. A diversidade de paisagens, porém, também exige preparação. Terreno irregular, chuva, neblina, pedras escorregadias, animais peçonhentos, desidratação e perda de orientação estão entre os riscos que podem transformar um passeio em uma situação de emergência.

Para reduzir esses perigos, o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) recomenda pesquisar previamente o percurso, verificar a previsão do tempo, usar roupas e calçados apropriados, levar água e alimentação e avisar alguém de confiança sobre o trajeto e o horário previsto para o retorno. Em caso de emergência, a orientação é acionar o serviço pelo telefone 193. (cbm.sc.gov.br)

Planejamento começa antes de sair de casa

A primeira medida de segurança é escolher uma trilha compatível com o preparo físico e a experiência do grupo. Distância, desnível, duração, condições do terreno e existência de trechos expostos devem ser considerados antes do início da caminhada. Uma rota curta no mapa pode exigir esforço elevado quando há subidas acentuadas, lama, raízes, pedras ou travessias de cursos d’água.

Também é importante verificar se o percurso é oficial, se há regras de visitação e se a área conta com sinalização ou apoio de condutores. Em trilhas pouco conhecidas, extensas ou com trechos técnicos, a contratação de um guia ou condutor capacitado pode ajudar na navegação, na avaliação das condições do caminho e no acionamento de socorro.

O grupo deve informar a uma pessoa que não participará do passeio o local de entrada, o caminho previsto, os nomes dos participantes e o horário estimado de retorno. Sempre que possível, a localização deve ser compartilhada pelo celular, mas sem depender exclusivamente do sinal de internet ou de telefonia. Em muitas áreas naturais, a cobertura é limitada ou inexistente.

O horário também merece atenção. O ideal é calcular o tempo de ida e volta para concluir o percurso ainda com luz do dia. O CBMSC alerta que pedir ajuda o quanto antes facilita a localização e pode ampliar as alternativas de resgate, especialmente quando ainda há boa visibilidade. (portal.cbm.sc.gov.br)

O que levar para uma trilha

O equipamento deve ser escolhido de acordo com a duração, o grau de dificuldade e a previsão do tempo. Entre os itens básicos estão água em quantidade suficiente, alimentos leves, celular com bateria carregada, carregador portátil, lanterna, protetor solar, repelente e agasalho ou capa de chuva.

Roupas leves e confortáveis facilitam a caminhada, enquanto peças de manga comprida e calças podem proteger contra sol, arranhões, insetos e contato com a vegetação. Em áreas de mata, roupas claras ajudam a visualizar carrapatos. O calçado deve ser fechado, firme e adequado para terreno irregular. Botas de cano alto ou perneiras podem reduzir a exposição das pernas a picadas de serpentes e outros animais.

Um pequeno kit de primeiros socorros pode conter materiais para cobrir ferimentos, limpar a pele e fazer curativos simples. O kit não substitui atendimento profissional e não deve incluir medicamentos para uso de terceiros sem orientação. Pessoas que fazem tratamento contínuo precisam levar os próprios remédios, em embalagem adequada, e informar o grupo sobre condições de saúde relevantes.

Além da água para beber, é prudente levar uma reserva para imprevistos. A disponibilidade de fontes no caminho não significa que a água seja potável. Rios, córregos e cachoeiras podem estar contaminados por microrganismos, resíduos ou urina de animais.

Calor, desidratação e esforço físico

O calor aumenta o desgaste durante a caminhada e pode provocar fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea, cãibras e desmaio. O Ministério da Saúde recomenda hidratação regular e alerta para os riscos da exposição prolongada ao sol e ao calor intenso. (gov.br)

A pessoa deve beber água ao longo do percurso, fazer pausas em locais seguros e evitar avançar quando surgirem sinais de exaustão. Parar em áreas sombreadas, reduzir o ritmo e comunicar o mal-estar ao grupo são medidas mais seguras do que insistir para cumprir o roteiro.

O protetor solar deve ser aplicado antes da atividade e reaplicado conforme a orientação do fabricante, sobretudo em caminhadas prolongadas. Boné ou chapéu, óculos de sol e roupas que cubram a pele também ajudam a reduzir a exposição.

Pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias, metabólicas ou outras condições que possam ser agravadas por esforço devem buscar orientação profissional antes de iniciar atividades intensas. A trilha deve ser adaptada ao condicionamento de cada participante, sem competição ou pressão para acompanhar o ritmo dos demais.

Chuva, pedras e travessias de rios

Em Santa Catarina, mudanças rápidas no tempo podem alterar as condições de uma trilha. Chuva, vento forte, baixa visibilidade e neblina aumentam o risco de escorregões, quedas, hipotermia e desorientação. O CBMSC orienta evitar trilhas quando há previsão de tempo instável ou quando o percurso foi afetado por chuvas recentes. (portal.cbm.sc.gov.br)

Pedras molhadas ou cobertas por limo devem ser tratadas como superfícies escorregadias. O uso de calçado apropriado não elimina o risco, por isso é necessário reduzir a velocidade, manter as mãos livres e testar o apoio antes de transferir o peso do corpo.

Travessias de rios exigem cautela adicional. Não se deve tentar atravessar um curso d’água com correnteza forte ou cuja profundidade ultrapasse a linha da cintura. A profundidade aparente pode enganar, e o leito pode conter pedras soltas, galhos e buracos. Em cachoeiras, saltos são especialmente perigosos porque a água pode esconder obstáculos e a chuva pode modificar as condições do local.

Animais peçonhentos e carrapatos

Serpentes, aranhas, escorpiões, abelhas e outros animais fazem parte dos ambientes naturais. A recomendação é observar o caminho e os locais onde as mãos serão apoiadas, sem tocar em animais, ninhos, tocas, troncos ou pedras. O Ministério da Saúde orienta o uso de calçados fechados e atenção redobrada em áreas de mata. (gov.br)

Ao encontrar uma serpente ou outro animal peçonhento, a pessoa deve se afastar sem tentar capturá-lo, provocá-lo ou fotografá-lo de perto. Em caso de picada, é importante manter a vítima calma, retirar objetos apertados, como anéis e pulseiras, e buscar atendimento médico o mais rápido possível. Não se deve fazer cortes, amarrar o membro, sugar o veneno, aplicar substâncias ou tentar capturar o animal.

O contato com carrapatos também merece atenção em áreas de vegetação alta, pastagens e mata. Roupas claras, calças compridas, meias, botas e inspeção do corpo durante e depois da trilha ajudam a identificar o parasita. Se um carrapato estiver aderido à pele, a orientação do Ministério da Saúde é removê-lo com pinça, puxando com cuidado e firmeza, sem esmagá-lo. (gov.br)

Febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, náuseas ou manchas na pele após uma passagem por área de mata devem ser informadas ao serviço de saúde, com relato sobre o local visitado e a possibilidade de contato com carrapatos. O diagnóstico precoce é importante porque os sintomas podem ser confundidos com outras doenças.

Água, lama e risco de leptospirose

Depois de chuvas fortes, alagamentos ou inundações, a atenção deve ser redobrada em áreas com lama, água parada e escoamento de enxurradas. A leptospirose é causada por bactérias presentes na urina de animais infectados, principalmente roedores. A transmissão pode ocorrer pelo contato com água, solo ou lama contaminados, especialmente quando existem ferimentos ou contato com mucosas. (samu.saude.sc.gov.br)

Por esse motivo, é mais seguro adiar a trilha após eventos de chuva intensa e evitar entrar em água de procedência desconhecida. Febre súbita, dor de cabeça, mal-estar, dores musculares e dor forte nas panturrilhas após exposição devem ser comunicados a um profissional de saúde.

O que fazer em caso de queda ou desorientação

Se alguém se machucar, o grupo deve avaliar primeiro se o local oferece risco de nova queda, deslizamento ou contato com água. A vítima não deve ser movimentada sem necessidade, principalmente quando houver suspeita de fratura, trauma na cabeça ou lesão na coluna. Em caso de ferimento com sangramento, pode-se fazer compressão direta com material limpo, desde que isso não agrave a lesão.

Quando houver fratura aparente, dor intensa ou incapacidade de caminhar, a pessoa não deve ser forçada a seguir. O local deve ser informado às equipes de emergência com o máximo de precisão possível, incluindo referências visuais, nome da trilha, ponto de entrada e distância aproximada. O telefone 193 é o canal indicado pelo CBMSC para emergências.

Se o grupo se perder, a orientação é manter a calma, permanecer próximo da trilha ou do último ponto conhecido e evitar deslocamentos aleatórios. Caminhar sem direção pode aumentar a distância do ponto de resgate e consumir água, alimento e bateria. O grupo não deve se separar para procurar ajuda. Sinais visuais ou sonoros podem ser utilizados quando houver segurança para isso. (cbm.sc.gov.br)

Segurança também envolve preservação

O cuidado com o ambiente faz parte da segurança coletiva. Lixo, restos de alimentos e embalagens atraem animais, contaminam a água e prejudicam outros visitantes. Todo resíduo deve ser levado de volta. Fogueiras e queimadas devem ser evitadas, pois o fogo pode se espalhar rapidamente em períodos secos e causar danos à vegetação.

Também é importante permanecer nas trilhas demarcadas, respeitar áreas interditadas e seguir as regras de parques, propriedades e unidades de conservação. Atalhos podem provocar erosão, aumentar o risco de acidentes e dificultar a localização em caso de emergência.

Com planejamento, equipamento adequado e respeito aos limites do corpo e do ambiente, a prática de trilhas pode ser mais segura. Em Santa Catarina, onde os percursos variam de caminhadas litorâneas a trajetos de serra e mata fechada, a melhor estratégia é não subestimar a natureza e pedir ajuda ao primeiro sinal de risco.

Fontes: Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina e Ministério da Saúde.